segunda-feira, 6 de março de 2017


A promessa da terra

Uma das doutrinas mais populares e mais difundidas no mundo religioso hoje é chamada de Pré-milenarismo ou, às vezes, de Dispensacionalismo. Sua popularidade pode ser vista num livro recente que lida com uma fase da doutrina. Na sobrecapa desse livro diz que 40.000.000 de cópias foram vendidas. Embora há muitos lados para a doutrina, basicamente ela alega que entre a segunda vinda de Cristo e o fim do mundo haverá um reino literal de Cristo por 1.000 anos na terra em Jerusalém. Já que aquele período não ocorreu ainda, estamos vivendo no tempo antes de ocorrer, conseqüentemente pré-milenar. A palavra milenar vem do latim e significa um mil, assim a idéia de pré-milenarismo. Envolvido nisso é a idéia que Deus prometeu a Abraão, e principalmente aos seus descendentes (os judeus), a terra de Canaã (Palestina). Também alega que essa promessa nunca foi cumprida por inteiro e que será cumprida no futuro.
Vamos considerar as promessas a Abraão. Basicamente há três: 1. Terra, 2. Uma nação de descendentes numerosos, 3. Promessa espiritual ou de descendência. A promessa da terra está em Gênesis 12. Esse capítulo conta do chamado de Deus para Abraão deixar seu país e parentes e ir a uma terra que Deus lhe mostraria. Em obediência a este, Abraão foi à terra de Canaã (12:5). Aqui Deus disse a Abraão, “Darei à tua descendência esta terra” (12:7). Depois a promessa estendeu-se em Gênesis 15:18-21 onde Deus disse a Abraão “À tua descendência dei esta terra, desde o rio do Egito até ao grande rio Eufrates”. A segunda parte da promessa, descendentes numerosos, é encontrada no 13:16 onde Deus disse a Abraão, “Farei a tua descendência como o pó da terra” e “como as estrelas dos céus” (15:5). A promessa de descendência “espiritual” encontra-se no 22:18, “nela [na sua descendência] serão benditas todas as nações da terra, porquanto obedeceste à minha voz”. Estas promessas são muito importantes. Na verdade, o resto da Bíblia se desenvolve nelas; o Velho Testamento nas primeiras duas e o Novo Testamento na terceira.
Alegam que estas promessas nunca foram cumpridas, mas isso é uma alegação falsa. O cumprimento da promessa de terra pode ser visto quando os israelitas entraram na terra de Canaã após o êxodo de Egito e quarenta anos no deserto. Em Josué 1:4-6 Deus assegurou aos israelitas que ele daria a eles “a terra que, sob juramento, prometi dar a seus pais”. Após sua entrada na terra, a Bíblia diz, “Desta maneira, deu o SENHOR a Israel toda a terra que jurara dar a seus pais; e a possuíram e habitaram nela. O SENHOR lhes deu repouso em redor, segundo tudo quanto jurara a seus pais; nenhum de todos os seus inimigos resistiu diante deles; a todos eles o SENHOR lhes entregou nas mãos. Nenhuma promessa falhou de todas as boas palavras que o SENHOR falara à casa de Israel; tudo se cumpriu” (Josué 21:43-45).
Além disso, pode ser visto que depois a “promessa estendida de terra” de Gênesis 15:18-21 se cumpriu nos dias de Salomão. 1 Reis 4:21 diz: “Dominava Salomão sobre todos os reinos desde o Eufrates até à terra dos filisteus e até à fronteira do Egito; os quais pagavam tributo e serviram a Salomão todos os dias da sua vida”. Veja também o versículo 24.
Depois em Neemias 9:7-37 há uma história breve e resumida do procedimento de Deus com Israel. Nos versículos 7-8 achamos a seguinte afirmação, “Tu és o SENHOR, o Deus que elegeste Abrão, e o tiraste de Ur dos caldeus, e lhe puseste por nome Abraão. Achaste o seu coração fiel perante ti e com ele fizeste aliança, para dares à sua descendência a terra dos cananeus, dos heteus, dos amorreus, dos ferezeus, dos jebuseus e dos girgaseus; e cumpriste as tuas promessas, porquanto és justo”.

A promessa da terra (2)

