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Esforça-te e tem bom ânimo!
segunda-feira, 16 de maio de 2022
A Infidelidade Conjugal e suas consequências
INTRODUÇÃO
A Infidelidade Conjugal é um sério problema, e que compromete o futuro do casamento. Por isso, a igreja precisa aprender a lidar biblicamente com essa realidade. Na aula de hoje trataremos a respeito do conceito bíblico de infidelidade, bem como da sua abordagem, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. Ao final, apresentaremos encaminhamentos práticos a fim de evitar a infidelidade no casamento.1. A INFIDELIDADE CONJUGAL: DEFINIÇÃO BÍBLICO-TEOLÓGICA
A Infidelidade Conjugal, no contexto bíblico, diz respeito ao ato sexual de uma pessoa casada com outra que não é o seu cônjuge. O termo mais específico para a Infidelidade Conjugal é adultério, tendo em vista que o ato sexual antes do casamento é reconhecido como fornicação. A palavra hebraica no Antigo Testamento para adultério é naaph, que aparecem em dois contextos distintos. No primeiro diz respeito à violação do relacionamento conjugal em que o esposo ou a esposa tem um envolvimento sexual com uma terceira parte. Essa palavra ocorre mais de trinta vezes, principalmente na literatura profética, para se referir ao adultério moral de Israel, seu distanciamento de Deus (Jr. 2.33; 7.9; 23.14; 29.23; Os. 4.2; Ml. 3.5). No Novo Testamento, a palavra grega para adultério é moichos, substantivo associado àqueles que se tornaram culpados em virtude da Infidelidade Conjugal (Lc. 18.11; I Co. 6.9; Hb. 13.4). Esse termo também é usado metaforicamente, para fazer referência às pessoas que traíram a Cristo, e se envolveram com o mundo (Tg. 4.4). Atrelado a essa palavra encontramos também o termo grego moicheia, que é o pecado físico do adultério (Mt. 15.19; Mc. 7.21; Jo. 8.3; Gl. 5.19). Na língua portuguesa, a palavra adultério vem do grego adulterium, que significa dormir em cama alheia. Mas é preciso ter cuidado para não confundir adultério – moicheia em grego, com imoralidade sexual – porneia em grego, tem a ver com fornicação, ou qualquer tipo de imoralidade sexual (Mt. 5.32).2. A INFIDELIDADE CONJUGAL NO ANTIGO E NOVO TESTAMENTO
O adultério era terminantemente proibido no Antigo Testamento (Dt. 5.18), mais especificamente no Decálogo (Ex. 5.18). O pecado da Infidelidade Conjugal, ou mais precisamente, do adultério, era tão grave que a punição deveria ser com a morte (Lv. 20.10; Dt. 22.22). A recomendação rabínica era que a morte deveria acontecer por estrangulamento. Nos tempos de Jesus, a punição se dava por apedrejamento, e que os culpados deveriam ser pegos no ato do pecado (Jo. 8.5). O adultério era tido como um crime horrendo no Antigo Pacto (Jó. 31.11), por isso os profetas advertiram o povo de Israel quanto ao envolvimento nesse tipo de pecado (Pv. 2.17). O profeta Natan repreendeu o rei Davi por causa do seu pecado de adultério, seguido de homicídio (II Sm. 12.7), o qual orou a Deus, suplicando perdão (Sl. 51). Os livros sapienciais, com maior propriedade o de Provérbios, trazem instruções a fim de que o homem não se envolva em pecado de adultério (Pv. 6.29-32). A gravidade do adultério é percebida também na bíblia porque esse pecado justifica o divórcio (Dt. 24.1; Mt. 19.9). Isso porque o adultério compromete os laços conjugais (I Co. 6.15-17; Hb. 13.4) concretizados no enlace matrimonial (Gn. 2.24). Para Jesus, o ato do adultério vai além do contato dos corpos, o olhar desejoso de um homem para um mulher, cometeu pecado em seu coração (Mt. 5.28). A prática constante do adultério pode resultar em