segunda-feira, 1 de maio de 2017


tocha-olímpica-sobre-o-protetor-3813943.jpgCristãos coptas em Cairo (foto de arquivo)

'Não temos lugar aqui': a rotina de medo da minoria cristã no Egito

No antigo Mosteiro de São Menas, nas areias do deserto do Egito, uma tumba de concreto guarda os restos mortais de cristãos massacrados por sua fé — não na época do Império Romano, mas em abril de 2017.
Eles estavam entre quase 50 pessoas mortas em ataques coordenados contra duas igrejas. O grupo extremista autodenominado Estado Islâmico (EI) reivindicou a autoria dos atentados — realizados no Domingo de Ramos.
Padres que vivem no mosteiro dizem que a perseguição é tão antiga quanto a fé cristã.
"A história dos cristãos é assim", disse o padre Elijah Ava Mina, em túnica preta que contrasta com a longa barba branca. "Jesus disse: 'Estreita é a porta e difícil o caminho'."
A cripta tem agora sete caixões, mas há espaço para mais. Ataques futuros são praticamente certos. O braço egípcio do EI já afirmou que cristãos são suas "vítimas favoritas".
Estima-se que essa minoria sitiada corresponda a 10% da população egípcia, país de 90 milhões de pessoas de maioria muçulmana.
A maior parte dos cristãos no país pertence à Igreja Ortodoxa Copta, cuja origem é traçada desde o apóstolo São Marcos. O EI atacou o coração histórico dessa fé. Um de seus alvos foi a igreja mais antiga do Egito — a Catedral de São Marcos, no porto de Alexandria.

'Meu filho'

Quando o autor do atentado chegou aos portões de ferro da catedral, Gergis Bakhoom tinha acabado de sair. De volta a sua pequena alfaiataria, o senhor de 82 anos soube da explosão.
Ele correu ao hospital em tempo de testemunhar seu filho mais velho, Ibrahim, dar seu último suspiro.
"Ele estava ofegante, tentando respirar", disse Gergis, imitando o que viu. "Depois disso, pegaram um lençol, cobriram o corpo e o enviaram ao necrotério. Vi com os meus próprios olhos, ele que deveria ter me enterrado", afirmou o alfaiate, aos prantos. "Em vez disso, eu que o enterrei."
Pai e filho trabalhavam juntos, dividindo uma máquina de costura. "Ele tinha um objetivo na vida", disse Gergis. "Nós trabalhavamos duro, ponto a ponto, para sustentar os filhos dele."
A dor dessas pessoas se mistura com a raiva. Após o primeiro ataque naquele dia, em uma igreja na cidade de Tanta, cristãos espancaram um policial de alta patente na rua — enfurecidos diante da possibilidade de um novo ataque do EI. Em dezembro de 2016, um ataque suicida deixou cerca de 30 pessoas mortas durante uma missa no Cairo.

'Não temos valor'

Os atentados mais recentes tiraram de Marian Abdel Malak três de seus entes queridos, incluindo seu irmão de 18 anos, Bishoy. O rapaz vinha frequentando a igreja com regularidade e havia dito à família que desejava morrer como um mártir cristão.
De algum modo, os sobreviventes esperam o mesmo destino, diz Malak.
"Se coisas continuarem assim e não tivermos nossos direitos assegurados, definitivamente não teremos futuro", disse a jovem de 26 anos. "Nós estaríamos melhor se estivessemos mortos, por não temos lugar nesse país — nas escolas, no governo. Não temos nenhum valor."
Sandro George, um amigo do jovem morto, afirma que as autoridades deveriam ter reforçado a segurança ainda em 2011, quando cerca de 25 pessoas morreram em um atentado contra uma igreja em Alexandria.
"Se tivessem realmente a intenção de dar segurança às igrejas e afastar qualquer perigo, teriam feito isso naquela ocasião", afirma. "Depois daquela explosão, apenas dois policiais foram enviados para fazer a segurança da igreja."
A segurança aumentou após os ataques recentes. O presidente do Egito, Abdul Fattah al-Sisi, decretou estado de emergência por três meses e enviou o Exército para imediações de igrejas.
Mas alguns cristãos alertam que, conforme o assunto for deixando os jornais a força de segurança também desaparecerá.

Visita do Papa

Enquanto fieis se concentravam na Catedral de São Marcos para uma missa recente, tropas em um veículo blindado marcavam posição em uma esquina próxima.
Algumas horas depois — com multidões ainda chegando para o serviço religioso — o veículo já não estava mais lá.

