sábado, 9 de abril de 2022


 Por Que os Judeus Não se  Davam Com os Samaritanos?
                                                      

Os judeus não se davam com os samaritanos porque eles consideravam os samaritanos um povo mestiço e sincrético. O conflito entre judeus e samaritanos remonta aos tempos do Antigo Testamento. Também no tempo de Jesus, o ódio mútuo de judeus e samaritanos é registrado em algumas passagens do Novo Testamento que claramente apontam a rivalidade e divisão entre os dois grupos.

Para entender melhor por que os judeus não se davam com os samaritanos é preciso considerar, primeiramente, o contexto histórico da monarquia em Israel. Após a morte do rei Salomão, o reino de Israel formado por suas doze tribos foi dividido em duas partes; cada qual com seu próprio rei. A parte norte fixou sua capital em Samaria; enquanto que a parte sul continuou tendo Jerusalém como sua capital política e religiosa conforme estabelecido pelo rei Davi.

Os dois reinos, em diversas ocasiões, pecaram contra Deus; mas a situação do Reino do Norte acabou sendo pior. O Reino do Norte teve uma série de reis ímpios que fizeram aquilo que era mau perante o Senhor. Esses reis conduziram o povo a uma vida de pecado.

O castigo divino de forma mais extrema chegou primeiro ao Reino do Norte do que ao Reino do Sul. O Reino do Norte foi sendo progressivamente tomado por estrangeiros e tão logo Samaria caiu diante do Império Assírio. Todo esse contexto histórico explica a origem dos samaritanos como um povo detestado pelos judeus.

Por que os judeus odiavam os samaritanos?

Mesmo antes da divisão do reino de Israel já havia alguma rivalidade entre as tribos israelitas. Mas conforme foi dito, a divisão de Israel em dois reinos e a posterior queda de Samaria, que culminou numa miscigenação de seus habitantes, foi o ponto de partida do ódio entre judeus e samaritanos que se estendeu pelos séculos seguintes. Nesse sentido, podemos indicar alguns fatores que ajudam a explicar por que os judeus não se davam com os samaritanos.

A divisão entre judeus e samaritanos por motivos étnicos

Em primeiro lugar, podemos dizer que os judeus não se davam com os samaritanos por causa de sua mistura com outros povos. Os judeus consideravam que os samaritanos não tinham sangue puro. Eram israelitas que se misturaram com outros povos.

Quando a Assíria tomou Samaria, o rei assírio deportou muitos israelitas para outras terras de seu império; e também importou pessoas de outros povos subjugados pela Assíria para viver em Samaria. Os israelitas que continuaram viveram em Samaria acabaram se misturando com os estrangeiros e assimilando os costumes desses povos.

Então, principalmente através do casamento entre israelitas e estrangeiros, um povo mestiço foi sendo formado em Samaria. Por isto na sequência da história a palavra “samaritano” passou a designar especialmente esse povo misto da região de Samaria.

A divisão entre judeus e samaritanos por motivos religiosos

Em segundo lugar, os judeus não se davam com os samaritanos por causa de diferenças substanciais no aspecto religioso. De fato após a queda de Samaria muitos samaritanos misturaram o monoteísmo hebreu com o politeísmo dos povos pagãos que ocuparam aquela região. Mas depois houve um esforço para que os samaritanos fossem instruídos na Lei de Deus; embora muitos deles continuassem a incorporar a adoração ao Senhor em suas práticas idólatras (2 Reis 17:24-41).

Com o tempo os samaritanos edificaram seu próprio templo de adoração no Monte Gerizim e tiveram seus próprios sacerdotes. Eles também passaram a considerar a adoração no Templo em Jerusalém inapropriada, alegando, inclusive, que o Monte Gerizim era o único local correto de adoração designado por Deus a Moisés; ao invés do Monte Sião. Esses samaritanos monoteístas criam no único Deus e consideravam apenas a Torá como Escritura. Mas eles desprezavam os escritos proféticos e outras tradições judaicas.

A divisão entre judeus e samaritanos por problemas históricos

Em terceiro lugar, os judeus não se davam com os samaritanos por causa de alguns eventos históricos que fizeram por aumentar a hostilidade entre os dois grupos. Quando os judeus voltaram do cativeiro babilônico, eles receberam permissão para reconstruir o Templo e os muros da cidade de Jerusalém.

