sábado, 23 de abril de 2022


CADVPR EU NÃO TENHO VERGONHA DO EVANGELHO!

         A história do Cristianismo nos demonstra que desde os primeiros séculos, até os dias atuais, é impossível se manter indiferente diante de Jesus Cristo. Temos apenas duas opções: acolhimento ou rejeição. Acolher a Pessoa, o amor e os ensinamentos de Cristo é a melhor opção que podemos fazer na vida, pois Jesus é a verdade dos seres humanos e, por isso, nossa obediência de fé n’Ele deve ser sempre mais o manancial dos valores humanos e cristãos que nos fortalecem no enfrentamento dos problemas que percorrem a nossa existência.

Temos conhecimento de que os Apóstolos e os cristãos da primeira geração tiveram dificuldades em viver a Boa Nova da Salvação, como também a geração dos mártires, a geração dos cruzados, a geração dos europeus (contemporâneos da Revolução Francesa), a geração dos espanhóis da época da Revolução Espanhola e, sobretudo, os cristãos que habitaram os países do bloco socialista, após o término da Segunda Grande Guerra Mundial. A todas essas gerações, as opções propostas eram as mesmas que, hoje, nos são apresentadas: ou assumimos nossa condição de cristãos ou abrimos mão de um compromisso com Jesus Cristo.

Os tempos históricos e suas perseguições foram as mais diversas em suas formas e conteúdo, mas as palavras de  Paulo ao seu discípulo Timóteo sempre foram atuais. Ele nos diz: “Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza, amor e sabedoria. Não te envergonhes, portanto, do testemunho de nosso Senhor. Participa comigo no trabalho do Evangelho, fortificado pelo poder de Deus. Ele nos salvou e nos chamou para a santificação”. (2 Tim 1, 79).

Pela leitura e meditação dos Evangelhos e dos Atos dos Apóstolos, nós percebemos que durante a vida pública de Cristo as perseguições eram frequentes. Pelos relatos de Mateus, Marcos, Lucas e João, nós notamos que, em muitas situações, “ninguém falava d’Ele abertamente com medo dos judeus”. (Jo 7,13). E o motivo dessa postura era   “que os judeus já haviam combinado que, se alguém reconhecesse a Jesus como o Messias, seria excluído da Sinagoga”. (Jo 9,22). E apesar do medo e das perseguições, “muitos acreditaram n’Ele mas, por causa dos fariseus, não o confessavam, para não serem excluídos da Sinagoga. É que preferiram a glória dos homens à glória de Deus. ” (Jo 12, 42-43).

Com a frequente celebração de culto onde Cristo é o cabeça da igreja, com o anúncio da Boa Nova da Salvação, os Apóstolos, bem cedo, aprenderam a superar o receio e o medo. Após a  Ressurreição de Jesus, falar da morte e do poder salvífico de Cristo na cruz era motivo de alegria para os doze apóstolos, mas ao mesmo tempo, era origem e motivo de escândalo para os judeus. E por isso Pedro, João, Tiago, e mesmo Paulo, foram presos inúmeras vezes e pressionados para que não falassem da vitória de Cristo sobre a morte, mas, fiéis à Boa Nova, eles professavam: “Não podemos deixar de dizer o que vimos e ouvimos. ” (At 4,20). E apóstolo dos gentios, nos deixou esse precioso testemunho: “Eu não me envergonho do Evangelho, pois ele é uma força salvadora de Deus para todo aquele que crê”. (Rm 1,16).

Após vinte e um séculos das perseguições aos apóstolos, o mundo continua criando dificuldades para se acreditar no Amor. Às vezes, parece que tudo é possível, menos se comprometer com a Boa Nova anunciada por Cristo. Fazendo contraponto com as propostas do mundo, Jesus continua nos advertindo: “Quem se envergonhar de Mim e das Minhas palavras nesta geração adúltera e pecadora, também dele Se há de envergonhar o Filho do Homem, quando vier na glória de Seu Pai, com os Anjos Santos”. (Mc 8,38). É de suma importância não se esquecer dessa regra de ouro, deixada a nós pelo nosso Redentor: “Quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas quem perder a sua vida por causa de Mim e do Evangelho, salvá-la-á”. (Mc 8,35)

Vivemos em um tempo em que parece que tudo deve ser feito para facilitar o prazer, a acomodação e a realização da vontade própria. Nesse contexto, há muitos, até, que falam de um cristianismo cômodo, exigem uma celebração de culto, água de flor de laranja e chegam até ao extremo de criarem um Jesus camarada, chá de rosas bem perfumadas. E se esquecem do principal: não existe um cristianismo sem Cruz. Não existe um Cristianismo sem uma total identificação com o Evangelho de Cristo. Do mesmo modo que não pode haver uma mulher que está grávida pela metade, não existe também um Cristianismo parcial.

Aos jovens solteiros cabe a missão de anunciar:  “Eu vivo um namoro santo porque não me envergonho do Evangelho. É com alegria que eu participo do grupo de jovens da minha igreja, dos Movimentos eclesiais e dos serviços da Igreja e não tenho medo de viver e testemunhar a fé aos meus companheiros de juventude, nas múltiplas situações da existência humana, sobretudo nas mais difíceis”.

Aos casais cristãos é incumbida a missão de propagar: “Utilizamos retamente os métodos naturais de contracepção porque não nos envergonhamos do Evangelho e, pela vivência da fé, aprendemos a ser confiantes e corajosos e assim somos capacitados para tomar as iniciativas necessárias para dar um rosto cada vez mais luminoso a nossa terra, a nossa sociedade e a nossa família”.

Aos cristãos que são empresários ou possuem cargos de liderança, em empresas públicas ou privadas, é dever de justiça denunciar todas as falcatruas ou corrupções, deixando claro que não nos envergonhamos do Evangelho. Às famílias cristãs cabe o zelo de acolher os anciãos, os doentes, as pessoas com necessidades especiais e todos os filhos enviados por Deus, esclarecendo os reais motivos, ou seja: como membros de uma família cristã, nós não nos envergonhamos do Evangelho. É tarefa de todos nós, independentemente de idade, condição social ou econômica, demonstrar com a nossa coerência e testemunho que “nós cremos no Amor que Deus tem por nós! ” (1Jo 4,16).