apostasia, provocando esfriamento espiritual, e distanciando a pessoa de Cristo (I Co. 6.9,10). O caso de adultério – ou Infidelidade Conjugal – de Davi, anteriormente mencionado, revela algumas lições: 1) ninguém está imune à tentação, qualquer pessoa pode cair em adultério, até mesmo um guerreiro como Davi (I Sm. 18.7-8; I Co. 10.12); 2) o melhor é permanecer no local planejado por Deus, não se distanciar dos Seus desígnios (I Sm. 11.1); 3) não se deve alimentar pensamentos pecaminosos, que incitem à concretização do adultério (II Sm. 11.2-5; I Co. 6.18); 4) não adianta acobertar o pecado da infidelidade, é preciso buscar arrependimento, e voltar-se para Deus (II Sm. 11.6-13); e 5) Nem tudo está perdido, Deus perdoa o pecado de adultério, e tem poder para restaurar o espírito quebrantado (I Co. 6.11; II Co. 5.17).3. RECOMENDAÇÕES PRÁTICAS PARA EVITAR A INFIDELIDADE CONJUGAL
Os cristãos estão sujeitos à Infidelidade Conjugal, por isso, devem fazer todo o possível para não caírem nesse pecado. As pessoas são diferentes, algumas delas são mais propensas à Infidelidade Conjugal, essas devem ter cuidado redobrado, estarem atentos aos seus limites (I Co. 10.12). O esposo deve permanecer ciente do seu compromisso com sua esposa, e deve tratá-la com amor, como Cristo se sacrificou pela Sua igreja (Ef. 5.25). É preciso estar atento às fragilidades emocionais, muitos casos de Infidelidade Conjugal acontecem porque um dos cônjuges se encontra emocionalmente fragilizado. Por isso, quando precisar de aconselhamento, não conte sua situação para uma pessoa do sexo oposto, mesmo que seja um colega de trabalho, ou da igreja. Mais importante que isso, antes de se envolver em um ato de Infidelidade Conjugal, calcule as consequências, geralmente são desastrosas, principalmente para a vida espiritual (Ap. 22.15). O marido e a esposa têm responsabilidades conjugais no casamento, inclusive em relação ao sexo. O relacionamento sexual, dentro do casamento, deve ser uma prática constante (I Co. 7.5). A partir do livro de Provérbios, que apresenta recomendações práticas a fim de evitar o adultério, extraímos alguns conselhos, particularmente com base em Pv. 2.16,17: 1) Não se entregar às palavras lisonjeias, essa orientação serve tanto aos homens quanto às mulheres, pois a Infidelidade Conjugal começa com o uso de expressões elogiosas (Pv. 2.16), os lábios que conduzem ao adultério são perniciosos (Pv. 5.3; 6.24; 7.5, 21,23); 2) Não se esqueça de que você é alguém comprometido, tanto com Deus quanto com seu cônjuge (Pv. 2.17). Os cônjuges, mesmo geograficamente distantes, estão unidos através dos laços conjugais. O marido ou mulher não podem trocar as carícias de amor, por aqueles oferecidos nas ruas, ou outros ambientes pecaminosos (Pv. 7.10-12); 3) Os cônjuges não estão ligados apenas por um contrato, mas por uma aliança, cujo fundamento é a Palavra de Deus (Pv. 2.17). O elo que firma essa aliança é o amor (Fp. 1.9), que deve ser cultivado no casamento cristão, e não pode ser rompido pelo fogo destruidor do adultério.CONCLUSÃO
A Infidelidade Conjugal tem causado muitos estragos nos relacionamentos, até mesmo entre os cristãos. É preciso estar atento aos perigos do adultério, suas consequências são desastrosas para a vida do casal, inclusive para os filhos. marido e mulher devem investir na relação, inclusive sexualmente, evitando, assim, a fragilização que pode conduzir ao pecado. Acima de tudo deve prevalecer o amor-agape, que se sacrifica, e motiva à obediência (Jo. 14.21).sábado, 14 de maio de 2022
A igreja de Sardes, morta e exposta apocalipse 3:1,6.