Inicialmente os samaritanos se apresentaram a Zorobabel querendo ajudar os judeus na reconstrução do Templo. Mas quando tiveram sua ajuda negada, tão logo eles começaram a fazer grande oposição contra os judeus e atrasaram a obra (Esdras 4:2-5). Também quando Neemias começou a reconstruir os muros de Jerusalém, um de seus maiores opositores foi Sambalate, o governador de Samaria à época (Neemias 2:10,19; 4:1; 6:1).

A rivalidade entre judeus e samaritanos aumentou ainda mais quando Esdras e Neemias procuraram enfatizar o zelo pela pureza do povo judeu remanescente do cativeiro. Também naquele tempo o neto do sumo sacerdote se casou com a filha de Sambalate, e Neemias o expulsou. Neemias queria limpar o povo de toda influência estrangeira que pudesse perverter a adoração a Deus (Neemias 13:28-30).

Estudiosos dizem que foi nesse contexto de rivalidade aguda entre judeus e samaritanos que o Templo no Monte Gerizim foi edificado pelos samaritanos. Flávio Josefo ainda destaca que os samaritanos recebiam de braços abertos os judeus que quebravam as leis judaicas. Isto obviamente fazia por aumentar o ódio dos demais judeus.

Josefo também escreve que os samaritanos eram interesseiros; eles se aproximavam dos judeus em tempos de prosperidade, mas que se afastavam quando os judeus eram perseguidos; e até se aliavam aos adversários dos judeus. Tempos depois, um dos governadores macabeus foi o responsável por destruir o templo dos samaritanos no Monte Gerizim.

Um episódio que ocorreu provavelmente entre os anos 6 e 9 d.C. retrata bem a rivalidade entre judeus e samaritanos. Parece que um samaritano entrou no Templo de Jerusalém e espalhou ossos humanos com a finalidade de profaná-lo.


Os judeus não se davam com os samaritanos no tempo de Jesus

No tempo de Jesus os Evangelhos mostram como os judeus não se davam com os samaritanos. Toda aquela rivalidade histórica culminava em comportamentos hostis de ambos os lados. Muitos judeus piedosos da Judeia e da Galileia preferiam adotar uma rota maior em determinado percurso apenas para não passar pelo território samaritano e correr o risco e se contaminar cerimonialmente por causa dos samaritanos hereges.

Também é verdade que alguns samaritanos faziam de tudo para barrar os viajantes judeus. Alguns estudiosos dizem que o ódio por parte de certos samaritanos era tão grande que eles chegavam a assassinar alguns peregrinos judeus.

Mas o Senhor Jesus, por outro lado, em nenhum momento aprovou ou fomentou esse ódio entre judeus e samaritanos. Jesus Cristo também anunciou o Reino de Deus aos samaritanos. Ele esteve em Siquem, uma cidade que reunia muitos samaritanos. Sua hospitalidade para com os samaritanos chegou a impressionar a mulher samaritana junto ao poço de Jacó (João 4:9).

Na Parábola do Bom Samaritano Jesus também colocou um samaritano como exemplo para os judeus (Lucas 10:30-37). Quando Jesus curou dez leprosos, o único que voltou para agradecer-lhe foi um samaritano. Mais tarde Jesus também repreendeu o apóstolo Tiago e o apóstolo João que queriam ver a destruição de um vilarejo samaritano que não demonstrou hospitalidade (Lucas 9:52-56).

Por fim, após a ressurreição, o Senhor Jesus também indicou que em Sua Igreja não havia espaço para o ódio entre judeus e samaritanos (Atos 1:8). Sua obra expiatória reuniu judeus, samaritanos e gentios na constituição de seu povo santo. Por isto, apesar da rivalidade entre judeus e samaritanos, o Evangelho foi anunciado na região de Samaria e muitos samaritanos foram convertidos a Cristo (cf. Atos 8).




Quem foi Mefibosete?