No artigo anterior a este, enfatizei a importância das promessas que Deus fez a Abraão. Basicamente, são três: 1. A terra de Canaã (Gênesis 12:7), que depois se estendeu a incluir toda a terra desde o rio do Egito até ao grande rio Eufrates (Gênesis 15:18); 2. Descendência numerosa (Gênesis 15:5); e 3. Na descendência de Abraão todas as famílias da terra seriam abençoadas (Gênesis 22:18).
Deve ser enfatizado que, em resposta à pergunta de Abraão, Deus garantiu que o cumprimento da promessa da terra não seria para Abraão pessoalmente. Certamente, ele morreria (Gênesis 15:15), e seus descendentes receberiam a terra após ficar na escravidão no Egito por 400 anos (Gênesis 15:13). Assim foi depois de 400 anos que Moisés levou os israelitas fora do Egito em direção à terra prometida (Êxodo 12:40-41; Atos 7:17). Após uma passagem de 40 anos no deserto, os israelitas, sob a liderança de Josué, entraram na terra prometida. E, antes da morte de Josué, Deus enfatizou que “deu o SENHOR a Israel toda a terra que jurara dar a seus pais; e a possuíram e habitaram nela” (Josué 21:43; Neemias 9:8). Depois, nos dias de Salomão, a Bíblia diz: “Dominava Salomão sobre todos os reinos desde o Eufrates até à terra dos filisteus e até à fronteira do Egito” (1 Reis 4:21). Assim foi que Deus cumpriu a promessa da terra aos descendentes de Abraão.
Enquanto é verdade que Deus deu a terra que prometeu aos filhos de Israel, é importante observar que mesmo depois de eles conseguirem a terra, a sua permanência na terra tinha a condição de servirem fielmente a Deus. Há numerosas Escrituras que afirmam isso. Vamos ver apenas algumas. “Se te esqueceres do SENHOR, teu Deus, e andares após outros deuses, e os servires, e os adorares, protesto, hoje, contra vós outros que perecereis” (Deuteronômio 8:19). “Quando violardes a aliança que o SENHOR, vosso Deus, vos ordenou, e fordes, e servirdes a outros deuses, e os adorardes, então, a ira do SENHOR se acenderá sobre vós, e logo perecereis na boa terra que vos deu” (Josué 23:16). “Porém, se vós e vossos filhos, de qualquer maneira, vos apartardes de mim e não guardardes os meus mandamentos e os meus estatutos, que vos prescrevi, mas fordes, e servirdes a outros deuses, e os adorardes, então, eliminarei Israel da terra que lhe dei...” (1 Reis 9:6-7). É óbvio que ficar com a terra dependia da sua fidelidade.
Mesmo uma leitura casual do Velho Testamento mostra que não foram fiéis. Por favor, observe estas passagens:
Jeremias 7:24 “...Mas não deram ouvidos, nem atenderam, porém andaram nos seus próprios conselhos e na dureza do seu coração maligno; andaram para trás e não para diante.”
Jeremias 25:8-9 “...Portanto, assim diz o SENHOR dos Exércitos: Visto que não escutastes as minhas palavras, eis que mandarei buscar todas as tribos do Norte, diz o SENHOR, como também a Nabucodonosor, rei da Babilônia, meu servo, e os trarei contra esta terra, contra os seus moradores e contra todas estas nações em redor, e os destruirei totalmente...”
Jeremias 32:22-23. Deus disse que lhes deu essa terra, que ele prometeu com juramento a seus pais que lhes daria, uma terra que mana leite e mel; e eles entraram, e tomaram posse; mas não obedeceram a sua voz, nem andaram na sua lei; não fizeram nada de que ele havia lhes mandado; por isso ele deixou todo esse mal vir sobre eles.
Escrituras parecidas com essas podem ser multiplicadas várias vezes. Assim é claro que Deus cumpriu sua promessa da terra aos descendentes de Abraão. Como não foram fiéis, perderam o direito a qualquer alegação que possa ser feita de que a terra lhes pertence hoje.

As promessas

Uma das doutrinas mais fundamentais da maioria, senão todas, dos premilenaristas é que antes do fim dos tempos Deus dará a terra de Canaã aos judeus. Isso supostamente é porque ele lhes prometeu aquela terra mas nunca cumpriu sua promessa e, já que Deus é fiel, ele os dará a terra.É verdade que Deus prometeu essa terra aos descendentes de Abraão (os judeus). No entanto, a Bíblia mostra que não é verdade que ele não cumpriu a sua promessa. Como já observamos em Josué 21:43-45, o SENHOR a Israel toda a terra que jurara dar a seus pais; e a possuíram e habitaram nela...Nenhuma promessa falhou de todas as boas palavras que o SENHOR falara à casa de Israel; tudo se cumpriu.” 
Também observamos que ficar com a terra estava condicionado à sua fidelidade.Claramente, eles eram infiéis e conseqüentemente perderam o direito de ficar na terra. Deus não deve essa terra a eles devido à infidelidade deles.
Outra promessa que Deus fez aos descendentes de Abraão pode ser achada em Gênesis 13:16, onde ele disse a Abraão, “Farei a tua descendência como o pó da terra; de maneira que, se alguém puder contar o pó da terra, então se contará também a tua descendência”. Depois, em Gênesis 15:5, ele disse a Abraão, “Olha para os céus e conta as estrelas, se é que o podes. E lhe disse: Será assim a tua posteridade”. Essa promessa também já se cumpriu. Quando Balaão tentou amaldiçoar Israel, “Então, o SENHOR pôs a palavra na boca de Balaão e disse... Quem contou o pó de Jacó ou enumerou a quarta parte de Israel?” (Números 23:5,10). Em 2 Crônicas 1:9, Salomão disse sobre Deus, “Tu me constituíste rei sobre um povo numeroso como o pó da terra”. Em Deuteronômio 10:22 lemos, “Com setenta almas, teus pais desceram ao Egito; e, agora, o SENHOR, teu Deus, te pôs como as estrelas dos céus em multidão”. Por isso, a promessa de descendentes numerosos se cumpriu.
A terceira e, sem dúvida, mais importante promessa a Abraão é a que se encontra em Gênesis 22:18. Essa é a ocasião quando Deus disse a Abraão para oferecer seu único filho, Isaque, como sacrifício. Abraão estava fazendo exatamente isso quando um anjo do Senhor parou sua mão e disse que, por não ter negado seu único filho, na descendência dele seriam “benditas todas as nações da terra”. Como a Bíblia claramente mostra, isso é uma bênção e promessa espiritual.

Há três partes dessa promessa:

1. O Descendente.
Fica claro em Gálatas 3:16 exatamente quem é o descendente. Aquele texto disse, “Ora, as promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente. Não diz: E aos descendentes, como se falando de muitos, porém como de um só: E ao teu descendente, que é Cristo.”
2. Todas as Nações.
No discurso de Pedro em Atos 3:25-26 ele disse aos judeus, “Vós sois os filhos dos profetas e da aliança que Deus estabeleceu com vossos pais, dizendo a Abraão: Na tua descendência, serão abençoadas todas as nações da terra. Tendo Deus ressuscitado o seu Servo, enviou-o primeiramente a vós outros para vos abençoar, no sentido de que cada um se aparte das suas perversidades”. “Todas as nações” inclui judeus e gentios. O evangelho “é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego” (Romanos 1:16).