Viver um cristianismo com as diretrizes traçadas pelo nosso egoísmo é caminhar em direção ao nada, é viver uma vida sem sentido, correndo o sério risco de ouvir do próprio Cristo, no dia do julgamento particular, a seguinte censura: “Nunca vos conheci. Afastai-vos de mim, vós que fazeis obras de iniquidade”. (Mt 7,23). Por outro lado, quando vivemos em sintonia com a Pessoa de Cristo, abraçando o Evangelho sem reservas e eliminando qualquer manifestação de relativismo, professamos que devemos nos envergonhar do mal, do egoísmo, do pecado, da corrupção e dos atos de desamor, ou seja, devemos nos envergonhar de tudo aquilo que ofende a Deus e ao próximo.

A primeira e principal tentação de todo aquele que se propõe a seguir a Jesus Cristo são os respeitos humanos”. Cedemos aos respeitos humanos quando tememos que os outros nos critiquem, façam chacota de nós ou nos persigam com críticas mordazes porque seguimos o Evangelho de Cristo. Muitos, para evitar essas situações, preferem ficar calados, alheios ou indiferentes aos erros dos outros. E se esquecem de que, todas as vezes em que se calam, o inimigo de Jesus ganha terreno e espalha o joio da discórdia. É preferível ser repudiado pelo mundo do que ser repudiado por Deus. O repúdio do mundo perante a nossa veemente defesa dos valores evangélicos é sinal claro de que estamos sendo fiéis ao projeto de Cristo.

No itinerário da vivência da fé e da santidade, se não cuidamos da formação contínua e da nossa oração, podemos sofrer as tentações do desânimo e da resignação que atingem, principalmente, quem é fraco na fé, quem ainda não sabe diferenciar o mal do bem ou imagina que, diante do mal, nada podemos fazer. No entanto, a história de vida de inúmeros santos é a feliz comprovação de que, quem está solidamente enraizado em Cristo, tem plena confiança em Deus e sabe que o mal, o pecado e o inimigo de Deus já foram vencidos.

Vale a pena relembrar, exaustivamente, que se é difícil viver o Cristianismo, mais difícil ainda é viver sem a presença de Cristo em nossas vidas. E a cada novo ano, ou cada mês, de novo, é necessário se responder aos questionamentos de “Que espécie de amor é o nosso se tememos que Cristo venha? Nós o amamos, e temos medo que venha? Mas, o amamos de verdade? Ou não amamos, por acaso, os nossos pecados mais do que a Cristo? ”.

Que saibamos responder com a voz do coração: Somos cristãos porque somos parte do Corpo de Cristo; somos cristãos porque professamos com nossas vidas, gestos e palavras, que não nos envergonhamos do Evangelho de Cristo. E com naturalidade, ao se vivermos o Cristianismo, sigamos sempre a orientação de que nos diz: “Que a tua vida não seja uma vida estéril. Sê útil. Deixa rasto. Ilumina com o resplendor da tua fé e do teu amor. Apaga, com a tua vida de apóstolo, o rasto viscoso e sujo que deixaram os semeadores impuros do ódio. E incendeia todos os caminhos da terra com o fogo de Cristo que levas no coração”. 

segunda-feira, 18 de abril de 2022

 


CADVPR Deuteronômio 30

30.1-20 — Esta seção aborda a escolha da vida ou da morte, da bênção ou da maldição, de Deus ou de si mesmo. Em seu último discurso, Moisés advertiu o povo com perspectivas proféticas acerca da natureza de Israel (rebeldia), da compaixão de Deus e de Sua nova atitude graciosa, bem como da responsabilidade da nação.

30.1 — A afirmação sobrevindo-te todas estas coisas faz referência às bênçãos e maldições detalhadas no capítulo 28, sobretudo às últimas. Deus permitiu que Moisés visse o futuro de apostasia de Israel e a dispersão das pessoas por entre as nações provocada por Ele. Essas palavras devem ter perturbado terrivelmente os israelitas porque foram ditas na véspera da conquista da Terra Prometida.

Deuteronômio 30:1. Quando te sobrevierem todas estas coisas, a bênção ou a maldição, que pus diante de ti, e te recordares delas entre todas as nações para onde o Senhor teu Deus te houver lançado,

30.2-6 — Moisés não só previu o futuro de apostasia e o cativeiro de Israel, como também o arrependimento do povo e o retorno à terra (ver Esdras). Estes versículos também demonstram a expectativa quanto ao cumprimento das palavras do Senhor no porvir.

Deuteronômio 30:2. e te converteres ao Senhor teu Deus, e obedeceres à sua voz conforme tudo o que eu te ordeno hoje, tu e teus filhos, de todo o teu coração e de toda a tua alma,

30.6 — Circuncidará o teu coração. O próprio Deus agiria no coração das pessoas a fim de que elas o amassem (Dt 10.16). O Senhor estenderia os benefícios de suas ações à semente de Seu povo. Ele criaria uma comunidade de fé que o adoraria de geração em geração.

O Altíssimo sempre teve a intenção de que os israelitas lhe respondessem com toda a essência de seu ser, ou seja, com todo o coração e com toda a alma. Símbolos externos, como a circuncisão, tinham o objetivo de representar marcas impressas divinamente no interior do homem.

Deuteronômio 30:6. Também o Senhor teu Deus circuncidará o teu coração, e o coração de tua descendência, a fim de que ames ao Senhor teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma, para que vivas.

30.7 — Deus não abandonou o princípio da retribuição e punição das nações (e dos indivíduos), baseado no tratamento que estas dispensavam ao povo da aliança (compare com Gn 12.3; 2 Ts 1.5- 10). Ele revidaria as atitudes dos inimigos de Israel.

Deuteronômio 30:7. E o Senhor teu Deus porá todas estas maldições sobre os teus inimigos, sobre aqueles que te tiverem odiado e perseguido.

30.8,9 — O Antigo Testamento tende a focar na desobediência do povo de Deus à Sua revelação. Contudo, houve períodos em que a nação de Israel demonstrou fidelidade ao Senhor. Além disso, sempre existiram aqueles que foram tementes a Ele. 

Deuteronômio 30:8. Tu te tornarás, pois, e obedecerás à voz do Senhor, e observarás todos os seus mandamentos que eu hoje te ordeno.