Mefibosete foi o filho de Jônatas de quem Davi se lembrou quando rei. Mefibosete é muito lembrado em vários sermões, mas nem sempre sua história é contada conforme a narrativa bíblica. Antes de se falar sobre quem foi Mefibosete, também preciso saber que a Bíblia cita dois personagens bíblicos com esse nome. Ambos pertenceram a casa de Saul, os quais conheceremos a seguir.

O que significa o nome Mefibosete?

Os estudiosos não chegam a uma conclusão exata sobre o significado do nome Mefibosete. Na verdade existe uma discussão acerca de como seria a grafia original do nome Mefibosete. Essa dificuldade acontece porque uma pequena diferença na palavra altera bastante o seu significado.

Sabe-se que o nome Mefibosete também aparece na Septuaginta (versão grega do Antigo Testamento) como Meribe-Baal ou Memfibaal (exceto em 2 Samuel 21:8). Devido a essa dificuldade, o nome Mefibosete originalmente pode ter os seguinte significados: “Baal é advogado”, “herói de Baal”, “Baal contende”, “aquele que luta com Baal” ou “aquele que despedaça a Baal” (cf. 1 Crônicas 8:34; 9:40).

Além disso, no decorrer do tempo a transcrição do nome foi modificada. Houve a substituição da terminação ba’al por boshet, que significa vergonha. Um exemplo disso pode ser notado no texto de 1 Reis 18:19,25 traduzido na Septuaginta. Nesse texto é dito “profetas de vergonha” ou invés de “profetas de Baal”.

Mefibosete, filho de Saul

Esse é o Mefibosete menos conhecido. Ele era filho de Saul com Rispa, sua concubina. Ele foi um dos indivíduos entregues por Davi aos gibeonitas para serem executados. O texto bíblico onde ele é citado está em 2 Samuel 21:8.

Mas o rei mandou buscar Armoni e Mefibosete, dois filhos de Rispa, filha de Aiá, que ela teve com Saul, e os cinco filhos de Merabe, filha de Saul, que ela teve com Adriel, filho de Barzilai, de Meolá.

Como no versículo anterior do mesmo capítulo o Mefibosete mais conhecido também é mencionado, muita gente acaba confundindo esses dois personagens e não percebendo a diferença entre eles (2 Samuel 21:7).

A história de Mefibosete, filho de Jônatas

Esse é o Mefibosete mais conhecido da Bíblia. Ele era filho de Jônatas, neto de Saul, e evidentemente sobrinho do outro Mefibosete já citado. Sua história é marcada por tragédias e frustrações. Mefibosete tinha apenas cinco anos de idade quando seu pai e seu avô morreram em batalha. Conheça também a vida de Jônatas.

Quando sua ama recebeu a notícia de Jezreel sobre as mortes do pai e do avô do menino, tentou fugir apressadamente com ele. Mas ela acabou deixando o menino cair de seus braços, fazendo com que Mefibosete ficasse aleijado dos dois pés (2 Samuel 4:4). Depois desse episódio, Mefibosete foi levado para Lo-Debar, um lugar em Gileade.

Lo-Debar ficava a leste do rio Jordão (cf. 2 Samuel 2:29; 17:27). Muitos estudiosos consideram que provavelmente Lo-Debar é o mesmo lugar chamado de Debir. O profeta Amós, de forma sarcástica, faz um jogo de palavras ao usar a expressão “vocês que se regozijam pela conquista de Lo-Debar”, já que esse nome significa literalmente “coisa de nada”, também no sentido de “esquecimento”.

Em Lo-Debar, Maquir, filho de Amiel, se encarregou de cuidar de Mefibosete (2 Samuel 9:4). Mais tarde Mefibosete também teve um filho chamado Mica (2 Samuel 9:12).

Mefibosete e Davi

A história de Mefibosete realmente ganha destaque quando Davi, já estabelecido como rei de Israel, se lembrou de sua amizade com Jônatas. Então ele perguntou se ainda havia restado alguém da casa de Saul por quem ele poderia mostrar lealdade em honra a essa amizade.

Na ocasião, Ziba, servo da casa de Saul, informou o rei Davi sobre Mefibosete. Então imediatamente Davi mandou buscar Mefibosete em Lo-Debar. Ele entregou ao filho de Jônatas as propriedades de Saul, permitindo que ele sentasse diariamente à mesa do rei. Davi também ordenou que Ziba fosse seu servo (2 Samuel 9).