1 Ao anjo da igreja em Sardes escreva: Estas são as palavras daquele que tem os sete espíritos de Deus e as sete estrelas. Conheço as suas obras; você tem fama de estar vivo, mas está morto.
2 Esteja atento! Fortaleça o que resta e que estava para morrer, pois não achei suas obras perfeitas aos olhos do meu Deus.
3 Lembre-se, portanto, do que você recebeu e ouviu; obedeça e arrependa-se. Mas se você não estiver atento, virei como um ladrão e você não saberá a que hora virei contra você.
4 No entanto, você tem aí em Sardes uns poucos que não contaminaram as suas vestes. Eles andarão comigo, vestidos de branco, pois são dignos.
5 O vencedor será igualmente vestido de branco. Jamais apagarei o seu nome do livro da vida, mas o reconhecerei diante do meu Pai e dos seus anjos.
6 Aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas.
*** História ***: Sardes, ou Sárdis, se encontrava a um pouco mais de 48 km ao sudoeste de Tiatira, no monte Tmolo. Hoje, suas ruínas estão perto da cidade de Start, na Turquia. No fim do Império Assírio, por volta de 612 AC, a Babilônia dominou a Mesopotâmia, e Sardes se tornou a capital do reino da Lídia. Sardes era uma fortaleza natural, nesse monte. Os cidadãos comuns viviam no pé da montanha, perto do rio Pactolo, enquanto a realeza e os abastados moravam no topo do monte. A cidade estava estrategicamente localizada para o comércio na Ásia Menor. Sardes era uma cidade avançada, e um centro industrial para a manufatura e tinturaria de lã e tapetes. A descoberta de como separar o ouro da prata fez com que a indústria metalúrgica também crescesse bastante durante o governo do rei da Lídia, Creso. A habilidade de cunhar moedas de ouro puro ou de prata pura, fez de Sardes uma cidade muito rica. Sardes também é considerada como o berço do dinheiro moderno.Os cidadãos consideravam sua cidade como impenetrável. Então seus guardas nem sempre estavam em seus postos como deviam. Ciro o Grande (o rei que conquistou a Babilônia e iniciou a era Persa) conquistou Sardes sem quase nenhuma resistência em algum momento entre 548-546 AC. A cidade permaneceu sob domínio Persa até 334 AC, quando Alexandre o Grande conquistou a região. Os gregos também não encontraram muita resistência. A cidade foi novamente conquistada em 218 por Antioco, porque os guardas não estavam vigiando direito. A cidade baixa foi reconstruída em um novo local, e eventualmente, construíram uma muralha ao redor dela. Apesar de estar crescendo sob o domínio de diferentes impérios, Sardes nunca voltou a ter o nível de importância que havia tido no passado, sob o reino lídio. Mas continuou vivendo à sombra da glória de seu passado. Em 133 AC, foi dominada pelos Romanos. Um terremoto destruiu a cidade em 17 DC. Sardes era tão rica que bancou sua própria reconstrução. O Império Romano, em seus esforços de ajuda à região, concedeu que Sardes fosse isenta de impostos por um tempo. Em 616 DC, os persas atacaram e destruiram a cidade.
A deusa da cidade era Cibele. O povo acreditava que ela era a deusa mãe, e entre outras coisas, que ela era mediadora entre o mundo dos vivos e dos mortos. Sardes tinha um templo para Ártemis, e muito provavelmente um para Zeus. Sabemos também que lá havia uma sinagoga judaica muito grande, que foi escavada em 1962.
