segunda-feira, 3 de outubro de 2016





Joel - Capítulo 2


Neste capítulo o profeta Joel continua alertando o povo de Jerusalém acerca da iminente invasão dos inimigos. Ele proclama a necessidade de um arrependimento nacional para que o mal predito não sobreviesse sobre o povo e a cidade de Sião ( Jl 2:1 -27).
Após o alerta, o profeta anuncia que Deus dará, sem medida, do seu Espírito aos homens (derramar), e faz referência a vários períodos históricos que ainda estavam por vir ( Jl 2:28 -32).

1 TOCAI a trombeta em Sião, e clamai em alta voz no meu santo monte; tremam todos os moradores da terra, porque o dia do SENHOR vem, já está perto;
Tudo que foi apresentado no capítulo 1 é novamente apresentado no capítulo 2, porém, o tempo verbal muda. Neste capítulo a visão demonstra que a invasão inimiga está para ocorrer, ou seja, apresenta um alerta, enquanto no primeiro capítulo a visão apresenta uma calamidade instalada, demonstrando que a atitude do povo (embriagados) condizia com uma realidade caótica.
O capítulo 1 começa com o clamor do profeta “Ouvi isto, vós anciões, escutai, todos os moradores da terra" ( Jl 1:2 ), o capítulo 2 também: “Tocai a trombeta em Sião, e daí o alarma no meu santo monte Sião...” ( Jl 2:1 ).
Lembre-se que a divisão em capítulos e versículo simplesmente foram adotas para fins didáticos e de referência, visto que os livros da bíblia devem ser considerados no todo, sem divisões de qualquer espécie.
O profeta Joel conclama os moradores de Sião a apresentar-se para a batalha. – ‘Tocai a trombeta, daí o alarma em Jerusalém’, pois o dia que pertence ao Senhor estava próximo.
O dia do Senhor faria com que todos os moradores do mundo tremessem ( Jl 1:15 ). Enquanto no capítulo 1 a visão do profeta apresenta a nação de Israel aviltada em decorrência de uma invasão estrangeira, no capítulo 2 a visão descreve a mesma invasão como sendo iminente.

2 Dia de trevas e de escuridão; dia de nuvens e densas trevas, como a alva espalhada sobre os montes; povo grande e poderoso, qual nunca houve desde o tempo antigo, nem depois dele haverá pelos anos adiante, de geração em geração.
O profeta descreve o dia do Senhor como sendo de ‘trevas’ e de ‘escuridão’; dia de nuvens e densas trevas. A intensidade das trevas é comparada a alva que se espalha pelos montes ‘...como a alva espalhada pelos montes’ (v. 2).
Por que o dia do Senhor seria de escuridade? A resposta vem a seguir: “... povo grande e poderoso, qual nunca houve desde o tempo antigo, nem depois dele haverá pelos anos adiante, de geração em geração” ( v. 2), haveria de invadir Jerusalém.
O profeta dá a entender que a escuridade se dará como por nuvens que encobrem o sol (alva), ou seja, é uma clara referencia a invasão da nação inimiga, que no capítulo 1 foi descrita e comparada a uma invasão de gafanhotos.
No capítulo 1 o profeta viu o que restou da invasão de gafanhotos ( Jl 1:4 ), já no capítulo 2 ele descreve a chegada dos invasores como ‘nuvens’, pois a invasão dos ‘gafanhotos’ se assemelha as ‘nuvens’ quando encobrem a luz solar.
A invasão prenunciada foi representada por gafanhotos, porém, ela se daria por um povo, uma nação (Heb ‘am, uma coletividade, um povo, uma nação).
A quantidade de homens e o poder bélico do povo invasor seria algo jamais visto, informação que nos permite entender a pergunta feita no capítulo 1: “Aconteceu isto em vossos dias, ou também nos dias e vossos pais?” ( Jl 1:2 ). A resposta para a pergunta é: “... povo grande e poderoso, qual nunca houve desde o tempo antigo, nem depois dele haverá pelos anos adiante, de geração em geração” ( Jl 2:2 ).

3 Diante dele um fogo consome, e atrás dele uma chama abrasa; a terra diante dele é como o jardim do Éden, mas atrás dele um desolado deserto; sim, nada lhe escapará.
O profeta descreve a frente de batalha do exército invasor como ‘fogo que consome’, e a retaguarda como ‘chama que abrasa’. Ele compara a terra a ser conquistada pelos invasores com o ‘Jardim do Éden’, mas após passar o invasor, haverá somente um deserto desolador.
Nada escapa ao inimigo invasor (devorador)!

4 A sua aparência é como a de cavalos; e como cavaleiros assim correm.
A aparência não diz da aparência física, antes aponta para a força e a agilidade dos invasores. São velozes e fortes como cavalos, porém, organizados como cavaleiros.

5 Como o estrondo de carros, irão saltando sobre os cumes dos montes, como o ruído da chama de fogo que consome a pragana, como um povo poderoso, posto em ordem para o combate.
Os obstáculos são vencidos facilmente, como o som que ultrapassa qualquer barreira. Observe o comparativo: eles não saltarão os obstáculos com os seus carros, antes como o ‘estrondo’ de carros (som), irão saltando por sobre os montes.
Os ‘montes’ neste verso refere-se às nações. Por exemplo: Israel é o monte santo do Senhor, ou seja, a nação santa. Observe a pergunta que o salmista Davi faz aos montes e outeiros: "Montes, que saltastes como carneiros, e outeiros, como cordeiros?" ( Sl 114:6 ), ou seja, a pergunta dele foi feita as nações, que figuram como montes e outeiros.
O povo invasor haveria de sobrepujar os obstáculos erguidos pelas nações, submetendo-as ao seu domínio (v. 6 e 7).
Observe as comparações estabelecidas pelo profeta:
  • Aparência como de cavalos – Força;
  • Como Cavaleiros correm – Agilidade;
  • Como estrondo de carros – Não há barreiras;
  • Como o ruído da chama do fogo – Destruição.
Em resumo: Como um povo poderoso e em ordem para a guerra! As características do povo invasor se assemelham a dos gafanhotos: fortes, ágeis, sem empecilhos que os detenham e destruidores vorazes.