Mefibosete é traído por Ziba

Ainda no livro de 2 Samuel (caps. 16:1-6; 19:24-30), temos o relato da traição de Ziba no tempo da revolta de Absalão. Naquela ocasião Davi havia fugido de Absalão, e Ziba foi ao seu encontro levando provisões necessárias para aquele momento difícil. No entanto, Ziba também também se aproveitou para acusar falsamente a Mefibosete. Ele disse a Davi que o neto de Saul estava cobiçando o reino.

A principio Davi acreditou na mentira de Ziba, e deu a ele tudo o que pertencia a Mefibosete. Mais tarde, quando Davi retornou depois da morte de Absalão, Mefibosete tratou de ir ao encontro dele para se defender e provar sua inocência.

Ao chegar à presença de Davi, Mefibosete foi questionado por ele acerca do ocorrido. Então ele teve a oportunidade de relatar a traição de Ziba. Mefibosete contou que havia pedido que Ziba selasse um jumento para que ele pudesse viajar ao encontro de Davi, porém Ziba o deixou para trás e arquitetou um plano para acusá-lo de traição.

Durante o período em que Davi precisou fugir de Absalão, Mefibosete se lamentou por ele profundamente conforme o costume da época. Isso significa que ele ficou sem lavar os pés, não lavou suas roupas e nem aparou sua barba. Essa foi uma atitude de clara fidelidade ao rei Davi, mostrando que em nenhum momento ele compactuava com o plano de Absalão.

Após conhecer a versão da história dada por Mefibosete, Davi acreditou nele, porém ainda assim propôs que os bens herdados por Mefibosete fossem divididos entre ele e Ziba. Surpreendentemente, Mefibosete abriu mão de toda aquela herança. Ele deixou com que Ziba ficasse com todos os bens, e mostrou que sua preocupação estava concentrada apenas no bem-estar de Davi (2 Samuel 19:30).

No diálogo com Davi no capítulo 19 do livro de 2 Samuel, podemos perceber o tipo de caráter que Mefibosete tinha:

Ele respondeu: “Ó rei, meu senhor! Eu, teu servo, sendo aleijado, mandei selar o meu jumento para montá-lo e acompanhar o rei. Mas o meu servo me enganou.
Ele falou mal de mim ao rei, meu senhor. Tu és como um anjo de Deus! Faze o que achares melhor.
Todos os descendentes do meu avô nada mereciam do meu senhor e rei, senão a morte. Entretanto, deste a teu servo um lugar entre os que comem à tua mesa. Que direito tenho eu, pois, de te pedir qualquer outro favor? ”
(2 Samuel 19:26-28)

Os relatos sobre Mefibosete terminam no episódio em que membros da casa de Saul foram executados pelo gibeonitas. Naquela ocasião Davi o poupou de ser morto juntamente com sete outros familiares de Saul, incluindo seu tio que também se chamava Mefibosete (2 Samuel 19:24).

Os sermões sobre Mefibosete

Apesar da história de Mefibosete ser muito utilizada em pregações e canções, poucas vezes essa história é contada corretamente. Normalmente a parte da história descrita entre os capítulos 16 e 19 jamais é lembrada pelos pregadores e compositores.

Infelizmente as pessoas se lembram da história de Mefibosete apenas nas pregações sobre prosperidade. É fácil pregar sobre o homem aleijado que foi tirado de um lugar de esquecimento para receber uma herança real. É fácil falar sobre o homem que de repente recebeu uma posição privilegiada na corte de Israel e pôde se sentar à mesa do rei.

Difícil parece ser pregar sobre o mesmo homem aleijado que tendo sido traído por seu servo, mesmo sendo inocente se viu obrigado a dividir sua herança com o servo traidor. Mais difícil ainda é pregar sobre sua atitude abnegada. Ele abriu mão de todos os seus bens materiais e não se importou que seu inimigo pessoal ficasse com tudo o que era seu.

Realmente a história de Mefibosete proporciona um grande sermão que traz importantes lições. Mas definitivamente o foco dessa história não é sobre prosperidade, mas sobre o caráter de um homem que, apesar das tragédias e dificuldades, permaneceu fiel aos seus princípios. Para ele, o que realmente importava não eram as riquezas pessoais, mas o fato de que o rei escolhido por Deus havia voltado em à sua casa.