O reino – seu começo

Em 2 Samuel 7:12 Deus fez uma promessa a Davi. Ele disse, “Quando teus dias se cumprirem e descansares com teus pais, então, farei levantar depois de ti o teu descendente, que procederá de ti, e estabelecerei o seu reino”. Em cumprimento a essa promessa o anjo Gabriel disse a Maria, “Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelo nome de Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai” (Lucas 1:31-32). Mateus 1:1 diz, “Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão”. Em Mateus 3:1-2, depois de relatar o nascimento de Jesus, o texto diz, “Naqueles dias, apareceu João Batista pregando no deserto da Judéia e dizia: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus”Próximo significa em breve ou logo. Em Lucas 3:1-3, o relato diz, “No décimo quinto ano do reinado de Tibério César... veio a palavra de Deus a João.... Ele percorreu toda a circunvizinhança do Jordão”. Observe que João veio durante o reinado de Tibério César, um governador romano.
Em Daniel, Nabucodonosor teve um sonho que Daniel interpretou que representava quatro reinos. O primeiro era a Babilônia, o próximo o Medo-Persa, o terceiro Macedônia, o quarto foi a Roma. Em Daniel 2:44, Daniel disse, “Mas, nos dias destes reis, o Deus do céu suscitará um reino que não será jamais destruído”. Como vimos em Lucas, João Batista veio nos dias de um governo romano, e ele disse que o reino dos céus estava próximo. Então, o reino que fora prometido a Davi foi estabelecido nos dias do governo romano.
Além disso, Jesus disse a alguns dos seus discípulos, “Em verdade vos afirmo que, dos que aqui se encontram, alguns há que, de maneira nenhuma, passarão pela morte até que vejam ter chegado com poder o reino de Deus”(Marcos 9:1).
A argumentação dos pré-milenaristas é que o reino foi oferecido aos judeus, mas que eles rejeitaram a oferta, e Jesus adiou o estabelecimento do reino até a segunda vinda de Cristo. Isso tem algumas conseqüências sérias. Jesus disse que o reino viria durante a vida na terra dos seus discípulos que estavam com ele. Se não era para ser estabelecido no tempo que ele disse, ele se enganou a respeito. Jesus enganou-se a respeito de qualquer coisa? Também leva a conclusão absurda de que alguns dos que estavam vivos enquanto Jesus estava na terra estão com cerca de 2.000 anos! Também levanta a pergunta: A oferta do reino aos judeus foi uma oferta sincera? Se foi, Jesus enganou-se a seu respeito. Como pode ser? Também levanta a pergunta: O que teria acontecido se os judeus aceitassem a oferta? A igreja não teria se estabelecido.
Os pré-milenaristas também argumentam que o reino, como profetizado por Daniel, um dia se estabelecerá. Daniel, no entanto, disse que seria nos dias do governo romano. Pré-milenaristas argumentam que o governo será restaurado e então o reino se estabelecerá. A profecia de Daniel era a respeito de um governo romano após um governo macedônio, este antecedido de um governo medo-persa, antecedido por um governo babilônico. Todos esses reinos terão que ser restaurados? Isso vai além da credulidade! Seria bem melhor aceitar a verdade de que o reino foi estabelecido, e isso ocorreu nos dias dos apóstolos.

O que é o reino?

Em Daniel 2 há o relato de um sonho de Nabucodonosor e a interpretação que Deus deu a Daniel. Basicamente prediz a vinda de quatro reinos, sendo que o último foi a Roma. Em Daniel 2:44, Daniel explica que durante os “dias destes reis, o Deus do céu suscitará um reino que não será jamais destruído”. O Novo Testamento começa contando como João Batista veio pregando “está próximo o reino dos céus” (Mateus 3:2). Em Lucas 3:1-3 é óbvio que o trabalho de João foi feito durante o reinado da Roma. De acordo com Marcos 1:15, Jesus pregou dizendo, “O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo”. Em Marcos 9:1 Jesus disse a alguns dos seus discípulos que eles não passariam pela morte até que terem visto o reino de Deus chegar com poder.
Fica claro a partir do Novo Testamento que ele construiu seu reino, e foi construído nos dias do governo romano. O inspirado apóstolo Paulo, ao falar dele e dos irmãos de Colossos, disse que o Senhor “nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor” (Colossenses 1:13). Observe o pretérito. Obviamente, quando Paulo escreveu a carta à igreja de Colossos o reino já existia e eles eram membros dele. Em Apocalipse 1 João disse que ele é um irmão e companheiro dos irmãos das sete igrejas da Ásia no reino. João estava no reino então claramente já existia.
Mas o que é o reino? Em Lucas 22:29-30, enquanto Jesus instituía a Ceia do Senhor, ele disse aos apóstolos, “Assim como meu Pai me confiou um reino, eu vo-lo confio, para que comais e bebais à minha mesa no meu reino”. A mesa do Senhor (sua Ceia) está no reino. Mas certamente sua Ceia devia estar na igreja (1 Coríntios 11:17-34). Em Atos 20:28, Paulo disse aos presbíteros de Éfeso que a igreja foi comprada com o sangue de Cristo. Em Apocalipse 5:9-10, Cristo comprou o reino com seu sangue. À partir desta e outras passagens parecidas vemos que a igreja e o reino são a mesma instituição. Em Mateus 16:17-19 Pedro faz a grande confissão que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo. Depois Jesus prometeu dar a chaves do reino dos céus a Pedro. As chaves indicam a autoridade de abrir. Portanto Pedro havia recebido a autoridade de abrir o reino dos céus. Ele fez isso de acordo com o relato em Atos 2. Quando Pedro disse às pessoas o que precisavam fazer para serem salvas, ele estava usando as chaves para abrir a porta para o reino dos céus. No entanto, Atos 2:47 diz que os salvos foram acrescentados à igreja. É a partir desses fatos que em Mateus 16:18-19 pode ser concluído sinceramente que a igreja e o reino são simplesmente dois aspectos da mesma instituição.
E. C. Coffman chama nossa atenção aos seguintes assuntos, para mostrar que o reino e a igreja são a mesma entidade, apenas vista de maneiras um pouco diferentes. 
       I.      Não há diferença entre o “governador” e autoridade.
              A.   Cristo é a cabeça da igreja (Colossenses 1:18)
              B.  Cristo também é o rei do reino (Atos 17:7; Apocalipse 1:5) 
       II.      Não há diferença em como entrar: pessoas que nascem da água e do Espírito entram no reino (João 3:3-5). É assim que uma pessoa entra na igreja (1 Coríntios12:13) 
       III.      Ambos se estabeleceram ao mesmo tempo: a igreja em Atos 2:16-17, 47; o reino em Atos 2:30-36. 
       IV.      Foram estabelecidos no mesmo lugar: Jerusalém (Isaías 2:3) a igreja, que é a casa de Deus (1 Timóteo 3:15; Atos 2:5, 30-33).