6 Diante dele temerão os povos; todos os rostos se tornarão enegrecidos.
As nações temem diante do povo invasor. O temor tomará Jerusalém e as nações em redor. Todos ficarão pálidos, congelados pelo terror.

7 Como valentes correrão, como homens de guerra subirão os muros; e marchará cada um no seu caminho e não se desviará da sua fileira.
Este verso ilustra o verso 5.
O exército invasor é descrito como ‘valente’ e ‘velozes’ (como valentes correrão). Como homens de guerra subirão os muros, ou seja, não há obstáculo para eles, pois são ‘adestrados’ na arte da guerra.
A descrição seguinte é própria aos gafanhotos: marchará cada um no seu caminho e não se desviará da sua fileira.

8 Ninguém apertará a seu irmão; marchará cada um pelo seu caminho; sobre a mesma espada se arremessarão, e não serão feridos.
Apesar de numerosos, não se atrapalham na batalha. Cada um tem função específica, e mesmo que se arremessem sobre a espada do inimigo, contudo ‘não serão feridos’. O que isto quer dizer? Que o comportamento deles se assemelha a dos gafanhotos, que ‘doam’ as suas vidas para que os outros obtenham êxito na empreitada beligerante.

9 Irão pela cidade, correrão pelos muros, subirão às casas, entrarão pelas janelas como o ladrão.
Os inimigos invadirão as cidades, correrão pelos muros (na antiguidade os muros eram largos Ne 12:31 -38), subirão casa por casa e agirão como o ladrão.

10 Diante dele tremerá a terra, abalar-se-ão os céus; o sol e a lua se enegrecerão, e as estrelas retirarão o seu resplendor.
Diante do exercito invasor os homens (terra) tremeriam, pois perderiam a confiança (abalar os firmamentos). Assim como o enxame de gafanhotos enegrecem o sol e a lua, a ação dos invasores dissiparia a luz da esperança que sustem os povos.

11 E o SENHOR levantará a sua voz diante do seu exército; porque muitíssimo grande é o seu arraial; porque poderoso é, executando a sua palavra; porque o dia do SENHOR é grande e mui terrível, e quem o poderá suportar?
O terrível exército pertence ao Senhor, pois Ele é que dá a ordem (executando a sua palavra) para a invasão. O arraial (acampamento) do exército a serviço do Senhor é muitíssimo grande.
O exercito inimigo executará a palavra do Senhor, e, portanto, é poderoso. A força e o poder do exército decorrem da palavra do Senhor.
Diferente de Judá e Israel, que se diziam povo do Senhor, mas que não obedeciam a sua voz, o Senhor tem o exercito invasor como sua propriedade.
Novamente o profeta faz referência ao dia do Senhor, descrevendo-o como grande e terrível ( Jl 1:15 ; Jl 2:1 ).

12 Ainda assim, agora mesmo diz o SENHOR: Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, e com choro, e com pranto.
Apesar da palavra do Senhor anunciar calamidades sobre Jerusalém, o Senhor apresenta a sua misericórdia “Ainda assim, agora mesmo...” ( v. 12).
Por intermédio do profeta, Deus conclama o povo a conversão: “Convertei-vos a mim de todo o vosso coração...” (v. 12). Como se converte ao Senhor de todo o coração?
O profeta Moisés é claro: "E o SENHOR teu Deus circuncidará o teu coração, e o coração de tua descendência, para amares ao SENHOR teu Deus com todo o coração, e com toda a tua alma, para que vivas" ( Dt 30:6 ).
Somente quando Deus circuncida o coração do homem é possível amá-lo de todo o coração e de toda a alma, pois somente após a circuncisão de Deus o homem morre e passa a viver para Deus.
Ora, o povo procurava cumprir a lei, pois circuncidavam o prepúcio da carne dos seus filhos, porém, sujeitarem-se Aquele que faz a circuncisão que dá vida crendo na sua palavra, não se sujeitavam. Portanto, não havia como eles amarem a Deus através de seus sentimentos, ações e esforços.
A conversão do homem deve ocorrer no tempo presente, deve ser agora, pois hoje é o dia sobre modo aceitável, o dia de salvação.

13 E rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao SENHOR vosso Deus; porque ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e se arrepende do mal.
Era costume dos israelitas rasgarem as suas vestes, porém, Deus queria que eles rasgassem o coração (circuncisão do coração).
Somente quando o homem 'rasga' o coração é que ocorre a verdadeira conversão. A ‘circuncisão’ do prepúcio, o ‘rasgar’ vestes, os ‘jejuns’ de alimento e os 'sacrifícios' de animais não tornava o povo de Israel agradável a Deus, pois a verdadeira circuncisão é Deus que faz.
Somente Ele tem o poder de rasgar o velho coração e dar um novo coração ( Sl 51:10 : Dt 30:6 ).
Quais os sacrifícios que Deus se agrada? “Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus” ( Sl 51:17 ).
Porém, o povo de Israel, apesar de:
  • Procurarem dia a dia a Deus;
  • Ter prazer em querer saber os seus caminhos;
  • Ser um povo que buscam praticar justiça, e que;
  • Não deixava o mandamento de Deus.
Contudo, não serviam a Deus com entendimento ( Is 58:2 ; Rm 10:2 ). Eles estavam confiados que as suas ações como ir ao templo, estudar a lei, praticar justiça aos companheiros, etc., os tornariam agradáveis a Deus. Apoiavam-se numa justiça própria, mas não confiavam em Deus, que é misericordioso, compassivo, tardio em irar-se, benigno e que se arrepende do mal, independentemente das ações dos homens.

14 Quem sabe se não se voltará e se arrependerá, e deixará após si uma bênção, em oferta de alimentos e libação para o SENHOR vosso Deus?
O profeta anuncia que, caso o seu povo se arrependesse, Deus seria favorável. Além de não mandar o mal descrito nos versos anteriores, abençoaria o povo.
Dos versos 12 ao 14 houve uma pausa na profecia, e foi introduzido um convite à conversão. Mesmo sendo descrito algo iminente, caso se arrependessem dos seus conceitos, Deus haveria de socorrê-los.