 


Quem Foi o Sucessor de Josué?

Não houve um sucessor de Josué em Israel, pelo menos não nos mesmos moldes de sua liderança e da liderança de Moisés, antes dele. Josué foi escolhido por Deus para suceder Moisés na liderança do povo de Israel já no final do período de peregrinação pelo deserto. E sua liderança a frente de Israel foi indicada de forma solene diante de todo o povo enquanto Moisés ainda estava vivo. Porém, isso não se repetiu quando a liderança de Josué estava perto do fim.

Entretanto, mesmo durante a liderança de Moisés e, depois, de Josué, a Bíblia registra que havia anciãos em Israel que compartilhavam de certas responsabilidades na instrução e condução do povo do Senhor. Então, quando Josué morreu aos cento e dez anos de idade, esse grupo de anciãos ainda existia, pois o texto bíblico informa que houve anciãos que sobreviveram após Josué. Portanto, quem serviu como sucessor de Josué em Israel naquele período imediato foi esse corpo de anciãos.

A Bíblia diz que durante os dias de Josué, e também durante todos os dias dos anciãos que ainda sobreviveram depois dele, os israelitas serviram ao Senhor, e contemplaram toda a grande obra que o Senhor havia feito a Israel (Juízes 2:7).

No entanto, a referência dos anciãos como sucessores de Josué diante de Israel, não durou muito. O relato bíblico conta que aquela geração morreu, e outra geração se levantou em seu lugar. O problema é que a nova geração não conhecia ao Senhor, e nem se atentou a tudo o que Ele havia feito aos seus antepassados.

É assim que a Bíblia diz que os filhos de Israel fizeram o que era mau aos olhos do Senhor, e praticaram a idolatria servindo aos falsos deuses após as mortes de Josué e dos anciãos (Juízes 2:10,11). Os israelitas abandonaram o Senhor, a passaram a servir a Baal e a Astarote, provocando a ira divina sobre eles.

O sucessor de Josué e o tempo dos juízes

Por causa do pecado de Israel, Deus entregou aquele povo na mão de povos estrangeiros. Esses povos espoliaram e despojaram os israelitas. Nesse tempo os filhos de Israel sofreram muito, pois onde quer que fossem a mão do Senhor era contra eles (Juízes 2:15).

Mas diante da aflição do povo, o Senhor se compadeceu e ouviu o clamor de Israel. Em resposta a isso, Ele levantou juízes que livraram os israelitas das mãos de seus opressores. Foi na pessoa do primeiro juiz que surgiu a figura de um sucessor de Josué, no sentido de haver um líder principal sobre as tribos israelitas.

No entanto, como já foi dito, a liderança dos juízes não era exatamente do mesmo tipo da liderança de Josué. Inclusive, a liderança dos juízes de Israel parece ter sido mais fragmentada. Isso quer dizer que alguns juízes não lideraram os israelitas como um povo unificado numa espécie de confederação das doze tribos, mas exerceram sua liderança de forma mais regional.

Na verdade, muitos estudiosos acreditam que é possível que o período de liderança de alguns juízes em Israel se sobrepuseram; de modo que houve períodos em que mais de um juiz liderou sobre o povo ao mesmo tempo, porém em regiões diferentes.

Seja como for, o primeiro juiz levantado por Deus para liderar o povo israelita foi Otniel, um parente de Calebe. Mas o tempo dos juízes também foi marcado por um ciclo de autos e baixos, de obediência e desobediência. O Senhor levantava líderes que libertavam o povo da opressão, mas tão logo que esses líderes morriam, o povo voltava novamente à sua vida de pecado.

Por tudo isso o Senhor resolveu não tirar do território prometido aos filhos de Israel, os povos estrangeiros que Josué ainda não tinha conquistado quando morreu. E essas nações serviram como ferramentas através das quais Deus provou a Israel (Juízes 2:20-23).