O reino foi adiado?

Éo ensinamento dos pré-milenaristas que, na primeira vinda de Jesus, um reino terreno e literal como o de Davi seria estabelecido. No entanto, os judeus rejeitaram Jesus e seu reino. De fato, mataram-no. Mas já que Deus prometeu tal reino, e ele não pode mentir, ele adiou o reino até a segunda vinda. Durante esse tempo a igreja, ou como é chamada às vezes “a era da igreja”, foi introduzida. Essa era da igreja, dizem os pré-milenaristas, era completamente desconhecida pelos profetas do Velho Testamento ou qualquer outro homem. O que as Escrituras dizem?
Como já observamos, de acordo com a Bíblia, o reino veio durante a vida de alguns dos apóstolos (Marcos 9:1). E Paulo e outros do primeiro século estavam nele (Colossenses 1:12-13).
E esse período de adiamento? Muitas pessoas sugerem que Deus ainda tem um trabalho especial para os judeus, e que estes continua sendo seu povo especial. Mas, como 0. T. Allis, na sua obra clássica Prophecy and the Church (Profecia e a Igreja), na página 78, mostra um apelo às Escrituras, "Jesus declarou aos judeus que o reino ‘seria tomado deles’ (Mt. 21:4 e segs.). Os filhos do reino (os herdeiros naturais e pela lei) serão ‘lançados fora’ (7:1 e segs.). Nem um daqueles ‘chamados’ deve participar do casamento (Lc. 24:24). A vinha será entregue a ‘outros lavradores’; a ‘um povo que lhe produza os respectivos frutos’: homens virão dos ‘caminhos’ do ‘leste e oeste, e norte e sul’ para participar do casamento com Abraão, Isaque e Jacó.” Como ele nota, essas Escrituras “sugerem claramente que o período de particularismo judaico estava acabando.” Nada é dito ou sugerido sobre um adiamento e uma segunda chance depois.
João Batista disse a mesma coisa. “Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus...e não comeceis a dizer entre vós mesmos: Temos por pai a Abraão; porque eu vos afirmo que destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão” (Mateus 3:2,9). Como Paulo disse, “Pois todos vós sois filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus; porque todos quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes. Dessarte, não pode haver judeu nem grego...” (Galátas 3:26-28).
Essa doutrina do adiamento tem algumas conseqüências graves: 1. Jesus sabia que os judeus iriam rejeitar sua oferta do reino? Se ele sabia, ele disse a verdade quando disse que o reino estava próximo? 2. Se foi uma oferta sincera, teoricamente eles teriam aceitado. Se tivessem aceitado o que teria acontecido com a cruz? Um autor pré-milenarista disse, “Pode ser dito de uma vez que a morte de Jesus não fazia parte do plano de Deus.”
Como isso se relaciona com a teoria que o estabelecimento da igreja era completamente desconhecido às pessoas do Velho Testamento e que era um mistério até que foi revelado, considere o seguinte: Numa ocasião um dos principais dos pré-milenaristas veio à cidade onde eu morava. Ele tinha um programa de rádio daqueles que os ouvintes podiam ligar e lhe fazer perguntas. Um dia aconteceu o seguinte. “É do seu entendimento que a vinda da igreja na era da igreja era completamente inesperada e não foi profetizada nas Escrituras do Velho Testamento, que a rejeição de Jesus não era esperada e que o reino foi adiado. Então, como você sabe que Jesus não será rejeitado quando vier outra vez e um outro adiamento acontecerá? Afinal, isso era a situação entre as pessoas do primeiro século, como você sabe que isso não acontecerá novamente?” Sua resposta foi que eles apenas acham que isso não vai acontecer. Foi uma resposta insuficiente.

O arrebatamento

Você provavelmente já viu um adesivo num carro que diz algo como “Em caso de arrebatamento esse carro ficará desgovernado.” O que isso quer dizer? Os pré-milenaristas ensinam que Jesus virá e que, naquela hora, todos os que “estão em Cristo” serão levados secretamente para encontrar com o Senhor no ar. Mas não é só isso. 
De acordo com a teoria, quando os santos forem arrebatados encontrarão o Senhor no ar e ficarão com ele por um período de sete anos. Durante esse tempo terá uma grande tribulação para aqueles que permanecerem na terra; os judeus voltarão à terra prometida (ou seja, prometida aos judeus literais) na descrença. Após um período de três anos e meio o Anticristo causará grande tribulação para aqueles que estão na terra. Há muito mais, mas para resumir, no final dos três anos e meio Jesus voltará e estabelecerá seu reino na terra por 1.000 anos (literalmente), no final dos quais ocorrerá o julgamento e o fim do mundo. 
Enquanto há erros no precedente, a Bíblia ensina que Cristo voltará e que seu povo irá ao seu encontro no ar. Uma passagem que fala sobre isso é 1 Tessalonicenses 4:16-17. “...o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor”
Algumas coisas são vistas claramente aqui que negam a teoria pré-milenarista do arrebatamento. Em primeiro lugar, a sua vinda não é “silenciosa” como eles alegam, mas é audível. Observe: o texto diz que o Senhor descerá, ouvida a voz do arcanjo e ressoada a trombeta de Deus. A mesma observação é feita em João 5:28. Ao falar do ressurreição, Jesus disse, “... porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz [de Jesus] e sairão”. Mais uma passagem que fala da ressurreição é 1 Coríntios 15:52 (“...ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis”). 
A segunda vinda não será apenas audível e, por isso, contraditória à teoria do arrebatamento silencioso; também não será em segredo mas visível e público. Em Apocalipse 1:7 a Bíblia diz “Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até quantos o traspassaram”. Alguns ensinam que apenas aqueles que estão preparados o verão. Ele será invisível para outros. No entanto, esse texto diz que aqueles que o traspassaram o verão. Esses certamente não eram seu discípulos. 
Um ponto vital na teoria pré-milenarista do arrebatamento é o ensinamento que o Senhor virá arrebatar a igreja e, após um período de sete anos, ele voltará para estabelecer seu reino. Uma pergunta importante é “Onde está a passagem que diz que o chamado arrebatamento acontecerá sete anos antes da segunda vinda?” O resto da doutrina pré-milenarista do arrebatamento é tão cheia de enigmas com erros como esse.