Deuteronômio 30:9. Então o Senhor teu Deus te fará prosperar grandemente em todas as obras das tuas mãos, no fruto do teu ventre, e no fruto dos teus animais, e no fruto do teu solo; porquanto o Senhor tornará a alegrar-se em ti para te fazer bem, como se alegrou em teus pais;


30.10 — Este livro da lei é o livro de Deuteronômio (Dt 31.24,26). A bênção de Deus chegaria para aqueles que obedecessem a tudo o que estivesse escrito nele.

Deuteronômio 30:1010. quando obedeceres à voz do Senhor teu Deus, guardando os seus mandamentos e os seus estatutos, escritos neste livro da lei; quando te converteres ao Senhor teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma.

CADVPR Mulheres que ajudaram Jesus


A mulher sempre teve um papel importante na expansão do Reino de Deus.

Lucas 8:1-3.

1 — E aconteceu, depois disso, que andava de cidade em cidade e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do Reino de Deus; e os doze iam com ele,
2 — e também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios;
3 — e Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, e Suzana, e muitas outras que o serviam com suas fazendas.

Ao longo dos séculos, em muitos lugares, as mulheres foram tratadas como objetos e estiveram à margem da sociedade. As mulheres ainda são, em algumas culturas, consideradas seres inferiores e por isso são discriminadas. Na cultura oriental, a qual pertenceu Jesus de Nazaré, era assim também que se enxergava as mulheres.
Um dos fatos que fica logo patente no Evangelho de Lucas é o tratamento que Jesus dispensou às mulheres. Essas mulheres esquecidas, discriminadas e maltratadas encontraram no Mestre a manifestação do amor de Deus. A forma que elas encontraram para retribuir foi segui-lo e servi-lo com seus bens. Um exemplo a todos aqueles que querem também agradar a Deus.

I. JESUS, O JUDAÍSMO E AS MULHERES

  1. A presença feminina no ministério de Jesus. O Novo Testamento dá amplo destaque à presença feminina no ministério de Jesus. O terceiro Evangelho põe essa realidade em relevo. A lista é extensa: Maria, mãe de Jesus; Isabel, mãe de João, o Batista; Ana, a profetisa; a viúva de Naim; a pecadora na casa de Simão; Marta e Maria de Betânia; Maria Madalena; a sogra de Pedro; a mulher do fluxo de sangue; a mulher encurvada; Joana, a mulher de Cuza, e Suzana. Algumas dessas mulheres foram curadas, outras libertas de demônios e ainda outras tornaram-se seguidoras de Jesus juntamente com os Doze.
  2. Jesus valorizou as mulheres. Causa admiração quando fazemos um contraste entre o tratamento dado às mulheres no Novo Testamento e aquele que era praticado no judaísmo do tempo de Jesus. No judaísmo do primeiro século, a mulher não participava da vida pública. Nem mesmo lhe era permitido aparecer em público descoberta, sendo dessa forma impossível ver a sua fisionomia. Não tinha voz nem rosto. A mulher era, portanto, tida como objeto, uma coisa que poderia ser usada e descartada. Ao contrário de tudo isso, Jesus não tratou as mulheres como coisa ou objeto. Ele as tratou como gente! Jesus mostrou que a mulher era um ser especial para Deus e fez com que elas se sentissem assim. Não são poucas as passagens do Novo Testamento que dão destaque às mulheres, e o Evangelho de Lucas não foge a essa regra (Lc 1.13,42; 7.48; 8.2,43; 13.12; 16.18; 23.27)

  3. III. MULHERES COM DISPOSIÇÃO PARA SERVIR

    1. Mulheres servas. Logo após ser curada por Jesus de uma febre muito alta, a sogra de Pedro se levantou e passou a servi-lo (Lc 4.39). O verbo “servir” é a tradução do vocábulo grego diakoneo. As mulheres aparecem com frequência no Evangelho de Lucas a serviço do Mestre. Maria Madalena se destacou das demais. Ela foi a primeira mulher mencionada em Lucas 8.1-3 e aparece de forma destacada nos Evangelhos de Mateus, Marcos e João. Ela foi uma das mulheres que mais tarde presenciaram a crucificação (Mt 27.55,56; Mc 15.40; Jo 19.25); viram onde o corpo de Jesus foi colocado (Mt 27.61; Mc 15.47; Lc 23.55); e saíram no raiar do domingo para ungir o corpo do Senhor (Mt 28.1; Mc 16.1; Lc 24.10). Além disso, ela iria ser a primeira pessoa a quem o Cristo ressurreto apareceria (Jo 20.1-18).
    2. Mulheres abnegadas. O Evangelho de Lucas revela que Jesus teve em seu ministério a ajuda de mulheres abnegadas (Lc 7.36-50). O evangelista mostra Jesus sendo ungido por uma mulher tida como pecadora na casa de Simão, um dos fariseus. Essa mulher, visivelmente emocionada, usou o unguento que levou em um vaso de alabastro para ungir Jesus enquanto beijava-lhe os pés. O Evangelho de João mostra um fato semelhante ocorrido com Maria de Betânia, que não deve ser confundido com o relato de Lucas (Jo 12.1-8). No texto de João, é destacado que Maria de Betânia também preferiu derramar sobre os pés de Jesus o perfume do vaso do que usá-lo em benefício próprio. Esse seu gesto sofreu duras críticas de Judas Iscariotes, que estava de olho nos trezentos denários que esse unguento poderia render. Ela considerou muito mais valioso o perdão que o Salvador lhe deu do que os ganhos que esse perfume poderia lhe trazer.