 




A História do Apóstolo Pedro


O apóstolo Pedro foi um dos primeiros discípulos escolhidos por Jesus. Pedro também é chamado na Bíblia de Cefas, Simeão e Simão. Neste estudo bíblico conheceremos mais sobre a história de Pedro, apóstolo do Senhor Jesus.

A História de Pedro

O apóstolo Pedro era natural de Betsaida, na época uma aldeia de pescadores não muito distante de Cafarnaum e que ficava na região costeira do mar da Galiléia (João 1:44). Pedro também tinha casa em Cafarnaum, na Galiléia (Marcos 1:21s). Alguns sugerem que sua residência realmente fosse em Cafarnaum, e Betsaida apenas sua aldeia de origem.

O apóstolo Pedro era irmão do apóstolo André, um pescador de profissão assim como ele. É bem provável que seu pai, Jonas, também fosse um pescador (João 1:42). O apóstolo Pedro era casado, tendo sido sua sogra curada por Jesus (Marcos 1:30). Além disso, é possível que sua esposa frequentemente o acompanhasse em viagens ministeriais na Igreja Primitiva (1 Coríntios 9:5).

Pedro possuía uma educação considerada limitada e falava o aramaico com forte sotaque da região da Galiléia (Mateus 26:73; Marcos 14:70); idioma que também utilizava para ler e escrever. No entanto, Pedro também falava um pouco de grego, muito provavelmente por conta de sua profissão que exigia constante contato com gentios. O grego era muito utilizado na época, sobretudo nas cidades de Decápolis.

Pedro, Cefas, Simão e Simeão

Como já foi dito, o apóstolo Pedro é chamado por outros nomes na narrativa bíblica. Possivelmente seu nome original era o hebraico Simeão, utilizado originalmente em alguns textos de Atos 15:14 e 2 Pedro 1:1; e talvez ele tenha adotado o grego “Simão” com pronuncia semelhante.

Quando ele se encontrou com Jesus, o Senhor o chamou de Cefas, do aramaico Kefa’, que significa “rocha” ou “pedra”, que em sua forma grega é Petros, ou seja, Pedro (João 1:42). O significado desse título se refere ao fato de que Pedro se tornaria firme como uma rocha, ao invés de uma pessoa com temperamento inconstante.

Assim, a narrativa do Novo Testamento designa o apóstolo Pedro por essa variedade de nomes. O apóstolo Paulo o chamava de Cefas (1 Coríntios 1:12; 15:5; Gálatas 2:9); o apóstolo João geralmente o chamava de Simão Pedro; e Marcos o chamou de Simão até o capítulo 3 de seu livro e depois passou a designá-lo como Pedro.

A personalidade do apóstolo Pedro

Considerando todas as referências sobre o apóstolo Pedro disponíveis não apenas nos quatro Evangelhos, mas em todo Novo Testamento, os estudiosos entendem que ele foi um típico homem do campo, uma pessoa simples, direta e também impulsiva.

Parece que ele também possuía uma aptidão natural para exercer liderança, talvez por ser caloroso, vigoroso e normalmente comunicativo. Em algumas ocasiões, sobretudo no episódio que envolveu a traição de Jesus no Getsêmani, Pedro se mostrou emotivo, sanguíneo e autoconfiante.

A escolha do apóstolo Pedro como discípulo de Jesus

O Evangelho de João relata um primeiro contato entre Jesus e Pedro, por intermédio de seu irmão, o apóstolo André (João 1:41). Esse contato ocorreu antes do início do ministério público do Senhor na Galiléia. Depois disto, Pedro e André continuaram com a pescaria durante um período de tempo, até que receberam um convite consequente de Jesus enquanto estavam pescando no mar da Galiléia (Marcos 1:16s).

Mais tarde Jesus escolheu doze homens entre aqueles que o seguiam para serem seus discípulos mais próximos. Assim, o apóstolo Pedro foi um dos primeiros discípulos a ser chamado, e também era um dos três que sempre estavam mais próximos do Senhor (Marcos 5:37; 9:2; 14:33). Nas listas que trazem a relação dos doze discípulos de Jesus, o nome do apóstolo Pedro sempre aparece primeiro (Marcos 3:16-19; Lucas 6:14-16; Mateus 10:2-4; Atos 1:13,14).