O Homem que Matou os Bebês

Herodes, o Grande “mandou matar todos os meninos de Belém e de todos os seus arredores, de dois anos para baixo” (Mateus 2:16).
Essa matança, realizada menos de dois anos depois do nascimento de Jesus, tinha o propósito de eliminar um suposto rival que o rei Herodes considerava uma ameaça ao seu trono, uma posição que foi lhe cedida pelos romanos. Dos quatro relatos bíblicos da vida de Jesus, o único que registra o episódio é o de Mateus, um homem que servia por algum tempo como agente do governo romano.
A história é bem conhecida. Homens orientais descritos como magos visitaram o bebê Jesus em uma casa em Belém. Herodes havia dado instruções claras para eles voltarem a Jerusalém para revelar onde Jesus estava. Mas Deus deu outras instruções, e os magos sabiamente escolheram obedecer ao Soberano Rei e não o rei da Judeia. Sem informações exatas sobre a localização do bebê Jesus, e tendo uma noção da sua idade, Herodes mandou matar todos os meninos da região de dois anos para baixo.
Mas, ele não conseguiu matar Jesus, pois José foi obediente ao anjo que Deus mandou falar com ele. Levou Maria e Jesus para o Egito, onde permaneceram até a morte de Herodes, o Grande, no ano 4 a.C. Depois disso, a família voltou para Israel e foi morar em Nazaré, onde Jesus foi criado por José e Maria.
As informações contidas na Bíblia já revelam o caráter desse rei Herodes, mas conseguimos um entendimento maior quando consultamos outros registros históricos. A família dos Herodes eram de descendência idumeia, um povo que habitava ao sul da Judeia e que foi conhecido antigamente como os edomitas, descendentes de Esaú. O pai de Herodes, o Grande, se converteu ao judaísmo e a família passou a ocupar um espaço entre os sujeitos judeus e os romanos, que dominavam a região durante o período do Novo Testamento.
Além dessas informações bíblicas, Herodes, o Grande, fez sua marca na história, principalmente, por dois motivos.
Primeiro, ele realizou grandes obras de construção: cidades, fortalezas, palácios, ginásios e templos para vários deuses, um deles o templo do Senhor em Jerusalém.
Segundo, Herodes é lembrado por sua paranoia exagerada e a consequente crueldade. Não somente tentou matar Jesus na sua infância, mas Herodes matou sua mulher Mariane e os filhos dela, além de outro filho, Antípater. A crueldade desse homem não conhecia limites.
Agora, pensemos em um aspecto importante dessa história em relação aos planos de Deus. O Senhor escolheu mandar seu Filho para nascer durante o reinado desse rei violento. José, Maria e Jesus foram ameaçados por esse governante, e várias crianças inocentes morreram por causa da sua paranoia. Deus permitiu que seu próprio filho sofresse, e não limitou seu sofrimento às últimas horas na cruz. Jesus sofreu injustiças ao longo da vida. A morte na cruz foi o auge da experiência, mas não foi a totalidade das angústias enfrentadas durante a jornada terrestre do Filho de Deus.
Se Deus permitiu tal sofrimento durante toda a vida de Jesus, os seguidores dele não têm direito nem motivo de esperar uma vida livre de sofrimento. Em contraste nítido com as doutrinas pregadas em muitas igrejas hoje, Jesus Cristo disse que seus seguidores sofreriam. Foi no contexto de falar de calúnias, perseguições e até a morte que ele disse: “O discípulo não está acima do seu mestre, nem o servo, acima do seu senhor” (Mateus 10:24).
Qualquer um que promete uma vida neste mundo livre de sofrimento ignora a história bíblica e se mostra um falso mestre que nega o Senhor Jesus Cristo. Os verdadeiros servos de Jesus aceitam maus tratos nesta vida, pois aguardam a vida eterna na presença do Senhor.
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Barrabás