Os significados do nome Sardes mais comumente aceitos são: “aqueles que escapam”, “aqueles que saem”, ou “aqueles que permanecem”. Mas de acordo com a concordância Bíblica Strong’s Exhaustive Concordance, o nome Sardes é uma palavra no “plural de derivação desconhecida”. Sem termos certeza total de qual seja o seu significado, podemos entender que Sardes é apenas um nome.
*** Visão Bíblica ***: A cidade de Sardes não é mencionada em nenhum outro verso da Bíblia. Jesus começou a Sua avaliação da igreja dizendo que ela não era nada mais que uma faixada. O resultado do caminho perigoso começado em Éfeso, o caminho da falta de amor, é demonstrado por completo em Sardes. 1 João 3:14 diz que permanecemos espiritualmente mortos quando não temos amor. Agora podemos ver mais claramente, após estudarmos as primeiras 4 igrejas, o que acontece quando vivemos sem amor pelos outros e pela verdade. Nós perdemos o foco do ponto central da existência cristã: Jesus. Sem Ele, o que resta na igreja são apenas tradições e conversas e discussões inúteis (1 Timóteo 1:3-6). Essa forma de pensar, sem amor, abre as portas para a introdução e tolerância aos falsos ensinamentos, exaltação do Próprio Eu, e por fim, morte. Com exceção de Esmirna, estes foram exatamente os passos tomados pelas igrejas até então. Quando não somos nutridos com o Pão da Vida, através do Espírito que dá vida (Romanos 8:6-10), perecemos. Não existe outra solução. Jesus está chamando essa igreja morta para que volte a viver. Efésios 2:4-5 nos diz como podemos ser reavivados: “Todavia, Deus, que é rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou,
deu-nos vida juntamente com Cristo, quando ainda estávamos mortos em transgressões — pela graça vocês são salvos”.
É interessante notar que os Nicolaítas não eram o grupo problemático dessa igreja, nem mesmo os seguidores de Jezabel, ou os de Balaão. O problema ía mais fundo do que isso. A maioria dos membros da igreja já não mais estava cheia do Espírito, e isso se tornou um problema sério. O perigo maior era que eles pareciam estar vivos. E isso por si só era uma fonte de engano. Nós lemos o chamado urgente de Jesus, nessa carta: “arrependa-se”. Ele os estava chamando para pedirem perdão a Deus, e caminharem come Ele. Ele estava, e ainda está pronto a perdoar os nossos pecados.A mensagem de Jesus nos faz lembrar da parábola do Filho Pródigo (Lucas 15:11-31). O pai estava pacientemente esperando seu filho retornar para casa. Quando o filho finalmente voltou, o pai pediu que seus servos trouxessem a melhor roupa para vestir seu filho, e que preparassem uma grande festa. O pai anunciou para todos: “Pois este meu filho estava morto e voltou à vida; estava perdido e foi achado” (Lucas 15:24). A parábola não nos dá a impressão de que o filho ficou surpreso de ver seu pai esperando na estrada. O objetivo de sua jornada de volta para casa era exatamente retornar para o pai. As primeiras palavras que o filho disse a seu pai foram palavras de arrependimento. Podemos apenas imaginar como o filho teria sido pego de surpresa se seu pai tivesse chegado justamente no momento que estava considerando comer a ração dos porcos. A idéia de encontrar com seu pai ali ao lado dos porcos possivelmente nunca passou pela sua cabeça. Jesus não quer que Sua vinda nos pegue de surpresa. A Sua mensagem é: esteja atento, vigilante, e preste atenção! Não iremos saber que Ele está vindo se não estivermos olhando na direção certa. Quando desenvolvemos um relacionamento com Cristo, ele vai nos mostrar a direção correta. Se não O buscarmos, não teremos como achá-LO. Se não O acharmos, não seremos vestidos com as vestimentas brancas, e nossa natureza pecaminosa irá permanecer descoberta. Sem o Salvador, não ficamos apenas mortos, mas também expostos. Jesus disse: “Eis que venho como ladrão! Feliz aquele que permanece vigilante e conserva consigo as suas vestes, para que não ande nu e não seja vista a sua vergonha” (Apocalipse 16:15).