IV. MULHERES COM DISPOSIÇÃO PARA OFERTAR

  1. O trabalho rabínico. Lucas registra que Jesus “andava de cidade em cidade e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do Reino de Deus; e os doze iam com ele” (Lc 8.1). A dedicação de Jesus e seus doze discípulos ao ministério da Palavra era exclusiva. Como se dava, então, a manutenção desse ministério? Jesus orientou seus discípulos quando estivessem em missão a que “ficassem na mesma casa, comendo e bebendo do que eles tiverem, pois digno é o obreiro de seu salário. Não andeis de casa em casa” (Lc 10.7).
    O trabalhador era digno de seu salário. Um rabino não podia receber pagamento pelo que ensinava, mas a cultura hebraica considerava uma obrigação e um privilégio sustentar um rabino. Há um princípio válido aqui — o obreiro não deve ter valores materiais como a motivação do seu ministério. Por outro lado, aqueles que se beneficiam desse ministério, devem ajudá-lo em sua manutenção.
  2. Apoio feminino. Na cultura judaica do tempo de Jesus, a participação das mulheres na vida pública era bem limitada. As mulheres, por exemplo, não podiam estudar e não podiam ensinar. Mas nem por isso deixaram de participar do ministério do Mestre. Lucas diz que elas serviam o Senhor com suas fazendas, isto é, com seus bens (Lc 8.3). Enquanto Jesus e seus doze apóstolos se dedicavam ao ministério da Palavra, essas mulheres lhes davam suporte financeiro e material. Por trás de grandes ministérios, sempre há alguém dando suporte, seja financeiro, seja, espiritual. Não podemos negar que atualmente as mulheres têm desempenhado um papel importante na obra do Senhor. Muitas têm se dedicado à oração, ao serviço social, à contribuição, à obra missionária, etc. Grande parte da obra missionária é feita por mulheres. São milhares de servas que dedicam suas vidas à seara do Senhor. O serviço de Deus é para todos que amam ao Senhor, independentemente de gênero.

No judaísmo do tempo de Jesus, conversar com uma mulher era considerado um ato vergonhoso (Jo 4.27). Mas Jesus conversou, ensinou, curou, libertou e valorizou as mulheres como homem algum jamais o fez. Lucas nos mostra que as mulheres tiveram uma participação expressiva na implantação do Reino de Deus. Graças a Deus pelo trabalho das mulheres na Seara do Senhor.

quinta-feira, 14 de abril de 2022

 nabucodonossor

CADVPR Nabucodonosor II (630-561 a. C.) foi rei da Babilônia entre 605 e 561 a. C. Lutou contra os egípcios pela posse da Síria e da Palestina. Por diversas vezes sitiou Jerusalém conduzindo os judeus ao cativeiro da Babilônia. Submeteu os fenícios depois de uma guerra de 13 anos.

Nabucodonosor II nasceu na Babilônia, cidade que ficava situada ao sul da região da Mesopotâmia, às margens do rio Eufrates, na região do atual Iraque. (Em meados do século XIX começaram as escavações arqueológicas nas ruínas da Babilônia).

Nabucodonosor era filho mais velho e herdeiro de Nabopolassar, o fundador da "dinastia caldeia" do novo império babilônico. Os dados biográficos de Nabucodonosor decorrem de inscrições cuneiformes, de referências bíblicas e de textos de autores clássicos.

Em 612, auxiliado pelos medos, Nabopolassar venceu os assírios, povo que dominava grande parte da Mesopotâmia, e tomou a capital Nínive.

Império Babilônico

A partir de então, começou o capítulo mais importante da história da Mesopotâmia: nasceu o “Império Caldeu”, também chamado de “Segundo Império Babilônico”.

Entre 607 e 605 a. C., o príncipe herdeiro comandou as tropas no norte da Assíria e iniciou a expulsão do povo egípcios que ocupavam o norte da Mesopotâmia.

Porém, com a morte do rei, em 605 a. C., Nabucodonosor voltou para a Babilônia e logo se fez coroar rei do “Império Babilônico”, como Nabucodonosor II.

Sem perder tempo, com o objetivo de conquistar o que pudesse, o rei organizou o exército e partiu para sua missão. Os primeiros a cair foram os povos egípcios instalados no norte da Mesopotâmia, em pequenos Estados. Os assírios que ainda viviam na região caíram logo a seguir.

A queda de Tiro colocou a esquadra fenícia nas mãos de Nabucodonosor, que dela se serviu para atacar o Egito, que foi salvo pela intervenção de mercenários gregos.

Conquista de Jerusalém

A Bíblia conta, no Livro dos Reis, a história que se passou em 596 a. C.: “a conquista do reino de Jerusalém” pelo exército de Nabucodonosor:

“No nono ano do reinado de Sedequias, no décimo dia do décimo mês, Nabucodonosor, rei da Babilônia, avançou com toda a sua armada contra Jerusalém. A cidade ficou sitiada até o undécimo ano do Rei Sedequias. No nono dia do quarto mês, como a fome fosse grande na cidade, não havendo mais pão para o povo do país, abriram uma brecha na muralha da cidade e todos os soldados fugiram à noite pela porta entre os dois muros, junto ao jardim do rei, enquanto os caldeus ainda cercavam a cidade...”.

A Bíblia conta também sobre a destruição da cidade e do Templo e do “cativeiro da Babilônia”, para onde foi levado o povo judeu. Para o povo de Jerusalém, era o exílio e a escravidão, mas para Nabucodonosor era uma conquista a mais.

Para a História, uma ironia: conquistadores e conquistados, vencedores e oprimidos, ambos eram longínquos descendentes de um mesmo povo, o caldeu. Pois também caldeu era Abraão, o homem que segundo a Bíblia, deixou sua terra de origem, tomou o rumo oeste e se fixou na região que viria a ser a Judéia.

Ao todo, foram 30 anos de guerras contínuas, mas Nabucodonosor cumprira seu objetivo e podia então considerar-se o mais poderoso soberano do Oriente.

A reconstrução da Babilônia

Nabucodonosor fez de sua capital a cidade mais rica do Oriente. Ordenou que todas as pedras do calçamento recebessem a seguinte inscrição: “Nabucodonosor, rei da Babilônia, sou eu”.

Entrava-se na Babilônia por diversas portas, entre elas, a magnífica porta de Ishtar, nome da deusa do Amor, protetora da cidade. Inteiramente feita de tijolos pintados de azul era decorada com frisos de touros e leões.



O rei completou as duas fortificações iniciadas por seu pai, construiu um terceiro muro ao redor da cidade e cavou fossos para eles. Ergueu templos maravilhosos, com estátuas de ouro maciço, edifícios grandiosos e um palácio luxuoso.

Os jardins suspensos da Babilônia

Conta-se que Nabucodonosor casou com uma princesa da Média, região montanhosa que contrastava com as planícies mesopotâmicas e, para amenizar a saudade que a rainha Semíramis sentia da paisagem de sua terra, mandou construir jardins suspensos que simulavam colinas.