A Bíblia está repleta de lições de contrastes, desde a história de Davi e  Golias, no Antigo Testamento, até a lição de Diótrefes e Demétrio, no   Novo Testamento.
A história da crucificação de Jesus é talvez o exemplo mais dramático dos extremos que se acham na Bíblia. Em Mateus 21:8-11, Jesus entrou triunfalmente em Jerusalém com a multidão espalhando roupas pelo chão para Jesus passar com o jumento. Parece tão espontâneo e tão alegre. Os ramos eram arrancados para servir de tapete para o seu Rei. Ao saírem a seu encontro, "Bendito é o Rei que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória nas maiores altura!" (Lucas 19:37-38). Que recepção alegre! Jesus era glorificado (João 12:16). Esse era o seu momento ao sol, sua entrada triunfal, seu dia de glória. Em menos de uma semana, porém, a multidão foi incitada pelos sacerdotes para crucificarem o seu Senhor e Rei.
Hoje, ficamos frustrados quando aqueles que tentamos ensinar acham-se presos pelas tradições de seus pais. O povo de Jerusalém também se deixou levar pela tradição; deu ouvidos aos sacerdotes. Da mesma forma, hoje em dia muitas multidões se deixam levar por uma celebridade como o Billy Graham ou por um fanático interesseiro como David Koresh. A natureza humana continua a mesma que naquele dia terrível, no qual a multidão frenética virou contra Jesus e gritava: "Crucifica-o!".
Vemos em Pilatos essa mesma oscilação de emoções e essa mesma conduta extremada. Ele queria soltar Jesus (Lucas 23:20). Pilatos até teve o impulso emocional da esposa, que reconheceu que Jesus era justo e disse ao marido que não se envolvesse naquilo. Depois Pilatos perguntou à multidão: "Que mal este fez?" (Lucas 23:22). Aqui, Pilatos começa afirmando que Jesus é inocente e acaba concedendo a sentença de morte que a multidão exigiu. A pressão da multidão, até mesmo o desejo de agradá-la, levaram Pilatos a entregar o nosso precioso Senhor. Quantas vezes oscilamos entre o nosso desejo de servir a Deus e o desejo de agradar as pessoas ou ser aceito por elas?
É claro que Barrabás apresenta o maior contraste. Embora na verdade se escreva pouco sobre ele, os escritores nos deram informações suficientes para pintarmos um quadro bem vívido em nossas mentes desse homem horrendo. Barrabás tinha um bom nome. "Aba", na época de Jesus, era provavelmente um título de honra, significando "filho do mestre ou do professor" ou "filho de um rabi". No entanto, Barrabás não fazia justiça a esse nome. Ele foi o criminoso escolhido pela multidão de Jerusalém para ser solto ao invés de Jesus Cristo. Era costume libertar um prisioneiro na Festa da Páscoa. Mateus o chama de um "preso muito conhecido". Marcos diz que ele foi "preso com amotinadores, os quais em um tumulto haviam cometido homicídio". Lucas afirma que ele foi lançado na prisão "por causa de uma sedição na cidade e também por homicídio". João o chama "salteador". Não há mais pormenores, e qualquer outra dedução seria mera suposição. O que sabemos de fato é que Barrabás era um perturbador da ordem pública, vil, de má fama, ladrão e assassino. É simplesmente ridículo ser oferecido em comparação com o Filho do Altíssimo. Retratar o nosso Senhor ao lado desse homem vil e depois ser trocado por ele é uma cena tão ultrajante que nos faz estremecer. O único denominador comum entre Barrabás e Jesus é que Jesus morreu para levar algo que não era seu S os nossos pecados; Barrabás viveu levando algo que não era seu, e devia morrer.
O contraste final é hipotético. Não é possível deixar de imaginar o que houve com Barrabás. Eis um homem diante da morte certa, sem dúvida imaginando o que seria morrer na cruz. Sua única esperança, que se achava por um fio, era escapar e levar a vida como um fugitivo. Nem em seus melhores sonhos ele imaginava ser perdoado, sobretudo em troca de alguém como Cristo. Então, quando ocorreu o inimaginável, que foi que ele fez? Será que ele decidiu dedicar a vida a Deus porque tinha recebido a liberdade? Será que ele se arrependeu e fez boas obras o resto da vida, tentando ser digno de seu bom nome, ou será que voltou à vida de crimes e degradação? Infelizmente, a maior parte das pessoas hoje não valorizam o dom que Cristo lhes deu. Elas escolhem ou rejeitá-lo ou aceitá-lo, mas jamais dedicam a vida verdadeiramente a ele.
Permanece o fato de que Jesus, um homem de elevada nobreza, foi trocado por Barrabás, um homem de má fama. O bem versus o mal S o maior contraste. Que você fará com Jesus?

"Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus" (Mateus 5:16).

Série que conta escândalos sexuais e financeiros de uma igreja estreia na Netflix


A série de TV Greenleaf estreou na Netflix na última sexta-feira, 03 de março, contando os bastidores de uma igreja evangélica fictícia, em que ocorrem escândalos diversos e expõe a ganância e promiscuidade da família do pastor.
Greenleaf estreou na TV norte-ameticana no dia 21 de junho de 2016, no canal OWN, de propriedade da apresentadora Oprah Winfrey. A igreja que serve de pano de fundo para os casos de adultério e outros “podres” é formada predominantemente por negros, na cidade de Memphis.
À época do lançamento, a sinopse dizia que a pregação fervorosa do pastor James Greenleaf esconde diversas falhas e problemas familiares. A história é contada a partir do ponto de vista da pastora Grace, filha do meio de James, que começa a notar coisas fora do lugar depois de um reencontro com parentes que ela não via há 20 anos, no funeral de sua irmã, Faith, que morreu de forma misteriosa.

+Netflix passará a disponibilizar pregações evangélicas a seus usuários

De acordo com informações do portal Uol, a base doutrinária da igreja é a Teologia da Prosperidade, que incentiva os fiéis a buscarem a riqueza na Terra.

Essa abordagem leva o pastor James a deslizes e o coloca em situação delicada quando surge uma ameaça de investigação do uso dos dízimos e ofertas. Isso resulta em uma intrincada trama entre políticos e pastores, transformando a série numa espécie de narrativa de casos reais que surgem no noticiário.
https://youtu.be/hVIgWhOrWes

Movimento evangélico quer resgatar princípios da Reforma Protestante no Brasil e lança manifesto