15 Tocai a trombeta em Sião, santificai um jejum, convocai uma assembléia solene.
O povo foi alertado do perigo iminente ( Jl 1:2 e Jl 2:1 a Jl 2:11 ), e após, é ofertado livramento (v. 12 à 14). Agora, novamente são concitados a reunirem-se ao som da trombeta, mas desta vez, que deixassem as suas atividades regulares e atendessem o chamado do Senhor (assembléia solene).

16 Congregai o povo, santificai a congregação, ajuntai os anciãos, congregai as crianças, e os que mamam; saia o noivo da sua recamara, e a noiva do seu aposento.
Que o povo viesse ao encontro do Senhor! Tanto anciões, quanto crianças, recém nascidos, noivo e noivas, todos deveriam deixar o que entendiam por importante, e que se voltasse para Deus.

17 Chorem os sacerdotes, ministros do SENHOR, entre o alpendre e o altar, e digam: Poupa a teu povo, ó SENHOR, e não entregues a 



tua herança ao opróbrio, para que os gentios o dominem; porque diriam entre os povos: Onde está o seu Deus?
Após o povo reunirem-se, que os sacerdotes se posicionassem no templo e rogassem ao Senhor por misericórdia. Qual deveria ser a oração do sacerdote?
  • Para o Senhor poupar o seu povo;
  • Que não fossem entregues ao opróbrio;
  • Que os gentios não dominassem sobre eles;
  • Que Deus evitasse a zombaria dos povos, que diriam: Onde está o seu Deus?
A mudança no tempo verbal, do verso 17 para o verso 18, dá a entender que Israel não se arrependeu e que Deus os entregou ao inimigo.
As calamidades descritas no capítulo 1 e 2 acabaram por vir sobre Jerusalém, e posteriormente Deus se mostrará compassivo com Israel.
As bençãos descritas a seguir, verso 18 a 27, serão concedidas a Israel como nação no milênio, quando Cristo se assentar no trono de sua glória. Elas foram anunciadas logo após a mensagem de arrependimento do profeta, uma vez que, caso arrependessem, desfrutariam destas beatitudes.
Geralmente quando os profetas apregoavam a necessidade de arrependimento (mudança de entendimento acerca de alguma matéria), o povo se aplicavam as mesmas coisas do passado: ritos, lei, sacrifícios, orações, etc.
O verdadeiro arrependimento, que é o rasgar do coração, não buscavam, continuavam em suas praticas antigas, que consistia em rasgar a suas vestes pelos vários jejuns que promoviam ( Jl 2:13 ).
O que era exigido deles, somente Deus pode realizar, que é a circuncisão do coração, o mesmo que rasgá-lo ( Dt 10:16 ; Jr 4:4 ). Se eles abandonassem as suas práticas legalistas, ritualistas e formalistas e fizessem como o salmista Davi, confiassem no Senhor, Deus haveria de realizar o necessário: criaria um novo coração e lhes daria um novo espírito ( Sl 51:10 ).
Somente Deus pode dar um novo coração e um novo espírito aos homens, desde que se arrependam, ou seja, deixem de recorrer as práticas que eram próprias aos seus pais ( Sl 51:16 ).

18 Então o SENHOR se mostrou zeloso da sua terra, e compadeceu-se do seu povo.
O profeta anuncia um tempo em que o Senhor se mostraria zeloso da terra e se compadeceria do seu povo.
Observe que o tempo verbal da profecia muda deste verso em diante, e apresenta o socorro do Senhor de modo atual, do mesmo modo que foi apresentada a invasão de gafanhotos no capítulo 1.
Do mesmo modo que o profeta Joel viu e descreveu profeticamente a invasão inimiga e a escassez de alimento, agora ele descreve profeticamente a condição do povo sob o favor de Deus.

19 E o SENHOR, respondendo, disse ao seu povo: Eis que vos envio o trigo, e o mosto, e o azeite, e deles sereis fartos, e vos não entregarei mais ao opróbrio entre os gentios.
O Senhor responde o clamor do seu povo e restitui o sustento (pão), a alegria (mosto) e o culto (azeite). O povo será farto de sustento, alegria e culto, e não mais seriam entregues aos gentios.
O profeta concita o povo de Israel a clamar, porém, temos aqui uma profecia para um tempo distante, visto que somente no período da grande tribulação, quando se cumprir a última semana profetizada por Daniel, o povo se reunirá para clamar ( Zc 12:10 ), e o cumprimento da promessa de que não mais serão entregues ao opróbrio dos gentios se cumprirá cabalmente com a implantação do reino do Messias (v. 15 a 19).

20 Mas removerei para longe de vós o exército do norte, e lançá-lo-ei em uma terra seca e deserta; a sua frente para o mar oriental, e a sua retaguarda para o mar ocidental; e subirá o seu mau cheiro, e subirá a sua podridão; porque fez grandes coisas.
Os exércitos invasores de Israel geralmente vem do norte ( Ez 38:6 -15). Deus promete lançar o exercito invasor para uma terra sem vida e deserta. A frente para o mar morto e a retaguarda para o mediterrâneo ( Jl 2:3 ).
Tal descrição encaixa-se na profecia de Zacarias ( Zc 14:12 –13).

21 Não temas, ó terra: regozija-te e alegra-te, porque o SENHOR fez grandes coisas.
Os homens (terra) de Israel não deveriam temer (Heb ‘a dhãmâh, refere-se a terra vermelha da qual o primeiro homem, Adão Heb ‘ãdãm, foi feito). O povo deveria trocar o medo pela confiança, pois só regozijam e alegram os que confiam no Senhor.

22 Não temais, animais do campo, porque os pastos do deserto reverdecerão, porque o arvoredo dará o seu fruto, a vide e a figueira darão a sua força.
Os animais do campo voltariam a pastar e as árvores a darem o seu fruto. A vide e a figueira (Israel e Judá), por sua vez, voltará ao seu vigor, apresentará a sua força.