Religião

Nabucodonosor acreditava em um deus supremo chamado "Marduk" e mandou restaurar o "Esagil", templo no qual o deus Marduk reina no meio da assembleia dos deuses da Babilônia, da qual é o soberano.

Mandou construir um gigantesco zigurate, uma torre de sete andares dedicada a Marduk. No alto da torre, mandou edificar um santuário consagrado a seu deus, ali representado por uma estátua de ouro, cujo brilho permitia vê-la a quilômetros de distância.

Conta-se que Nabucodonosor II mandava atirar em um forno, aquele que não se prostrasse ante a estátua do rei.

Morte

Em linguagem figurada, conta a Bíblia que nos últimos anos de vida o rei babilônico ficou demente e comia grama. E louco morreu.

Nabucodonosor II faleceu na Babilônia em 561 a. C. e foi sucedido por seu filho Awil-Marduk.

 

CADVPR Salomão Rei de Israel

Salomão foi rei de Israel entre os anos 970 e 930 a. C. A sua grande obra foi a edificação do primeiro Templo de Jerusalém.

Salomão, cujo nome vem do hebraico “Chalom” (paz), era filho de Batsabéia e Davi que reinou durante quarenta anos as doze tribos que formavam o povo hebreu e que se reuniram na região da Palestina.

Os fatos de sua vida estão narrados em livros bíblicos, como em I Reis e II Crônicas.

Rei de Israel

Depois da morte de Davi, seu filho Salomão subiu ao trono com apenas 20 anos de idade, ungido rei pelo sumo-sacerdote. Apesar de sua juventude, era um sábio conhecido e respeitado em todo o reino.

Diz a Bíblia que “seu coração era cheio de sabedoria”. Que Deus concedeu a Salomão sabedoria e inteligência extraordinárias.

Salomão herdou de seu pai um extenso reino que ia do Rio Eufrates, até a fronteira egípcia. Jerusalém, situada na montanha central do país, que havia sido conquistada por Davi, era a capital de seu reino.

Salomão criou uma administração unitária. Na desértica região do Neguev organizou a exploração de uma mina de cobre (suas ruínas foram encontradas por arqueólogos).

Na margem do Mar Morto, explorava a existência de sal. Promoveu o comércio de cavalos entre Cilícia e o Egito, introduziu no exército os carros puxados a cavalos e estabeleceu uma rede de transportes.

No golfo de Akaba, Salomão construiu o porto Asion-Gueber, próximo de Elat, para comerciar com a Arábia, Etiópia e mesmo com a Índia, que segundo alguns historiadores, o nome bíblico Ofir, corresponde àquele país asiático.

Alguns arqueólogos encontraram ruínas do porto de Salomão na costa do golfo de Akaba, conforme diz a Bíblia, que dá a Israel de hoje o acesso marítimo à África e à Ásia.

Pouco a pouco a riqueza de Salomão aumentava. Tinha enorme palácio em Jerusalém e residência de verão nas montanhas do Líbano.

Seu trono era de marfim, revestido de ouro puríssimo. “Todos os copos de Salomão eram dourados” diz a Bíblia.

De acordo com os costumes da época, mas também por conveniência política, Salomão desposou filhas de príncipes moabitas, edomitas, hititas e de outros povos que carcavam Judá e Israel.

Salomão, que reinou entre 970 e 930 a.C.,de acordo com o livro dos Reis, chegou a ter 700 esposas princesas e 300 concubinas.

Salomão e sua sabedoria

Apesar de jovem, Salomão era um sábio conhecido e respeitado por toda a região. Até de terras mais distantes vinham nobres e príncipes em busca do conselho de Salomão.

Diz a Bíblia que, de fato, pronunciou 3 mil sentenças. E que ele tratava com a mesma igualdade os seus súditos e os estrangeiros, os ricos e os pobres, os que louvavam a Javé – Deus onipresente dos judeus.

Entre as visitas famosas, conta-se a da Rainha de Sabá. Supõem os historiadores que ela reinava uma região africana nas margens do mar Vermelho.

Os etíopes acreditam que seus imperadores nasceram dos descendentes de Salomão e da Rainha de Sabá.

São estimados em 1 005 os cânticos escritos pelo rei Salomão. Acredita-se que é de sua autoria os livros bíblicos Eclesiastes, Provérbios e  “Cântico dos Cânticos”, além do "Salmo 127".

Mas só existe certeza quanto aos provérbios, que foram recolhidos pela tradição judaica em um livro depois canonizado como parte do Antigo Testamento.

Foram reunidos em 31 capítulos que contêm 850 versículos, todos louvando o entendimento entre os homens, a justiça, a piedade, a sabedoria e o amor. Entre eles:

  • “Com sabedoria se edifica um lar, com a inteligência ele se firma”.
  • "Não te alegres quando o teu inimigo, nem te regozijes quando tropeçar”.
  • “Quando os justos se elevam, o povo se alegra, mas quando o ímpio domina, o povo suspira”.

O Templo de Salomão

Até então, não existia nenhum lugar especial para cultuar o Deus. Os hebreus consideravam que qualquer lugar era bom para fazer preces. Mas Salomão, após ter consolidado o poder, decidiu construir o Templo de Jerusalém, depois chamado de "Templo de Salomão"

Os mestres vinham de Tiro. O rei Hirã enviou-lhe arquitetos fenícios, cedro e cipreste, em troca de trigo e óleo bruto.

A obra deve ter começado em 959 a. C. e terminou sete anos depois. O edifício era um complexo de recintos e pórticos.

Seu teto e suas paredes eram revestidos de cedro. Havia frisos de ouro, candelabros, vasos, altos e baixos decoravam o interior. Essa é a descrição da Bíblia.

Morte

Salomão faleceu em Jerusalém, provavelmente em 930 a.C. Após sua morte, a Palestina se dividiu em dois reinos. Dessa cisão, veio o enfraquecimento do povo hebreu, a perda do seu território e a dispersão do seu povo.