A “Carta de Campina Grande” apresentada na 19ª Consciência Cristã, em Campina Grande, na Paraíba, é mais um manifesto de um movimento evangélico que vem crescendo nos últimos anos, que visa resgatar os princípios da Reforma Protestante no Brasil, face ao distanciamento de algumas igrejas evangélicas dos cinco pontos da reforma culminada em 1517 sob a liderança de Marinho Lutero.
A “Carta de Campina Grande” destaca logo em seu início algo essencial para a compreensão desse movimento que espelha a Reforma Protestante:
“Hoje, quinhentos anos depois, a igreja evangélica brasileira tem enfrentado crises, lutas e desafios, como também o surgimento de heresias e graves desvios teológicos. Como se não bastasse, por fatores diversos, constatamos que uma parcela significativa do evangelicalismo brasileiro tem abandonado o compromisso com o evangelho ensinado por Cristo, proporcionando com isso um claro e real afastamento das doutrinas defendidas pelos reformadores.”, diz o trecho publicado
O manifesto, comporto por várias lideranças evangélicas de diferentes denominações, tem um motivo especial esse ano, que é a comemoração dos 500 anos da Reforma Protestante, em 31 de outubro, quando Martinho Lutero pregou as 95 teses da Reforma na Catedral de  Wittenberg. Dessa forma, a “Carta de Campina Grande” faz jus ao termo “protestante”, como referência a sua origem do latim, significando  “declarar em público, testemunhar”.
“…os últimos anos têm sido marcados pela ação de lobos ferozes, que mediante ensinos espúrios têm induzido o povo de Deus a erros crassos, comercializando a fé, vendendo o evangelho e negando a Cristo.”diz outro trecho da carta, ressaltando a quantidade de heresias doutrinárias que surgiram nos últimos anos sob a denominação “cristã”.
A “Carta de Campina Grande” foi lida na ocasião pelo Pastor e escritor Renato Vargens (capa), e tem sido copiada e reproduzida em diversas igrejas evangélicas e por pessoas em perfis das redes sociais, como testemunho e declaração de fé dos evangélicos no Brasil. Leia na íntegra, abaixo:

Carta de Campina Grande 2017 – 19ª Consciência Cristã

“Há 500 anos, em 31 de outubro de 1517, o monge alemão, Martinho Lutero afixou às portas do castelo de Wittenberg as suas 95 teses denunciando as indulgências e os excessos da Igreja, iniciando com tal ato a Reforma Protestante.
Hoje, quinhentos anos depois, a igreja evangélica brasileira tem enfrentado crises, lutas e desafios, como também o surgimento de heresias e graves desvios teológicos. Como se não bastasse, por fatores diversos, constatamos que uma parcela significativa do evangelicalismo brasileiro tem abandonado o compromisso com o evangelho ensinado por Cristo, proporcionando com isso um claro e real afastamento das doutrinas defendidas pelos reformadores.
Para piorar a situação, os últimos anos têm sido marcados pela ação de lobos ferozes, que mediante ensinos espúrios têm induzido o povo de Deus a erros crassos, comercializando a fé, vendendo o evangelho e negando a Cristo.
Diante disto, nós, membros da igreja de Jesus Cristo, participantes do 19º Encontro para a Consciência Cristã, além de repudiarmos aqueles que tem feito da igreja um negócio, celebramos a comunhão que desfrutamos como povo de Deus, unidos ao redor do evangelho de Cristo, e afirmamos:
1. Que a Escritura é a inerrante Palavra de Deus, além de única fonte de revelação divina, como também única para constranger a consciência. Afirmamos também que a Bíblia sozinha ensina tudo o que é necessário para nossa salvação do pecado, e que ela é o padrão pelo qual todo comportamento cristão deve ser avaliado. Negamos também que qualquer concílio ou líder religioso possa constranger a consciência de um crente, e que o Espírito Santo fale independentemente de, ou contrariando, o que está exposto na Bíblia, ou que a experiência pessoal possa ser veículo de revelação doutrinária.
2. Que a salvação do pecador se dá única e exclusivamente pela obra mediatória de Cristo Jesus na cruz. Afirmamos também que Cristo não cometeu pecado e que sua morte, expiação e ressurreição por si só são suficientes para nossa justificação, redenção e reconciliação com Deus. Além disso, negamos que o evangelho possa ser pregado sem a proclamação da obra substitutiva de Cristo, bem como seja possível alguém ser salvo fora de nosso Salvador.
3. Que ao sermos salvos por Cristo somos resgatados da ira de Deus unicamente por sua graça. A obra sobrenatural do Espírito Santo é que nos leva a Cristo, concedendo-nos fé e arrependimento, libertando-nos de nossa servidão do pecado e erguendo-nos da morte espiritual para a vida espiritual. Negamos também que a salvação seja possível mediante ações ou obras humanas, como também afirmamos que acreditamos que métodos ou estratégias humanas por si só não podem realizar a transformação do pecador.
4. Que a justificação é somente pela graça, somente por intermédio da fé, somente por causa de Cristo. Afirmamos também que a justificação, a retidão de Cristo, nos é imputada como o único meio possível de satisfazer a perfeita justiça de Deus.
5. Que como a salvação é de Deus e realizada por Deus, ela ocorre para a glória de Deus e devemos glorificá-lo sempre. Afirmamos também que como cristãos devemos viver perante a face de Deus, sob a autoridade de Deus, e para sua glória somente. Negamos que possamos apropriadamente glorificar a Deus se nosso culto for confundido com entretenimento, se negligenciarmos ou confundirmos a Lei ou o Evangelho em nossa pregação, ou se permitirmos que o afeiçoamento próprio, a autoestima e a auto-realização se tornem opções alternativas ao evangelho.
Assim, confiantes na graça de Deus, assumimos este compromisso diante de Deus e de seu povo de perseverar nessa fé, colocá-la em prática e ensiná-la com todo empenho, para vermos em nossa nação brasileira um poderoso progresso do evangelho de Cristo”.


Eleições CGADB: Justiça cancela inscrições de 5 mil pastores e estipula multa diária


As eleições da CGADB ainda está dando muito o que falar, restando apenas 43 dias para a eleição da nova Mesa Diretora da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil. Dessa vez, o Juiz Jânio Tutomu Takeda, do município de Juruá, no Amazonas, deferiu uma liminar ajuizada pelo pastor Cloves Rocha de Freitas, onde cancela inscrições de 5 mil pastores e estipula multa diária de 10 mil reais, caso a ordem não seja cumprida.
A decisão do magistrado foi tomada com base na resolução nº 01/2016 da CGADB e publicada na última quinta feira (23). Segundo Takeda, a CGADB tem 48 horas para cumprir a ordem; “Fica a ré proibida de corrigir os dados incorretamente no site eleitoral para com essa medida não abrir precedentes futuros”, disse o magistrado em nota publicada no site JM Notícias, na ação nº 0000005-67.2017.8.04.5101, acrescentando ainda:
“Quanto a probabilidade do direito, este verifica-se das alegações do autor e os documentos acostados aos autos, que são suficientes, ao menos, preliminarmente para a análise da medida”.