23 E vós, filhos de Sião, regozijai-vos e alegrai-vos no SENHOR vosso Deus, porque ele vos dará em justa medida a chuva temporã; fará descer a chuva no primeiro mês, a temporã e a serôdia.
Os filhos de Jerusalém regozijarão e alegrarão no Senhor, ou seja, a confiança não do povo em Deus será retribuída com chuvas ao seu tempo.

24 E as eiras se encherão de trigo, e os lagares transbordarão de mosto e de azeite.
Como as chuvas serão continuas e pontuais, não faltará trigo (pão), mosto (alegria, confiança) e azeite (unção).

25 E restituir-vos-ei os anos que comeu o gafanhoto, a locusta, e o pulgão e a lagarta, o meu grande exército que enviei contra vós.
Através desta promessa é possível inferir que o gafanhoto cortador, o gafanhoto migrador, o gafanhoto devorador e o gafanhoto destruidor referem-se a quatro reinos distintos, mas que, por sua vez, constituem o grande exercito que seria enviado por Deus contra o povo de Israel e que abateria as nações.
Como a promessa de restauração nacional nos versos 26 e 27 dão conta que o povo nunca mais seria envergonhado, temos que ‘os anos que a cidade de Sião’ foi assolada refere-se a quatro grandes impérios que subjugaram os povos no passado da humanidade: Império Babilônico, Império Medo-Persa, Império Macedônico e o Império Romano (Daniel 2).
No capítulo 1 o profeta demonstra a invasão dos gafanhotos em quatro levas distintas, e no capítulo 2 somos informados que tais invasores constituem-se o grande exército do Senhor ( Jl 2:11 ). Ora, os reinos que se levantaram no passado, segundo os profetas, estavam todos a serviço do Deus de Israel na condição de vara de correção do Senhor para todos os povos.
Obs.: Alguns pregadores utilizam de forma equivocada a figura dos gafanhotos, que ilustram somente a invasão de nações inimigas, como sendo a ação de demônios na vida financeira daqueles que não contribuem com a organização que representam.
“A Bíblia nos fala de quatro legião de demônios que trabalham na área de maldição, estes demônios são chefiados pelo príncipe chamado Belzebú (...) Nesta situação, o profeta insistiu com o povo que se voltasse para o Senhor, com arrependimento sincero. ‘Cada tipo de gafanhoto representa uma legiões de demônios que age na vida do homem, em seu patrimônio, em suas riquezas, bens e sálários!’” Conheça o Mundo Espiritual, Anacleto Pereira da Cruz, 10° edição, Design Bureau Ltda, Editor Pr. Anacleto, Pág. 54.

26 E comereis abundantemente e vos fartareis, e louvareis o nome do SENHOR vosso Deus, que procedeu para convosco maravilhosamente; e o meu povo nunca mais será envergonhado.
O profeta do Senhor anuncia que haveriam de comer abundantemente e que seriam fartos, e seriam constituídos em louvor ao nome do Senhor. O Senhor haveria de proceder de modo maravilhoso e nunca mais seriam envergonhados.

27 E vós sabereis que eu estou no meio de Israel, e que eu sou o SENHOR vosso Deus, e que não há outro; e o meu povo nunca mais será envergonhado.
Após os feitos do Senhor, o povo de Israel compreenderia que o Senhor é o Deus de Israel. Entenderiam que não há outro Deus e nunca mais seriam envergonhados.

28 E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões.
Há um novo salto temporal na profecia.
Após ser anunciada a invasão inimiga ( Jl 1:4 -20 ; Jl 2:1 -11), a necessidade de arrependimento ( Jl 2:12 ) e a restauração do povo após a invasão inimiga ( Jl 2:18 -27), temos um novo evento em um tempo estabelecido como sendo ‘depois’.
A expressão traduzida do hebraico para ‘depois’, refere-se à época messiânica, ou seja, é o mesmo que ‘nos últimos dias’, conforme o apóstolo Pedro interpreta em Atos 2 ( At 2:17 ).
Muito tempo depois, quando da restauração nacional de Israel, o Senhor promete derramar (concedê-lo sem medida) o seu Espírito sobre todos os homens, sem exceção, e os filhos e as filhas de Israel profetizariam, e os velhos teriam sonhos, e os jovens teriam visões da parte do Senhor.
O apóstolo Pedro cita 5 versos de Joel e os relaciona com o evento que se deu em Jerusalém no dia da festa do Pentecoste ( At 2:1 ). Do mesmo modo que na restauração de Israel o Espírito do Senhor seria derramado, semelhantemente o Espírito do Senhor foi derramado no dia da festa de Pentecoste, e muitos profetizaram e falaram em novas línguas.
Os discípulos estavam reunidos em um mesmo lugar no dia de Pentecoste (festa judaica), quando ouviram um som comparável a um vento forte (impetuoso) que tomou conta do recinto (casa).
Em seguida, os que ali estavam reunidos viram uma espécie de labaredas (línguas repartidas) comparável ao fogo, e estas pousavam sobre cada um dos que ali estavam reunidos.
Todos que ali estavam reunidos foram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em vários idiomas. A idéia da palavra ‘cheio’ diz de pleno, de plenitude. Refere-se ao que o apóstolo João anunciou: “Da sua plenitude recebemos, graça sobre graça” ( Jo 1:16 ; Cl 2:10 ).
Ou seja, da mesma forma que Jesus anunciou que ‘o Espírito do Senhor estava sobre Ele’ ( Lc 4:18 ), todos os cristãos passaram a estar cheios, plenos do Espírito Eterno, visto que tornaram-se templo e morada do Espírito ( 1Co 3:16 ).
Os turistas, por ocasião da festa do ‘Pentecoste’, que visitavam Jerusalém, ficaram perplexos ao ouvirem galileus falarem os seus idiomas ( At 2:6 ), e o apóstolo Pedro, diante de tamanho alvoroço, posicionou-se diante da multidão e demonstrou que, aquele evento em particular tinha relação com o que o profeta Joel havia anunciado ( At 2:16 ).