*** Visão Geral ***: Sardes vivia à sombra da fama de seu passado, sustentada por suas próprias riquezas. A igreja estava tão misturada com a cidade, que não tinha como separar uma da outra. Tanto a cidade quanto a igreja podiam ser descritas da mesma maneira. Já não vemos mais aqueles opostos contrastantes quando comparamos as duas. Nessa carta, Cristo lembra à congregação o modo como Sardes havia sido conquistada no passado, por causa do seu excesso de confiança e falta de vigilância. Era um alerta para os membros da igreja permanecerem atentos, e não abandonarem seus postos. Falta de esforço é motivo o suficiente para precisar de perdão. O vencedor irá receber vestes de justiça. Jesus também está dizendo esta mensagem para nós hoje: manter a verdade que recebemos, e nos arrepender de nossos pecados. Deus é poderoso o suficiente para nos ressuscitar da paralisia, da letargia e mesmo da morte espiritual. Não estaremos sozinhos, porque Ele prometeu caminhar conosco. Mas, da mesma maneira que o filho pródigo, precisamos decidir por nós mesmos voltar para casa. Precisamos acordar, olhar para cima, levantar, reconhecer o erro, e caminhar em direção ao nosso Redentor. Jesus disse: “Todo o que o Pai me der virá a mim, e quem vier a mim eu jamais rejeitarei” (João 6:37).
Estudo Bíblico Sobre Fé
Neste estudo bíblico sobre fé iremos meditar no capítulo 11 da Epístola aos Hebreus. O escritor neotestamentário faz uma grande exposição sobre a natureza da fé e como ela age na vida daquele que serve ao Senhor. Através desse capítulo é fácil perceber qual é a verdadeira perspectiva bíblica sobre a fé.
Ultimamente a fé está sendo anunciada como um tipo de chave infalível para uma série de conquistas e realizações na vida do homem. Pastores e líderes fazem apelos para que as pessoas visitem suas igrejas a fim de aprenderem realmente como usar a fé. Alguns até alegam que em suas igrejas, o resultado é garantido.
Mas será que é isto mesmo? A fé é o segredo para sermos poupados dos sofrimentos desta vida? A fé é a garantia de portas abertas e grandes realizações? Será que que aqueles que sofrem possuem pouca fé?
O escritor da Epístola aos Hebreus respondem essas perguntas de uma forma clara e objetiva, utilizando exemplos práticos sobre como o cristão deve usar a fé
.O escritor de Hebreus dirigiu sua carta aos cristãos judeus da Diáspora. Isso significa que seus destinatários viviam fora da Palestina na última metade do século primeiro. Naquela época os cristãos estavam sendo duramente perseguidos, provavelmente sob o regime de Nero (64 d.C.).
Além de toda essa perseguição, havia muita heresia sendo ensinada por falsos mestres. Algumas comunidades cristãs estavam sendo ameaçadas pela apostasia. Então muitos dos cristãos judeus eram tentados a voltarem ao judaísmo.
Diante desse cenário o autor bíblico fala sobre a superioridade do Sacerdócio de Cristo. Ele apresenta uma série de exortações e encorajamentos a respeito da verdadeira fé. Mas é no capítulo 11 que ele faz um profundo estudo sobre a fé. Ele lembra os seus leitores das histórias de grandes homens do passado, numa verdadeira galeria dos heróis da fé.
Então ele abre sua exposição com uma clara definição descritiva acerca do que é a fé verdadeira. Ele diz: “Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos” (Hebreus 11:1).
Em Hebreus 11 encontramos uma lista de pessoas e seus exemplos de fé. O escritor neotestamentário aborda primeiramente os homens que viveram bem no início da História da humanidade. Desse período ele menciona Abel, Enoque e Noé.