O Templo de Salomão foi destruído cinco séculos mais tarde pelos invasores babilônicos. Reconstruído, foi arrasado novamente, no ano 70 da era cristã, pelas legiões romanas. Dele sobrou, até nossos dias, apenas uma muralha, que os judeus veneram e chamam de “Muro das Lamentações”.

quarta-feira, 13 de abril de 2022


 CADVPR O nome e o significado da palavra "páscoa"

O nome que a Bíblia Hebraica usa para denominar "páscoa" é pesah. Com a palavra pesah o texto bíblico quer significar duas coisas:

  • o ritual ou celebração da primeira festa do antigo calendário bíblico (Ex 12.11,27,43,48);
  •  a vítima do sacrifício, isto é, o cordeiro pascal (Ex 12.21; Dt 16.2,5-6).

Na Bíblia, o nome de uma pessoa ou instituição é sempre um dado importante para se conhecer o que eles são e o que representam. O nome não é um simples rótulo, uma etiqueta ou uma fachada publicitária, mas ele exprime a realidade do ser que o carrega e representa. Assim é o nome "páscoa".

O substantivo pesah/páscoa vem da raiz verbal psh que aparece três vezes nos relatos pascais (Ex 12.13,23,27; ler também Is 31.5; 1 Rs 18.21,26). Assim, o verbo pasah passar por cima, saltar por cima é o significado que prevalece nos usos deste termo pelos escritores e escritoras da Bíblia. O Prof. Luiz Roberto Alves assim definiu o termo pesah/ páscoa:

"O verbo que dá base ao substantivo pesah tem o sentido de salto, movimento,
 caminhada, travessia. Todas as palavras têm história e essa história corresponde às
 ações dos homens e mulheres. Os hebreus juntaram à idéia do pesah vários
 acontecimentos ligados à idéia de travessia" (Expositor Cristão, 2a. Quinzena, 1984,p. 12).

A origem da Páscoa

Falar de origem da Páscoa é entrar no campo das suposições, pois não há dados suficientes que ajudam a esclarecer sobre essa celebração no período pré-mosaico. Todavia, os textos do Antigo Testamento fornecem indicações que a Páscoa, em suas origens, foi um ritual ou cerimônia que incluía as seguintes características:

a) O ritual era realizado no seio da família ou clã; não tinha altares, santuários e sacerdotes ou qualquer influência do culto oficial;

b) Era celebrado por pastores nômades ou seminômades;

c) O ato central desse ritual era o sacrifício de um jovem animal do rebanho de cabras ovelhas;

d) A cerimônia ocorria no fim da primavera e início do verão (mês de abril), numa noite de lua cheia;

e) O ritual da celebração pascal incluía as seguintes etapas:
- Retirava-se o sangue do animal,
- Ungia a entrada das cabanas com o sangue do animal,
- Assava a carne do animal,
- Com a carne assada, fazia um grande banquete para a família reunida,
- O banquete oferecido incluía a presença de pães ázimos ou asmos, ervas amargas nascidas no deserto,
- A celebração da Páscoa exigia dos participantes desse ritual as seguintes
posturas:

Ter uma atitude de marcha e pressa,
Usar vestimenta para viagem,
Ter as vestes amarradas na cintura,
Atar as sandálias nos pés,
Ter o cajado de pastor na mão.

f) Parece que o objetivo dessa cerimônia era pedir proteção divina, para a família e o seu rebanho de animais menores contra o exterminador (no hebraico, maxehit - Ex 12.13, 23) ou saqueador, bando de destruição (1 Sm 13.17; 14.15; Pr 18.9). O exterminador maxehit pode ser qualquer tipo de agressor, desgraça, enfermidade, peste ou acidente que poderia ocorrer com qualquer membro da família ou os seus animais.

g) Provavelmente, esse ritual foi celebrado por Abraão, Isaac e Jacó, pois eles eram pastores. A cada ano, na primavera, quando o vento quente do deserto, anunciando o verão, atingia e queimava as parcas pastagens das ovelhas, os pastores, suas famílias, bem como os seus rebanhos eram obrigados a buscar outros lugares para dar de comer as suas ovelhas.

A Páscoa celebrada pelos israelitas: da sedentarização até o início da Monarquia (1200 - 1040 a.C.).

Evidentemente que o sistema de vida dos israelitas mudou substancialmente após a chegada a Canaã.

a) O povo israelita deixou de ser semi-nômade e deu início ao processo de sedentarização. Paulatinamente, o povo foi se tornando agricultor, embora parte dele continuou na vida pastoril, especialmente, as clãs que permaneceram vivendo nas localidades periféricas do território da terra de Israel.

b) Ao se fixar nas terras agrícolas, os israelitas aproximaram-se dos cananeus. Foi aí que o povo do êxodo conheceu algumas festas relacionadas ao mundo agrícola. Entre essas instituições estão as festas agrícolas, como Ázimos, Semanas e Colheitas.

c)Foi nesse período de difícil adaptação que se dá a integração da Festa dos Pães Ázimos e a Páscoa. As duas celebrações ocorriam no mesmo período.

d) No período entre a chegada do povo israelita à Canaã e a sedentarização ocorreu uma profunda transformação no significado da Páscoa.

  • O conteúdo e a forma da cerimônia da primitiva da Páscoa já não respondem as condições de vida atuais do povo israelita. Exigiam-se modificações.
  • Apesar da Páscoa manter boa parte de seu antigo ritual, o povo israelita procurou encontrar outros motivos para a celebração.
  • A cerimônia continuou a ser celebrada em família, mas a Páscoa deixou de ser um ritual ligado à troca de favores divinos, para tornar-se uma memória da ação de Deus, salvando o povo hebreu da escravidão.

e) O mais primitivo ritual da Páscoa encontra-se em Êxodo 12.21-28.

Estudo Bíblico: Ex 12.21-28
I. Instrução de Javé para Moisés e Aarão - v. 21-27a.
1. Introdução: Moisés convocou todos os anciãos de Israel e disse-lhes:
2. A instrução para a missão de Moisés e Aarão - v. 21b-27a.
2.1. Instruções para a Páscoa - v. 21b-22

Tirai,
Tomai um animal do rebanho segundo as vossas famílias e
Imolai a Páscoa.
Tomai alguns ramos de hissopo,
Molhai-o no sangue que estiver na bacia, e
Marcai a travessa da porta e
os seus marcos com o sangue que estiver na bacia;
Nenhum de vós saia da porta de casa até pela manhã

2 - Razão para celebrar a Páscoa - v. 23
e Javé passará para ferir os egípcios;
e quando Ele vir o sangue sobre a travessa,
e sobre os dois marcos,
Ele passará adiante dessa porta,
e Ele não permitirá que o exterminador entre em vossas casas para vos ferir.