29 E também sobre os servos e sobre as servas naqueles dias derramarei o meu Espírito.
O apóstolo Pedro demonstrou que o Espírito do Senhor estava sendo derramado sobre todos os povos, até mesmo sobre os servos e as servas. Os versos 28 e 29 estão intimamente ligados.
O profeta Joel demonstra que o Espírito seria derramado sobre os filhos e as filhas do seu povo, e que também os servos e as servas seriam agraciados com o Espírito. Isto demonstra que, para Deus não há acepção de pessoas, visto que, os servos do povo do profeta eram como os estrangeiros, põem, até mesmo os gentios seriam agraciados com o Espírito ( Rm 10:12 ).
O Senhor promete enviar do seu Espírito sobre judeus e gentios.

30 E mostrarei prodígios no céu, e na terra, sangue e fogo, e colunas de fumaça.
Muitos milagres e maravilhas seriam operados por Deus no dia em que o Espírito do Senhor fosse derramado. O Senhor Jesus quando esteve na terra operou sinais e prodígios em meio ao povo demonstrando a chegada do reino de Deus "Mas, se eu expulso os demônios pelo dedo de Deus, certamente a vós é chegado o reino de Deus" ( Lc 11:20 ).

31 O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e terrível dia do SENHOR.
Este verso introduz um novo salto temporal na narrativa do profeta Joel. Antes que venha o ‘grande e terrível dia do Senhor’, o sol ficará escuro e a lua avermelhada ( Jl 3:15 ).
O profeta deixa de fazer referência ao período messiânico e passa para um período apocalíptico. O ‘grande e terrível dia’ só se dará após o Espírito do Senhor ser derramado sobre os homens em toda a terra, ou seja, após a vinda do Messias.

32 E há de ser que todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo; porque no monte Sião e em Jerusalém haverá livramento, assim como disse o SENHOR, e entre os sobreviventes, aqueles que o SENHOR chamar.
O apóstolo Paulo cita este verso em Romanos 10:13, após afirmar que Deus não faz acepção de pessoas ( Rm 10:12 ).
Ao falar ‘daqueles dias’ em que Deus derramaria o Seu Espírito, que é antes do tempo descrito como o grande e terrível dia do Senhor, o profeta Joel demonstra que, todo (qualquer que) clamar o Senhor haveria de ser salvo.
Como situar no tempo a expressão ‘e há de ser...’? O ‘há de ser...’ contempla o período entre o derramamento do Espírito e o grande e terrível dia do Senhor. Neste período de tempo específico, qualquer pessoa, seja judia ou gentil, que clamar o Senhor, é salvo.
O que entendemos por ‘clamar’? Clama aquele que confia. O clamor é expressão de confiança por parte de quem clama ( Sl 55:16 ). Só se confia e clama quando se entende que Deus está perto ( Is 55:6 ).
Qualquer que confiar (crer) no Senhor será salvo ( Rm 10:13 e Jo 3:16 ; At 16:31 ).
Por que qualquer que invocar será salvo? Porque no monte Sião e em Jerusalém haverá salvação (livramento). Este trecho contém uma referência implícita ao Messias, pois ‘a salvação virá de Sião’ ( Is 59:20 ; Rm11:26 ).
‘Todo aquele que invocar o nome do Senhor’ é expressão que abrange os gentios, que serão salvos ‘assim como disse o Senhor’ ao anunciar o evangelho a Abraão “Todas as nações serão benditas em ti” ( Gl 3:11 ).
Neste período de tempo, chamado pelo apóstolo Paulo de ‘plenitude dos gentios’ , dentre os remanescentes de Israel também haverá salvação para os que atenderem o chamado do Senhor “...e entre os sobreviventes, aqueles que o SENHOR chamar” (v. 32 ; Rm 11:25 ; Is 20:22 ).











Vós sois templo de Deus

Destaque novamente que os seus ouvintes são templos de Deus, uma vez que antes de terem um encontro com Cristo eram pobres (necessitados) de espírito. Que todos foram limpos pela palavra do evangelho, tendo em vista que Deus concede aos que ouvem a sua palavra um novo coração e um novo espírito ( 1Pe 1:22 ). Que após obter um novo coração e um novo espírito, o homem é templo de Deus, pois Deus coloca dentro deles o seu Espírito.

“Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” ( 1Co 3:16 )
Este é um esboço que tem por base uma construção temática que dá forma a um sermão expositivo.
O verso em destaque apresenta dois temas a serrem abordados pelo pregador:
  1. Os cristãos são templo de Deus “... vós que sois o templo de Deus...” ( 1Co 3:16 ), e;
  2. Deus fez dos cristãos o lugar de sua habitação “... o Espírito de Deus habita em vós” ( 1Co 3:16 ).
Os temas possuem uma relação de interdependência, visto que, uma vez que Deus ‘habita’ o templo, o templo ‘pertence’ a Deus. É impossível ser templo de Deus se Deus não habitar o homem, ou é impossível Deus habitar o homem se o homem não for templo do Altíssimo.
Antes de abordar este tema em público, o pregador precisa estar inteirado de todas as nuances que compõe a ideia de ‘templo’ de Deus sem associá-la a concepção de um templo construído por mãos humanas que serve somente como local para as reuniões solenes.
O pregador deve analisar a pergunta feita pelo apóstolo Paulo aos cristãos em Corintos e estar cônscio de como o homem e 'construído' como templo, e porque o Espírito de Deus passa a habitá-lo.
Quando se postar diante dos ouvintes, o pregador deve ler pausadamente o texto base, enfatizando a ideia contida na pergunta e buscar tornar evidente os elementos que dá corpo a pergunta. Se possível, que os ouvintes leiam em voz alta o verso em pauta.
Como expositor da palavra de Deus, esta pergunta deverá ser refeita várias vezes no transcorrer da pregação, o que demanda da parte do pregador colocá-la em destaque.
Para destacar a pergunta feita pelo apóstolo Paulo, basta fazer os ouvintes retroagirem no tempo. Como? Demonstrando que, se o apóstolo Paulo fez a pergunta, isto demonstra que os leitores da carta (os corintos) desconheciam que eram ‘templos de Deus’ e que o Espírito de Deus fez neles morada (habitação).
Faça estas perguntas aos seus ouvintes: - Você é templo de Deus? O Espírito de Deus habita em você? Há alguém aqui que desconhece que é templo de Deus? Deus habita em você?
Em primeiro lugar, como expositor da palavra de Deus, conscientize os seus ouvintes de que o apóstolo Paulo não inventou os conceitos de templo e habitação do Senhor.
Em que se baseou o apóstolo Paulo para afirmar que os cristãos são templos de Deus? De onde ele tirou tal concepção doutrinária? Quais são as garantias de que os que creem em Cristo são verdadeiramente templos de Deus?
Convide os seus ouvintes a lerem o profeta Isaias no capítulo 57, verso 15:
“Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar habito; como também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos” ( Is 57:15 ).
A exposição deve ser gradativa, e destaque o seguinte do verso acima:
  • Quem está dizendo por intermédio do profeta Isaias? Demonstre que a promessa foi feita por Deus “Porque assim diz o Alto e Sublime...”;
  • Destaque onde Deus habita e o nome de Deus – Deus habita na eternidade e o seu nome é Santo “... que habita na eternidade, e cujo nome é Santo”!
  • O que Deus diz? “Num alto e santo lugar habito” – Destaque que Deus habita a eternidade, ou seja, que os céus dos céus é o lugar de habitação de Deus;
  • Porém, da mesma forma que Ele habita num alto e santo lugar, Deus também diz habitar com o contrito e abatido de espírito. Vale destacar que o ‘contrito’ e ‘abatido’ de espírito corresponde aos ‘pobres de espírito’ que Jesus destacou como sendo bem-aventurados no Sermão do Monte ( Mt 5:3 );
  • Mas, porque Deus habita o coração dos contritos e abatidos? A resposta de Deus é clara: Deus passa a habitar no coração dos contritos e abatidos de espírito para lhes conceder vida “... para vivificar o espírito dos abatidos e para vivificar o coração dos contritos”.
  • Destaque desta forma que o apóstolo Paulo somente estava expondo a mesma verdade anunciada pelos profetas.
  • Mas, por que é necessário expor a verdade do evangelho? Porque somente através da ‘palavra de Deus’, que é Cristo, o ‘Verbo encarnado’, é que Deus vivifica o cora&cced 



    il;ão do homem quando passa a habitá-lo. 
Compare estes versos:
“Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar habito; como também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos” ( Is 57:15 ).
“Inclinai os vossos ouvidos, e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá; porque convosco farei uma aliança perpétua, dando-vos as firmes beneficências de Davi” ( Is 55:3 ).
Desta que:
  • Para ir (se achegar) a Deus, basta inclinar os ouvidos;
  • Se ‘der’ ouvido à palavra de Deus o homem viverá, ou seja, cumpre-se o predito em Isaias 57, verso 15;
  • Tudo isto ocorre porque Deus estabeleceu em Cristo uma aliança eterna, concedendo aos homens que n’Ele creem as mesmas beneficências que foram concedidas a Davi.
Aponte o profeta Ezequiel como mensageiro da mesma mensagem, e leia pausadamente os seguintes versos:
“Então aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei. E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis” ( Ez 36:25 -27 ).
Vale destacar aos seus ouvintes que eles são templos e habitação de Deus porque Ele prometeu:
  • Deus é quem fez a promessa – “Então aspergirei...”;
  • Deus prometeu aspergir água pura, ou seja, ‘água pura’ refere-se a palavra de Deus – destaque que todos cristãos estão limpos pela palavra de Deus "Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado" ( Jo 15:3 );
  • Demonstre que Deus fez tudo novo: novo nascimento, nova vida, nova criatura, nova natureza, pois foi criado um novo coração e um novo espírito ( 2Co 5:17 );
  • Deus colocará dentro dos homens o seu Espírito.
Destaque novamente que os seus ouvintes são templos de Deus, uma vez que antes de terem um encontro com Cristo eram pobres (necessitados) de espírito. Que todos foram limpos pela palavra do evangelho, tendo em vista que Deus concede aos que ouvem a sua palavra um novo coração e um novo espírito ( 1Pe 1:22 ). Que após obter um novo coração e um novo espírito, o homem é templo de Deus, pois Deus coloca dentro deles o seu Espírito.
Destaque também que o salmista Davi detinha tal conhecimento, pois ele disse:
“Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto” ( Sl 51:10 )
Demonstre que o salmista Davi sabia que somente Deus pode criar (verbo bara) no homem um novo coração e um novo espírito, ou seja, na regeneração Deus cria tudo novo. Demonstre que o pedido do salmista é conforme o anunciado por Isaias e Ezequiel.
Mas, porque Deus cria tudo novo? Para que o Espírito do Senhor habite o seu ser, ou seja, para que o Espírito de Deus permaneça fazendo do homem morada ( Sl 51:11 ).
Destaque que os seus ouvintes são templo de Deus porque Cristo assim prometeu:
“Jesus respondeu, e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada“ ( Jo 14:23 ).
Ou seja, aquele que ouviu a palavra de Deus passou a viver ( Is 55:3 ); está limpo pela palavra anunciada ( Ez 36:25 ; Jo 15:3 ); alcançou um novo coração e um novo espírito; tudo se fez novo; o Pai e o Filho fazem nele morada "Jesus respondeu, e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada" ( Jo 14:23 ).
Enfatize: Sóis templo de Deus e o Espírito de Deus habita em vos!
Se possível, pode ser destacado também o exposto em Ef 2:21 -22 e Hb 3:6 .
“Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina; No qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor. No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito” ( Ef 2:20 -22).
“Mas Cristo, como Filho, sobre a sua própria casa; a qual casa somos nós, se tão somente conservarmos firme a confiança e a glória da esperança até ao fim” ( Hb 3:6 )

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Como falar a verdade e executar juízo de verdade e paz?

Falar de Cristo é oferecer o fruto da árvore da vida em bandeja de prata ( Pv 11:30 ; Pv 10:20 ; Pv 25:11 ). É produzir muito fruto, e todos que dele tornam-se participantes são de novo criados (bara) em verdadeira justiça e santidade! Tornam-se uma nova criatura, pois tudo se faz novo! É criado um novo coração e um novo espírito ( Ef 4:24 ; 2Co 5:17 ; Is 57:15 ; Sl 51:10 ; Ez 36:26 ). 