O apóstolo Pedro durante o ministério de Jesus

O apóstolo Pedro teve uma participação muito ativa e significante durante o ministério de Jesus. Como já foi dito, ele foi um dos primeiros discípulos a ser chamado, estava entre os três mais próximos de Jesus, e em muitas ocasiões agiu como porta-voz dos Doze (Mateus 15:15; 18:21; Marcos 1:36s; 8:29; 9:5; 10:28; 11:21; 14:29; Lucas 12:41).

Pedro foi o discípulo que pediu para encontrar Jesus andando sobre as águas (Mateus 14:28). Foi ele também, juntamente com Tiago e João, que estiveram com Jesus no episódio da transfiguração (Mateus 17:1-8).

O apóstolo Pedro também foi o discípulo que, precipitadamente, tentou repreender Jesus diante do anúncio de sua morte iminente no Calvário (Mateus 16:22).

Quando Jesus perguntou aos seus discípulos quem eles achavam que Ele era, o apóstolo Pedro foi o primeiro a responder confessando que Ele era o Cristo, o Filho do Deus vivo (Mateus 16:16). O próprio Jesus atribuiu a resposta de Pedro como uma revelação de Deus que foi dada a ele.

Nessa mesma ocasião Jesus pronunciou a famosa frase “tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mateus 16:18). Essa frase é alvo de intensos debates, deste muito tempo.

Pelo jogo de palavras que envolve o significado do nome “Pedro”, surgiram muitas interpretações. Duas delas são as mais antigas e conhecidas: alguns sugerem que a “pedra” seria o próprio Pedro; enquanto outros defendem que a “pedra” seria diretamente a verdade que foi declarada por Pedro, isto é, o Cristo, o Filho do Deus vivo.

O apóstolo Pedro ouviu diretamente de Jesus a ordem “apascenta minhas ovelhas” (João 21:17). Numa determinada ocasião, Pedro questionou Jesus sobre a situação dele e dos demais que haviam deixado tudo o que tinham para segui-lo, e ouviu do Senhor a promessa das bênçãos do reino de Deus (Marcos 10:28; Lucas 18:28).

O apóstolo Pedro também aparece de forma bastante ativa durante a narrativa dos últimos momentos do Senhor Jesus antes da crucificação. Juntamente com o apóstolo João, Pedro recebeu a incumbência de organizar a última ceia em Jerusalém (Lucas 12:8).

Inicialmente ele também se recusou a deixar que Jesus lhe lavasse os pés, mas quando foi advertido sobre a importância e a necessidade daquele ato do Senhor, ele pediu até mesmo um banho (João 13).

O apóstolo Pedro também foi o discípulo que, conforme Jesus havia dito, o negou três vezes antes que o galo cantasse duas vezes na ocasião que envolve a prisão e crucificação do Senhor. Na verdade essa sua negação contrasta diretamente com o comportamento valente e violento que ele demonstrou ao cortar a orelha de Malco, servo do sumo sacerdote, durante a prisão do Senhor. Diante do olhar de Jesus, ao lembrar-se das palavras do Mestre, Pedro se arrependeu profundamente (Mateus 26:34-75; Marcos 14:30-72; Lucas 22:34-62; João 18:27).

É possível que o apóstolo Pedro tenha testemunhado a crucificação, apesar dos Evangelhos não o mencionarem (cf. 1 Pedro 5:1). Cristo ressurreto apareceu pessoalmente ao apóstolo Pedro (Lucas 24:33,34; 1 Coríntios 15:5).

O ministério do apóstolo Pedro na Igreja Primitiva

O apóstolo Pedro foi o primeiro a pregar o Evangelho no dia de Pentecostes. Cerca de 3 mil pessoas se converteram naquela ocasião (Atos 2:14). Até o capítulo 13 do livro de Atos dos Apóstolos, Pedro aparece com bastante destaque. Durante os primeiros anos ele foi o líder da igreja em Jerusalém, mas vale lembrar que o apóstolo Tiago, por sua vez, foi quem liderou o Concílio de Jerusalém onde importantes decisões foram tomadas concernentes à participação dos gentios na Igreja (Atos 15:1-21).