3 - Ordem para a celebração da Páscoa - v. 24-25
Observareis esta determinação como um decreto para vós
e para vossos filhos, para sempre.
Quando tiverdes entrado na terra que Javé vós dará, como disse,
Observareis este rito.

4 - Explicação sobre a festa e o significado no nome ´páscoa` - v. 26-27a.
Quando vossos filhos vos perguntarem: "Que rito é este?"
Respondereis:
"É o sacrifício da Páscoa para Javé
que passou adiante das casas dos filho
Então o povo se ajoelhou
e se prostrou.
Foram-se os filhos de Israel
e fizeram isso, como Javé ordenara a Moisés e a Aarão,
assim fizeram.

Comentando:

A forma literária com a qual este ritual foi elaborado é perfeita.

Primeiro, o texto mostra Moisés convocando os anciãos do povo, a mando de Javé (conforme Ex 12.1), para preparar a festa da Páscoa (v. 21b-22).

Segundo, Moisés instrui, com detalhes, os anciãos para preparar os elementos que comporiam o ritual (v.21b-22).

Terceiro, Moisés fornece as razões para aquele ritual, bem como o uso do sangue de uma ovelha e o hissopo (planta aromática - Nm 19.6; Sl 51.9): o motivo da festa é afugentar o medo do vento exterminador que ameaça as casas do povo hebreu (v. 23).

Quarto, a ordem para celebrar a Páscoa tem uma dimensão profética. A Páscoa vai além da contagem do tempo humano, cronológico. A celebração não encerra um simples agradecimento, pela libertação da escravidão e a concessão da terra para morar, criar a família e plantar para obter o alimento. A celebração possui a dimensão profética da contínua presença salvadora de Deus junto ao seu povo. Jesus captou essa amplitude da celebração quando disse: "Fazei isso em memória de mim... até que Ele venha" (1 Co 11.24b e 26b).

Quinto: os versos 26-27a providenciam a explicação do nome "Páscoa" para as gerações e gerações de salvos da escravidão. Com isso, o texto bíblico quer mostrar que essa celebração da Páscoa possui uma novidade. Ela não é mais dominada pelo medo do Faraó ou dos outros possíveis "exterminadores" que possam haver nos caminhos do povo de Deus. A celebração da Páscoa, do povo liberto e instalado na terra de Canaã, passa a ser marcada pela alegria e certeza da presença de Deus entre o povo liberto e salvo.

Sexto: os versos 27b-28 assinalam o cumprimento da ordem divina para celebrar a Páscoa.

Observações

(1) A prescrição sobre a celebração da Páscoa (Ex 12.21-28) é legitimada pelo editor do livro de Êxodo. Assim, o cabeçalho deste capítulo (Ex 12.1) afirma que a prescrição da Páscoa (12.21-28) é autorizada por Javé. Eis a sua lógica:

    Javé comunica a Moisés e Aarão;
    Moisés e Aarão ouvem as ordens de Javé;
    Moisés e Aarão obedecem e comunicam aos anciãos de Israel.

(2) A celebração continuava a ser celebrada em família. A Bíblia ensina que a família constitui o fundamento para o projeto de sociedade que Deus propõe para a humanidade.

(3) Foram mantidos vários elementos na celebração: ovelhas e ramos de hissopo (erva aromática). Evidentemente que houve algumas modificações, em razão da nova situação de vida do povo, agora, vivendo em Canaã.

(4) Todavia, a antiga Páscoa foi "relida" e "re-significada". O antigo culto dos pastores semi-nômades possuía a função de controlar as forças da natureza. Por exemplo, os povos anteriores aos hebreus acreditavam que oferecendo em sacrifício o filho primogênito, poderia controlar a bênção e a ira divina. Como na cerimônia da primitiva páscoa, os pastores acreditavam que poderiam amenizar a ira divina do "vento destruidor".

(5) Na verdade, o povo bíblico tomou antigos costumes dos povos vizinhos e os converteu em instrumentos de preservação e ensino da fé. No caso da Páscoa, o povo bíblico tomou uma cerimônia pagã, que girava em torno de uma magia, e a transformou em um sinal da presença salvadora de Javé. Em outras palavras, a nova celebração da Páscoa mostra que a fé não é um dado doutrinário ou mágico, mas um gesto história de Javé.

IV - Da sedentarização do povo de Israel ao período monárquico.

Após os acontecimentos que envolveram a saída do Egito - a difícil caminhada pelos desertos, os muitos "sinais e maravilhas" realizados por Javé e o cumprimento da promessa de "uma terra que mana leite e mel" - o povo bíblico juntou à idéia da Páscoa aos acontecimentos acima descritos. A Páscoa dos nômades deixou de ser uma cerimônia mágica que procurava afugentar o medo do "exterminador", que se supunha estava próximo, para se tornar uma afirmação concreta da plena liberdade que Javé dá.

    Foi nesse momento que o povo bíblico tomou consciência que a sua fé em Javé não era uma formalidade a mais entre os povos do Antigo Oriente. Javé não é definido pelo seu ser, mas pela sua atuação na história: Ele ouviu o grito angustiado dos/as escravos/as do Egito e providenciou os meios para a libertação deles (Ex 3-4);
    A celebração da Páscoa, agora reformulada e "re-significada", passa afirmar que a fé bíblica é histórica, e que tem seu fundamento nos acontecimentos salvíficos relatados nos livros de Êxodo, Números e Deuteronômio, especialmente;

O outro ritual da Páscoa, relatado em Êxodo 12.1-14, provavelmente, representa a segunda forma litúrgica mais primitiva, entre todas incluídas no Antigo Testamento. Ao tornar-se sedentário, o povo de Israel mudou substancialmente seu sistema de vida:

    de escravos tornaram-se livres;
    de pastores tornaram-se agricultores;
    de semi-nômades tornaram-se sedentários.