Depois, o escritor cita alguns exemplos da era patriarcal, tais como: Abraão, Sara, Isaque e Jacó. Em seguida ele continua sua exposição falando de Moisés, e aborda de forma geral alguns exemplos dentro da história dos israelitas.
No versículo 32 o autor admite que lhe faltará tempo para considerar todas as pessoas que foram referenciais de fé no Antigo Testamento. Então ele passa a citar de forma geral vários exemplos de fé. Em cada exemplo pontuado pelo autor bíblico é possível nos lembrarmos de uma, duas ou até três pessoas que viveram tais situações.
Vejamos abaixo algumas lições que podemos aprender com esse extraordinário estudo sobre a fé presente em Hebreus 11.
Na pequena frase do versículo 1, o escritor de Hebreus ensina que somente a fé nos permite enxergar o futuro. Essa “certeza daquilo que esperamos” não é um tipo convite para projetarmos uma série de aspirações na certeza de que se realizarão. Pelo contrário! É por meio da fé que temos a certeza das promessas de Deus e confiamos em seu poder.
Em poucas palavras, é possível dizer que pela fé nos alimentados das promessas de Deus. É através da fé que temos a prova das coisas que não vemos. A fé nos dá a certeza de que Deus cumprirá suas promessas!
Já o versículo 3 nos mostra que é pela fé que entendemos as obras e os propósitos de Deus. Nenhum homem esteve presente quando Deus criou o universo. Em um diálogo com Jó, o próprio Deus perguntou: “Onde estavas tu?”. Quando Deus criou todas as coisas ninguém foi seu conselheiro. É apenas a fé é que nos permite perceber planos tão elevados e sublimes.
No versículo 6 encontramos uma verdade gloriosa e ao mesmo tempo terrível: “Sem fé é impossível agradar a Deus”. Ainda no mesmo versículo aprendemos que a fé é obrigatória para nos aproximarmos de Deus. Não importa se somos capazes; não importa o quanto somos bondosos; não importa o nosso intelecto e nem mesmo o tamanho do reconhecimento das obras que realizamos. Se não tivermos fé, nada disso poderá agradar a Deus.
O apóstolo Paulo também chegou a essa conclusão ao dizer que “tudo que não provém de fé é pecado” (Romanos 14:23). Essa fé verdadeira se traduz em frutos, em obras que agradam a Deus. Tiago explica claramente esse princípio ao dizer que “a fé sem obras é morta”. Ele não estava ensinando que são as obras que mantém a fé viva, mas que a evidência da verdadeira fé na vida do cristão o leva às boas obras. Se alguém diz ter tal fé, mas não possuí tais obras, certamente sua fé é falsa. Essa fé simplesmente nominal e histórica é morta e não serve para nada.
Entre os versículos 8 e 29 lemos sobre os exemplos dos patriarcas e de Moisés. Eles agiram conforme a vontade de Deus! Eles foram impulsionados por uma fé que os levou a desafiar qualquer raciocínio lógico.
Abraão alcançou de Deus o nascimento de seu filho Isaque, por quem havia esperado com muita fé quando já estava em sua velhice. Porém, a fé de Abrão ficou mais evidente quando ele foi ordenado por Deus a oferecer Isaque em holocausto. Sua fé não estava apenas na obediência que ele demonstrou, mas em considerar como certo aquilo que era impossível. Abraão tinha fé que Isaque ressuscitaria caso fosse morto (Hebreus 11:19).
Sobre Moisés, humanamente falando era muito mais cômodo para ele permanecer no Egito. Lá ele vivia como príncipe e tinha tudo do que precisava. Mas Moisés preferiu ser maltratado junto com o povo de Deus. Somente a fé nos faz abrir mão dos nossos prazeres e agir segundo a vontade e as promessas de Deus.