Pedro foi quem fez a exposição da necessidade da escolha de outro homem para o lugar deixado por Judas e Matias foi o escolhido (Atos 1). Durante o ministério do apóstolo Pedro ocorreram grandes milagres, sendo que até mesmo os doentes eram colocados de uma forma com que, ao passar, sua sombra os cobrissem (Atos 3:1-10; 5:12-16).

Foi o apóstolo Pedro quem disse as conhecidas palavras: “Não tenho prata nem ouro; mas o que tenho isso te dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda” (Atos 3:6). Dentre esses milagres também se destaca a ressurreição de Dorcas (Atos 9:36-41). Saiba mais sobre os milagres no período apostólico da Igreja Primitiva.

O apóstolo Pedro também foi quem disciplinou os perversos e mentirosos Ananias e Safira (Atos 5:1-11). Por conta do pecado que praticaram, ambos foram mortos de forma sobrenatural.

Na época da forte perseguição em Jerusalém após a morte de Estêvãoo apóstolo Pedro também estendeu sua atuação ministerial a outros lugares, como em Samaria em decorrência da grande evangelização de Filipe ali, nas cidades costeiras de Lidia, Jope e Sarona. É possível que nesse período Tiago então tenha assumido a liderança em Jerusalém.

O apóstolo Pedro também foi o responsável por anunciar as boas novas à família de Cornélio em Cesaréia (Atos 10:1-45). Na Carta aos Gálatas, o apóstolo Paulo informa que Pedro também esteve em Antioquia (Gálatas 2:11). Na verdade é nesse relato que encontramos a referência sobre o conflito entre os apóstolos Paulo e Pedro, quando Pedro agiu dissimuladamente se associando aos cristãos gentios e depois se afastando deles ao temer a pressão do “grupo da circuncisão” que aceitava os gentios na Igreja desde que estes se submetessem ao cerimonial da Lei de Moisés.

O comportamento do apóstolo Pedro acabou influenciando até mesmo Barnabé. Então Paulo o repreendeu publicamente pelo comportamento, considerado por ele, como hipocrisia. No entanto, essa situação foi completamente resolvida, e o próprio apóstolo Pedro mais tarde se referiu a Paulo como “nosso amado irmão” (2 Pedro 3:15).

Na Epístola aos Coríntios, também somos informados da divisão que havia em tal igreja. Um dos grupos divididos ali alegava seguir o apóstolo Pedro, enquanto outros diziam ser de Paulo, Apolo e Cristo. Isso indica que provavelmente em algum momento ele esteve pessoalmente visitando aquela igreja.

A morte do apóstolo Pedro e o final de seu ministério

Após 50 d.C. não temos tantas informações detalhadas sobre o apóstolo Pedro. Considerando suas duas epístolas, sabemos que ele permaneceu ativo na pregação da Palavra de Deus e no pastoreio do rebanho do Senhor até a hora de sua morte (1 Pedro 5:1,2).

Existe um grande debate se o apóstolo Pedro chegou a fixar residência em Roma ou não. O que é certo é que a igreja em Roma não foi fundada por ele; até porque seria muito improvável que Paulo escrevesse uma epístola àqueles irmãos sem mencioná-lo.

Na verdade não há qualquer base bíblica de que ele tenha sido o primeiro bispo de Roma; nem há indícios de que ele tenha sido líder da igreja na cidade por um período de tempo considerável. A tradição que afirma tal coisa é bastante questionável. Saiba mais sobre a igreja em Roma no panorama da Carta aos Romanos.

Apesar disto, é muito provável que ele tenha estado em Roma em algum momento próximo ao final de sua vida, e que tenha escrito suas duas epístolas desta cidade. Em 1 Pedro 5:13 o apóstolo escreve dizendo estar na “Babilônia”. Essa informação têm sido entendida pela maioria dos estudiosos como uma referência à cidade de Roma. A presença de Marcos na ocasião também favorece essa interpretação.

Existe uma tradição muito antiga e uniforme dentro do cristianismo de que o apóstolo Pedro tenha sido martirizado em Roma por volta de 68 d.C., assim como foi Paulo. Tertualiano (200 d.C.) defendeu tal informação, e Orígenes afirmou que Pedro foi crucificado de cabeça para baixo, uma informação também presente em alguns livros apócrifos.