"Por isso deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo; porque somos membros uns dos outros" ( Ef 4:25 )

A Bíblia enaltece a ideia da verdade a ponto de expressar que ‘Deus é a verdade’, e que ‘conhecer a verdade liberta o homem do pecado’, ou seja, apresenta uma ideia de verdade muito além do conceito de verdade disseminado no mundo e pouco conhecido no meio cristão.
Diante do que a Bíblia propõe não podemos aceitar que buscar eliminar as imprecisões terminológicas no trato do dia-a-dia constitui-se a verdade que liberta, ou que deixar tais imprecisões é o mesmo que deixar a mentira, conforme recomendou o apóstolo dos gentios ( Ef 4:25 ).
Cabe aos zelosos pela palavra de Deus se debruçar a uma análise mais apurada do que a Bíblia propõe.
Mesmo após Abraão mentir para Abimeleque, Deus interveio em defesa do patriarca e deu testemunho de que era seu amigo, o que demonstra que a mentira de Abraão não o tornou amigo do mundo ( Tg 4:4 ; Gn 12:13 ; Is 41:8 ).
Abraão recebeu testemunho de Deus de que era seu amigo mesmo não cumprindo, aparentemente, a determinação que nos é imposta: "Estas são as coisas que deveis fazer: Falai a verdade cada um com o seu próximo; executai juízo de verdade e de paz nas vossas portas" ( Zc 8:16 )?
Não é proibido mentir? Ele não devia ser justo? Não é essencial que se promova e mantenha a paz com o próximo?
Não estou em defesa do mentiroso ou da mentira, pois as imprecisões terminológicas trazem muito prejuízo às relações humanas no cotidiano, sendo a vergonha uma de suas consequências quando se é desmascarado, como ocorreu com o patriarca, e a perda da credibilidade "Então chamou Abimeleque a Abraão e disse-lhe: Que nos fizeste? E em que pequei contra ti, para trazeres sobre o meu reino tamanho pecado? Tu me fizeste aquilo que não deverias ter feito" ( Gn 20:9 ).
Entretanto, tais questões são de somenos importância diante da pergunta: O que o homem deve fazer para alcançar o testemunho de Deus como Abraão alcançou? Como falar a verdade e executar juízo de verdade e de paz?
O apóstolo Paulo ao fazer alusão à mensagem do profeta Zacarias quando escreveu aos cristãos em Éfeso demonstrou que, ‘falar a verdade’ com o próximo possui uma conotação mais ampla do que não mentir. Observe: “Mas vós não aprendestes assim a Cristo, se é que o tendes ouvido, e nele fostes ensinados, como está a verdade em Jesus; Que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano; E vosrenoveis no espírito da vossa mente; E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade. Por isso deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo; porque somos membros uns dos outros” ( Ef 4:20 -25 ); "Estas são as coisas que deveis fazer: Falai a verdade cada um com o seu próximo; executai juízo de verdade e de paz nas vossas portas" ( Zc 8:16 ).
O apóstolo Paulo demonstra que a ‘verdade’ que foi anunciada por Zacarias está em Cristo, pois os cristãos ouviram e foram ensinados que a verdade está em Cristo “Mas vós não aprendestes assim a Cristo, se é que o tendes ouvido, e nele fostes ensinados, como está a verdade em Jesus ( Ef 4:20 -21). 
O que ouviram e foram ensinados com relação à verdade (Cristo)?
  • Que deveriam se despojar de tudo que era pertinente ao velho homem “Que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano” ( Ef 4:22 );
  • Que renovassem a compreensão “E vos renoveis no espírito da vossa mente” ( Ef 4:23 ; Rm 12:2 ), e;
  • Que revestissem do que é pertinente ao novo homem “E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade” ( Ef 4:24 ).
Por isso deveriam ‘deixar a mentira’ (lançar fora a compreensão pertinente ao ‘velho homem’ de como se adquire a salvação), e ‘falar a verdade’ cada um com o seu companheiro, ou seja, deviam falar de Cristo (como está à verdade em Cristo), conforme o anunciado pelo profeta Zacarias.
Por que deveriam falar a verdade do evangelho cada um com o seu próximo? O apóstolo Paulo responde: “Porque somos membros uns dos outros” ( Ef 4:25 ). O evangelho deve ser a temática da conversa dos cristãos porque é o evangelho que os tornou membros uns dos outros, ou seja, o ‘juízo de verdade e de paz’ (mandamento) anunciado por Zacarias refere-se a Cristo, pois Cristo é a verdade e é a paz ( Jo 14:6 ; Jo 14:27 ).
Somente Cristo faz juízo e justiça ao oprimido ( Sl 103:6 ; Ef 4:21; Ef 2:14 ; Zc 8:16 ). Somente Ele executa o juízo e estabelece a justiça de Deus necessária para o resgate da humanidade ( Rm 3:26 ). Se o homem quiser executar juízo de verdade e paz deve anunciar as virtudes daquele que chama os homens das trevas para a sua maravilhosa luz ( 1Pe 2:9 ).
Qualquer que ama a verdade e a paz, cumpre o mandamento do Senhor ( Zc 8:19 ), e será amado de Deus "Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele" ( Jo 14:21 ).
Por todos os homens serem gerados de Adão, o apóstolo Paulo afirma que todos são mentirosos ( Rm 3:4 ), isto conforme anunciou o salmista Davi, pois todos são concebidos em pecado e falam mentiras desde que nascem ( Sl 51:5 ; Sl 58:3 ). Ou seja, todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus, pois se extraviaram juntamente e se fizeram imundos em Ad&atil 