No versículo 26 vemos que a fé gera em nós uma esperança que é mais importante do que qualquer outra coisa, por mais valiosa que seja. Moisés trocou o conforto e os tesouros do Egito para sofrer o opróbrio de Cristo.
Essa palavra nos traz conforto! Sabemos que mesmo se perdermos tudo que possuímos por amor a Cristo, isto não significa que nossa fé estará desfalecendo, ao contrário, isto significa que nossa fé estará mais viva do que nunca, nos conduzindo ao galardão que vem de Deus.
A partir do versículo 30 vemos que a fé nos faz triunfar em grandes batalhas. Foi pela fé que as muralhas de Jericó vieram ao chão. Foi a fé verdadeira que levou Raabe, uma prostituta, a produzir boas obras e, por fim, se tornar uma das ancestrais de Jesus (Mateus 1:5). Foi pela fé que os juízes e reis no Antigo Testamento subjugaram reinos e alcançaram promessas. Pela fé Daniel, Sansão e Davi fecharam a boca de leões. Foi pela fé que três homens lá na Babilônia sobreviveram ao fogo.
O versículo 35 também lembra que pela fé mulheres receberam seus mortos ressuscitados. Claramente aqui o escritor se refere aos eventos ocorridos com o profeta Elias (Reis 17:22-23), e depois com o profeta Eliseu (2 Reis 4:36-37). Através do ministérios desses homens, pela fé, duas pessoas foram trazidas novamente a vida pelo poder de Deus.
Se por um lado a fé nos faz vencer batalhas e até mesmo a alcançar milagres da parte de Deus, a fé também pode nos levar ao sofrimento intenso. Em alguns casos, a fé pode custar nossa própria vida.
Esse é o lado da fé que muitos pastores e pregadores não gostam de falar. É fácil pregar que Moisés tocou no mar e ele se abriu. É fácil dizer que Elias orou e fogo desceu do céu. Mas difícil é pregar que a mesma fé que os conduziu a essas realizações também fez com que Moisés rejeitasse todo o tesouro e status do Egito para viver andando pelo deserto, e que Elias fosse perseguido pela rainha Jezabel.
Entre os versículos 35 e 38 o escritor cita vários exemplos de situações como essas. Ele diz que pela fé alguns foram apedrejados; perseguidos; torturados; provados; maltratados; açoitados; escarnecidos; presos; andaram errantes pelos desertos, montes e covas. Muitos até foram mortos por causa de sua fé.
O escritor bíblico indica que muitas pessoas trocaram a própria vida pela esperança de uma futura ressurreição. Ele cita um exemplo especifico de alguém que foi serrado ao meio. Embora consta na Bíblia, segundo a tradição judaica o profeta Isaías morreu dessa forma.
Alguns dizem que se você tiver fé, você terá uma vida sem problemas. Mas segundo o escritor de Hebreus, a fé também pode ser a causadora de seus maiores problemas nessa vida terrena. A fé nos leva ao sofrimento e nos mantém firmes em momentos de grandes dificuldades.
Nos versículos 39 e 40, o autor de Hebreus nos mostra que mesmo com todos esses exemplos de fé no Antigo Testamento, aquelas pessoas não conseguiram ver a concretização da promessa. Isso significa que embora aquelas pessoas vivessem pela fé, elas não puderam presenciar a realização da maior promessa de Deus: a vinda de Cristo.
Porém, juntamente com os crentes da Nova Aliança, os heróis da fé do que alcançaram um testemunho tão maravilhoso, também são justificados em Cristo Jesus. Juntos, todos os crentes, de todas as épocas, são aperfeiçoados em Cristo. É a fé que nos une em um só Corpo, tanto os santos da Antiga Aliança quando os da Nova Aliança.