A história da salvação do Egito não é ensinada, nas casas e nos cultos, como uma doutrina, mas como um fato histórico, isto é, um milagre de Deus ocorrido na história de seus pais;
    A fé em Javé, através da celebração da Páscoa, tornou-se uma força transformadora;

    do medo à coragem;
    da magia a atos concretos da atuação de Javé;
    da escravidão à liberdade.

    O nome da festa, pesah saltar - o saltar do vento destruidor, demoníaco - passa significar, em conexão com a história de libertação dos hebreus, passar por cima de, saltar para a liberdade;
    O sacrifício de um cordeiro deixa de ser um simples sacrifício de sangue para se tornar uma memória dos atos salvíficos de Javé. Por isso, a celebração da Páscoa passa a ser prescrita como "um Páscoa para Javé".

V - A Páscoa no período monárquico.

    Há silêncio sobre a celebração da Páscoa, exceto o profeta do Reino do Norte Oséias que critica o povo pela ausência da celebração Os 12 ).

VI - Da celebração caseira para a cerimônia no Templo de Jerusalém.

O rei Josias (642-609 antes de Cristo) empreendeu uma ampla reforma no Reino de Judá (O Reino de Israel já tinha sido destruído em 722 a.C.).

    Por determinação do rei Josias, a Páscoa passou a ser celebrada, oficialmente, no Templo, em Jerusalém (Dt 16.1-8);
    A reforma equipara a Páscoa a uma festa de peregrinação (ver a coleção "Salmos das Subidas" (Sl 120-134);
    O gado maior (boi ) passa a ser admitido como vítima para o sacrifício;
    Surgiu a permissão para cozer a vítima, em lugar de assá-la;
    A memória do êxodo do Egito continuou sendo o motivo principal da celebração.

VII - A Páscoa no exílio babilônico (598-537 anos antes de Cristo)

Durante o exílio na Babilônia, o povo exilado desenvolveu a esperança de que Javé poderia libertar, de novo, Israel. Este tema é muito abordado pelo profeta anônimo do exílio, cujas palavras foram editadas no livro de Isaías, capítulos 40 a 55.

    Desaparece a atividade cultual no Templo (destruído em 587 a.C.). Surge a Sinagoga e cresce a produção literária;
    Volta o sacrifício da rês menor (ovelhas e cabras);
    A celebração volta para a família e o ritual de sangue volta a ter o sentido de símbolo da defesa contra o "exterminador";
    Percebe-se pequenas variações na celebração:

    não jogar fora algumas partes do animal sacrificado;
    não quebrar os ossos do animal sacrificado;
    permissão para celebrar a Páscoa no 2o. mês para quem não pôde sacrificar no 1o. mês (Nm 9.1-14);
    passou a ser permitida a participação de estrangeiros.

    Começou aparecer uma distinção entre Páscoa e Ázimos, como celebrações distintas:

Festa dos Ázimos: nos dias 1 a 7 do primeiro mês do ano;

Festa da Páscoa: no dia 14 do mesmo mês.

VIII - Páscoa no período Grego

    Os livros de 1 e 2 Crônicas e Esdras indicam que a Páscoa preservou alguma cerimônia para o Templo, mas a refeição pascal foi mantida no templo;
    O gado maior foi readmitido como parte da cerimônia;
    A carne deve ser assada e não cozida;
    O leigo executa o ritual de sangue (2 Cr 30.21; 35.11);
    Páscoa e Ázimos voltam a integrarem-se;
    O levita passa a ter um papel relevante na celebração;
    A música passa a ser parte da celebração;
    O copo de vinho passa a ser parte da cerimônia;
    A Páscoa retornou ao Templo como parte do culto oficial, mas preservou-se a refeição para o ambiente familiar.

Resumindo

A Páscoa pré-mosaica é marcada pelo medo do exterminador maxehit. O ritual tinha algo de "magia" para afugentar os males. É bom lembrar que, nessa época, o povo sacrificava os primogênitos recém-nascidos para ganhar favores divinos (conforme Gn 22);

O povo bíblico tomou todos os costumes e práticas pagãs e os passou pelo crivo da fé javista. Tanto no sacrifício dos primogênitos (Gn 22), como no ritual da Páscoa, o povo bíblico converteu tais cerimônias às práticas e confissões de fé javistas. Em ambas situações, o medo prendia as pessoas e forçava-as a praticarem cerimônias inúteis e criminosas. Foi Javé quem abriu os olhos do povo bíblico. Este se tornou um missionário entre as nações para anunciar as boas novas: "Não temais! Eis que vos trago uma boa nova que será para todo o povo" (Lc 2.10). A Páscoa anuncia o fim do medo e, conseqüentemente, a confirmação da confiança em Deus.

A celebração da Páscoa não é uma cerimônia de nostalgia do passado; não é uma festa da saudade onde heróis e heroínas são lembrados/as por seus atos de valentia; também não é um ritual que procura romantizar o passado, lembrando e homenageando certas figuras da história.

Na Bíblia, dois verbos sobressaem-se: "lembrar" e "esquecer". Quando a Bíblia apela para que o povo lembre dos grandes atos de Javé (conforme Ex 13.3), ela está procurando construir o futuro da nação. A memória dos grandes atos salvíficos de Deus mobiliza a fé da sociedade e fortalece o povo para esperar as boas novas do Reino de Deus. Esquecer o que Deus fez e faz significa a tragédia da humanidade.

Celebrar a Páscoa é resgatar os atos salvíficos de Deus no passado, acreditando que Ele possa fazer o mesmo, entre nós, no dia de hoje. A memória do passado salvífico - seja da libertação no Egito, seja da vida e obra de Jesus Cristo - restaura as forças dos/as crentes celebrantes para o testemunho.

Na verdade, a memória carrega o sentido de redenção, seja dos atos salvíficos de Deus, através da história, bem como a redenção das causas justas do passado. Assim, a memória resgata tanto a vida e obra de Jesus como a luta dos pobres pela dignidade de viver. Pela memória, redimimos o desejo e a luta deles. Assim, se esquecermos os desafios do povo de Deus no Antigo Testamento, os ensinos de Jesus Cristo ou os anseios justos do povo fiel, pomos a perder o sentido desses projetos. A intenção da celebração da Páscoa afirmar que cada geração de celebrante tem o dever de pôr em prática os verdadeiros e justos projetos das gerações do passado.