de;o ( Rm 3:23 ; Sl 53:3 ), e falam mentiras ( Sl 62:9 ; Is 59:4 ; 1 Co 5:8 ; Gl 5:9 ).
É por isso que o profeta Jeremias alertou: o coração do homem é enganoso ( Jr 17:9 ), e Jesus interpretou: a boca fala do que o coração está cheio "Do fruto da boca de cada um se fartará o seu ventre; dos renovos dos seus lábios ficará satisfeito" ( Pv 18:20 ; Lc 6:45 ). Se o coração do homem é enganoso e a boca fala do que está cheio o coração, o homem só fala mentiras. Portanto, a conclusão do apóstolo Paulo é válida: todo homem é mentiroso, pois fala segundo o seu coração enganoso ( Rm 3:4 ).
Para falar a verdade é necessário ao homem falar segundo a palavra de Deus, pois a palavra d’Ele é a verdade ( Jo 17:17 ). Quando o homem fala a verdade (evangelho) com o seu companheiro apresenta a glória da verdade, pois o fruto dos lábios que professam a Cristo é o que o glorifica “Aquele que oferece o sacrifício de louvor me glorificará” ( Sl 50:23 compare com Hb 13:15 ).
Falar de Cristo é oferecer o fruto da árvore da vida em bandeja de prata ( Pv 11:30 ; Pv 10:20 ; Pv 25:11 ). É produzir muito fruto, e todos que dele tornam-se participantes são de novo criados (bara) em verdadeira justiça e santidade! Tornam-se uma nova criatura, pois tudo se faz novo! É criado um novo coração e um novo espírito ( Ef 4:24 ; 2Co 5:17 ; Is 57:15 ; Sl 51:10 ; Ez 36:26 ).
O novo coração não é enganoso, pois foi criado através da semente incorruptível, que é a palavra de Deus. Portanto, o coração enganoso é extirpado através da circuncisão de Cristo, onde todo o corpo da carne é lançado fora ( Cl 2:11 ), e após é gerado de novo um novo homem pela ressurreição de Cristo ( 1Pe 1:3 e 23).
Para que o homem possa falar a verdade com o seu companheiro é necessário falar segundo a ‘palavra de Deus’, como recomendou o profeta Isaías, e não as suas próprias palavras, os seus próprios conceitos ( Is 58:13 ; Zc 8:16 ; Ef 4:20 ). O Senhor Jesus, o apóstolo Paulo, o profeta Isaías e o profeta Zacarias abordaram o mesmo tema quando ordenaram: falai a verdade!
Por que falar a verdade do evangelho? Porque esta é a finalidade daqueles que estão ligados à Oliveira verdadeira: dar muito ‘fruto’ ( Jo 15:8 ). E que ‘fruto’ é esse? É o ‘fruto’ dos lábios que professa o nome de Cristo. 
Para falar a verdade é necessário ao homem ouvir (alimentar-se) a palavra de Deus que concede vida ( Dt 8:3 ), ou seja, é necessário ao homem nascer de novo, sendo gerado em verdadeira justiça e santidade da semente incorruptível, que é a palavra de Deus.
Somente os gerados da palavra de Deus são amados de Deus, pois se tornaram um com a verdade (conhecer) no íntimo "Eis que amas a verdade no íntimo, e no oculto me fazes conhecer a sabedoria" ( Sl 51:6 ; Ef 4:24 ).
Do mesmo modo que a ordem para falar a verdade vai além das disposições internas do indivíduo como fidelidade, constância ou sinceridade em atos, palavras e caráter, ‘conhecer’ não se refere a ter ideia ou noção de algo, antes diz de comunhão íntima.
Para falar a verdade é necessário ‘conhecer’ a verdade, ou seja, ter comunhão íntima, algo semelhante ao marido que deixa pai e mãe e passa a ser um só corpo (conhecer) com a esposa. Este é o grande mistério ( Ef 5:32 ). Conhecer a verdade é tornar-se participante do corpo de Cristo "Porque somos membros do seu corpo, da sua carne, e dos seus ossos" ( Ef 5:30 ; Jo 17:22 ; Jo 8:32 ).
Por que falar a verdade cada um com o seu companheiro? Porque somos membros um dos outros! ( Ef 4:25 )
Quando se fala a verdade os cristãos não se voltam às fábulas ( 2Tm 4:4 ). Não corrompe os bons costumes, pois vigia justamente e tem o conhecimento de Deus ( 1Co 15:33 -34). Não se envolve em questões que não produz edificação ( 1Tm 1:4 ). Jamais dará ouvidos a mandamentos de homens ( Tt 1:14 ), e jamais será levado por filosofias "Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo" ( Cl 2:8 ).
Quando alguém disser:
“Somente quando conhecemos a verdade e nos comprometemos a obedecê-la é que permanecemos fortes” Nada além da verdade, John MacArthur, Traduzido por Valéria Coicev, Editora Fiel 2009, original 'And Nothing but the Thuth'.
Você será capaz de dizer: Sou forte, pois já conheci a Cristo (a verdade), portanto, a palavra de Deus (Cristo, o Verbo encarnado) está em mim e venci o maligno "Eu vos escrevi, pais, porque já conhecestes aquele que é desde o princípio. Eu vos escrevi, jovens, porque sois fortes, e a palavra de Deus está em vós, e já vencestes o maligno" ( 1Jo 2:14 ).
Diante da proposta de que é necessário ao cristão ‘conhecer a verdade e se comprometer a obedecê-la’, você será capaz de discernir que é impossível ‘conhecer a verdade’ sem antes obedecê-la! Por quê? Porque somente aqueles que obedecem e permanecem no ensino da verdade são seus verdadeiros discípulos e, portanto, conhecem (união) a verdade “Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos; E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” ( Jo 8:31-32).
Você será capaz de identificar quando uma pequena frase de incentivo e exortação, como a que destacamos acima, está eivada de erros, pois nega a eficácia do evangelho de Cristo.
O compromisso do cristão está em permanecer na palavra da verdade, pois quando se permanece no ensino de Cristo torna-se seu discípulo. Quando se é discípulo, o homem torna-se um (conhece) com a verdade, ou seja, conheceu aquele que é desde o princípio, e nada depende do cristão, pois aquele que está em Cristo nova criatura é, portanto, é forte e venceu o maligno "É nele que vós também estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa" ( Ef 1:13 ).