Motivo da ação judicial contra a CGADB

O Pastor  Cloves Rocha de Freitas entrou com a ação afirmando que o ex-presidente da Comissão Eleitoral da CGADB, Antônio Carlos Lorenzetti de Mello, teria ignorado a Resolução Eleitoral nº 01/2016, da própria CGADB, validando inscrições que já haviam sido impugnadas. O resultado foi o cancelamento de 5.207 inscrições consideradas ilegais.

O mesmo pastor também validou a candidatura do pastor José Wellington Júnior à presidência da CGADB, descumprindo a mesma resolução, motivando o seu afastamento do cargo no dia 08 passado através de liminar proferida pelo Estado de Goiás.
Noticiamos recentemente que a eleição da CGADB está prevista para acontecer na 43ª Assembleia Geral Ordinária, em abril desse ano, e deve enterrar o clima desagradável que envolveu o Pastor Samuel Câmara e o atual Presidente da CGADB, Pastor José Wellington Bezerra da Costa, devido a divergências no número de inscritos no último pleito, quando Pr. Wellington foi reeleito.
Sendo a terceira liminar proferida pela Justiça em decorrência das eleições da CGADB em apenas alguns dias, a corrida eleitoral pela Presidência da CGADB deve permanecer acirrada, gerando muita expectativa para os mais de 13 milhões de assembleianos no Brasil.

Pastores condenados a morte e igrejas demolidas no Sudão


Seis cristãos foram presos no Sudão na semana passada por se recusarem a entregar a propriedade da igreja ao governo. Os três pastores e três membros da congregação foram presos no início de outubro, na cidade de Wad Medani. Eles defendiam uma escola mantida por um ministério evangélico.
O aumento de prisões de cristãos no país mostra que persiste a tentativa dos radicais muçulmanos de acabar com toda confissão religiosa não muçulmana no país.
Recentemente foi anunciado que cinco templos serão demolidos – três prédios da Igreja de Cristo, um da Igreja Presbiteriana e outro da Igreja Episcopal. Os terrenos serão confiscados pelas autoridades.
Segundo a Comissão sobre Liberdade Religiosa Internacional, o governo sudanês “continua com violações sistemáticas, contínuas e flagrantes da liberdade de religião ou crença”. Desde 1999 é considerado pela Comissão como um “país de preocupação particular”.
A população sudanesa é mais de 97 por cento muçulmana. A sharia – lei religiosa islâmica – se impõe sobre as outras leis e não há liberdade religiosa. Isso inclui a pena de morte por apostasia, apedrejamento por adultério e prisão por blasfêmia.

Dia 17 de outubro deverão ser julgados os pastores Hassan Taour e Kuwa Shamal, além do missionário checo Petr Jasek e o obreiro sudanês Abdulmonem Abdumawla. Segundo relatórios da Christian Solidarity Worldwide, os quatro são acusados de sete crimes, incluindo “promover guerra contra o Estado”. Eles apenas fizeram denúncias em organizações internacionais sobre igrejas sendo incendiadas na capital Cartum.
As políticas governamentais pressionam que todos que desejarem viver no país se convertam ao Islã. Desde que ocorreu a divisão, com o nascimento do Sudão do Sul, em 2011, tornou-se impossível construir igrejas e a maioria delas vem sendo sistematicamente demolida. De acordo com Missão Portas Abertas, o país está entre os 10 que mais perseguem cristãos. É comum a interrupção de cultos ou reuniões de oração, incluindo o confisco de Bíblias. 
Michael Yat e Peter Reith são pastores no Sudão do Sul, mas ambos foram presos no vizinho Sudão. Eles ficaram presos por mais de dois anos, e podiam ter sido condenados à pena de morte. Pesavam contra eles várias acusações sérias como infrações contra crenças religiosas e promoção de ódio religioso. Mas o que realmente preocupava eram a suspeita de espionagem, pois estavam no país vizinho para tarefas relacionadas com a igreja.
Como o Sudão é de maioria islâmica, eles se viram em meio a mesma guerra religiosa que dividiu os dois países em 2011. Porém, nada foi provado e eles saíram da cadeia no início deste ano.
Agora, em entrevista para a equipe da missão International Christian Concern, os dois pastores   falaram sobre o que acontece no país.
Yat conta que foi preso um dia depois de ter pregado numa igreja na capital Cartum. “Eu não tinha ideia que o Sudão tinha declarado a guerra contra os cristãos”, relata. Durante o tempo que ficou preso ele conversou com muitas pessoas e ouviu muita coisa das autoridades.
Segundo ele, o governo sudanês não quer cristãos no país, especialmente aqueles que sabem falar fluentemente o árabe, pois “temem que possam facilmente chegar aos muçulmanos e conquistá-los para Cristo”.
Insiste que esse é o real motivo pelo qual o Sudão está demolindo igrejas e prendendo todos os líderes cristãos por um simples motivo: o temor que os muçulmanos se convertam a Jesus Cristo. “Eles não permitem que os pastores cheguem até os muçulmanos em Cartum, Darfur e as montanhas de Nuba, áreas estritamente dominadas por muçulmanos”, resume.
O pastor Reith lembra que todos viviam em um só país, mas que o Norte historicamente sempre foi dominado pelos islâmicos. Uma guerra sangrenta durou cerca de 12 anos. No final, o Sudão do Sul conseguiu sua independência e muitos cristãos mudaram-se para lá, fugindo da perseguição.
Embora a paz tenha sido declarada seis anos atrás, o Sudão continua impondo dura  perseguição aos cristãos que continuaram no país. Nos últimos meses, dezenas de pastores foram presos pelo governo sudanês, a maioria acusado falsamente de atentar contra a segurança nacional.

O Sudão aparece como o quinto com maior perseguição do mundo em 2017 na lista da Portas Abertas. Desde 1993 que ele sempre aparece entre os 20 primeiros.