Os crentes da Antiga Aliança viveram pela fé na promessa que haveria de vir. Já os crentes da Nova Aliança vivem pela fé no cumprimento da promessa. O maior desejo do cristão deve ser a volta de Cristo. Por isto todos devemos esperar que Ele venha ainda em nossos dias. Entretanto, ainda que isso não ocorra enquanto nossa geração estiver viva na terra, nós sabemos, pela fé, que Ele virá. Nesse dia nossos corpos serão ressuscitados dentre os mortos e reinaremos eternamente com Ele. A fé se mantém firme mesmo quando não obtemos a concretização da promessa
Uma coisa muito interessante que podemos notar neste estudo sobre a fé em Hebreus 11 é que nenhum dos heróis citados foi perfeito. Em todos os nomes citados podemos identificar os efeitos da Queda em suas vidas. Mas mesmo com a natureza pecaminosa, claramente sabemos que o pecado não era aquilo que os caracterizava.
Aquelas pessoas tiveram imperfeições. Eram homens e mulheres como nós. Porém, constantemente a fé convidava aquelas pessoas a andar na justiça. Com isto aprendemos que a verdadeira fé nos conduz a um novo padrão de vida e nos leva à santificação. A verdadeira fé, embora em alguns momentos possa parecer enfraquecida, ela jamais irá definitivamente morrer. É diante das nossas imperfeições que podemos reconhecer que a fé não é obra nossa, nem mesmo tem origem em nossa capacidade. A fé verdadeira é dom de Deus (Efésios 2:8).
Algumas pessoas dizem que não aceitam servir a um Deus grande e viver uma vida terrena de privações e dificuldades. Mas em outras palavras, essas pessoas estão dizendo que não aceitam servir o único e verdadeiro Deus, o mesmo dos heróis da fé.
Quando comparamos a triste situação atual de grande parte dos cristãos com esse estudo sobre a fé em Hebreus 11, surgem algumas perguntas. Por exemplo:
- Por que Moisés não realizou uma “campanha de libertação” de sete sextas-feiras com o povo de Israel, ao invés de ficar peregrinando quarenta anos no deserto?
- Por que Elias não fez um “desmanche espiritual” na vida de Jezabel para que ela não fosse mais uma perturbada e o deixasse em paz?
- Por que Isaías não determinou que parassem de cerrá-lo ao meio?
- Citando um exemplo no Novo Testamento, por que Paulo não orou por um copo de água e tomou para que seu espinho na carne fosse tirado?
Será que essas pessoas não serviram ao Deus verdadeiro? Será que elas não tiveram fé?
Quando olhamos para esse estudo sobre a fé do capítulo 11 de Hebreus, podemos perceber que a fé produz em nós a certeza das promessas de Deus. Sem dúvida ela nos faz confiar em Seu infinito poder. Porém a fé não muda os desígnios eternos do nosso Deus, ou seja, ela não sobrepõe sua soberana vontade.
No final de seu estudo sobre a fé no capítulo 11, o autor de Hebreus nos ensina a entender uma coisa muita importante. Nos dias de hoje não temos mais o mar se abrindo. Não temos mais uma grande muralha sendo derrubada de forma sobrenatural. Não temos mais o sol (ou a rotação da terra para quem preferir) sendo detido e o tempo ficando paralisado. Também não temos mais fogo literalmente descendo do céu e tantas outras coisas.
Mas isso não significa que não temos mais fé como antigamente. Também não significa que nosso Deus mudou, ao contrário, isso significa que nosso Deus é imutável e infalível. Os propósitos de Deus são eternos, e todas essas coisas espetaculares do passado serviram para apontar para algo infinitamente maior e superior: a obra redentora de Cristo na cruz.
Embora Deus prometa suprir nossas necessidades, o maior exercício de fé não é buscar a prosperidade ou grandes milagres. O maior exercício de fé é ter a certeza de uma nova vida através do maior milagre que pode existir: a justificação em Cristo Jesus, nosso Senhor. Assim, após o estudo sobre a fé no capítulo 11, no início do capítulo 12 o escritor bíblico nos apresenta Jesus como o nosso maior exemplo de fé.