Sitiados, os coptas dizem que sua comunidade está sob ameaça, não só pelo EI, mas também por tensões sectárias e um longo histórico de discriminação.
Uma lei do ano passado dificultou a construção de novas igrejas cristãs, de acordo com Ishak Ibrahim, um pesquisador que estuda liberdade religiosa.
E se cristãos tentarem se reunir em casa para rezar podem ser alvo de ataques, afirma ele.
Enquanto ainda praticam o luto pelas últimas vítimas, os cristãos do Egito se preparam para a visita do papa Francisco, que chegou nesta sexta-feira ao país para uma visita histórica de dois dias.
No primeiro discurso em solo egípcio, o papa disse que não pode haver violência em nome de Deus. "A paz por si só... é sagrada, e nenhum ato de violência pode ser perpetrado em nome de Deus, o que profanaria Seu nome", disse o pontífice.
Em meio a uma das comunidades cristãs mais antigas do Oriente Médio, o papa deverá se deparar com uma nova onda de medo diante do futuro.
Mas há quem tire força do sofrimento.
"Não tenho medo", disse Nadia Nazeem, a mãe de Bishoy, com a voz embargada.
"Coisas ruins aconteceram, estão acontecendo e acontecerão no futuro, mas não vou parar de ir à igreja. Irei a todas as igrejas."


tocha-olímpica-sobre-o-protetor-3813943.jpgTemer e Trump

Trump mantém relação distante com Temer após 100 dias de governo

Após 100 dias recém-completados à frente da Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mantém relação distante com o par brasileiro, Michel Temer.
Enquanto o peemedebista ainda aguarda um convite formal para um encontro com o presidente americano, Trump já recebeu pessoalmente líderes de vizinhos sul-americanos como Peru e Argentina - parceiros econômicos bem menos importantes para os EUA do que o Brasil, que ocupa o posto de principal mercado do país na América do Sul.
Ainda assim, Trump telefonou para outros líderes sul-americanos como Juan Manuel Santos, da Colômbia, e de todos os demais membros do Brics (bloco econômico formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), antes de seu único telefonema para Temer, em 18 de março.
Presidentes brasileiros anteriores, como Fernando Henrique Cardoso e Luís Inácio Lula da Silva, se encontraram pessoalmente com seus respectivos pares nos EUA durante os primeiros 100 dias de mandato de George W. Bush e Barack Obama, respectivamente, na Casa Branca.
Dilma Rousseff, por sua vez, recebeu telefonemas pessoais de Obama nos dias seguintes às suas duas vitórias em eleições.
Fernando Collor de Mello teve atenção semelhante do então presidente americano, George Bush. Apenas 25 dias após tomar posse em Brasília, em janeiro de 1990, Collor foi elogiado como alguém que "modernizaria" a política brasileira em encontro na Casa Branca.
À BBC Brasil, o palácio do Planalto disse, em nota, que "o presidente Michel Temer mantém diálogo construtivo com o presidente Donald Trump".
A reportagem também conversou com analistas e fontes ligadas à Casa Branca sobre a discreta relação entre Temer e Trump.
Os entrevistados sugerem algumas possíveis causas que explicariam o distanciamento atual nas relações entre os dois países - ou mesmo a falta de interesse em uma aproximação maior: as acusações de corrupção de políticos ligados ao governo Temer; a lenta recuperação da economia brasileira; a curta duração do mandato de Michel Temer; seus baixos índices de popularidade; o foco do governo Trump sobre problemas internos, como cortes de impostos e programa de saúde, e sobre questões geopolíticas que envolvem os EUA, como o bombardeio à Síria e a ameaça de um ataque nuclear pela Coreia do Norte; e, finalmente, a própria imprevisibilidade que marca a gestão Donald Trump.

Histórico

O governo brasileiro não quis comentar a diferença de tratamento do país aos vizinhos sul-americanos e aos presidentes que antecederam Michel Temer.
"Os dois (Temer e Trump) compartilham o objetivo de fazer crescer as respectivas economias e gerar empregos", diz a nota enviada pela presidência da República.
"As relações encontram-se em um momento muito bom tanto no que respeita ao relacionamento entre os dois governos quanto no que respeita ao relacionamento entre suas sociedades, empresários e acadêmicos", afirma o governo brasileiro.
Apesar de o Brasil não ser historicamente um país prioritário na agenda internacional dos Estados Unidos, presidentes anteriores a Temer receberam mais atenção nos primeiros cem dias de líderes americanos.
Segundo registros do Arquivo Nacional dos EUA, Fernando Henrique Cardoso veio aos Estados Unidos a convite de George W. Bush em 30 de março de 2001 - 69 dias após a posse do republicano.
Na ocasião, o presidente americano disse que era uma "honra" receber FHC, que classificou como "um bom homem".
Já Barack Obama se reuniu pessoalmente com Lula 53 dias depois de ter sido eleito presidente dos Estados Unidos, em 14 de março de 2009. Dias depois, em um encontro com o petista em uma reunião do G20 (grupo das 20 maiores economias do mundo), Obama disse a interlocutores que "adora" Lula ("I love this guy") e classificou o petista como "o político mais popular da Terra".
Com Dilma, que assumiu quando Obama estava na segunda metade de seu primeiro mandato, o relacionamento foi cordial, mas azedou, em setembro de 2013, por causa das revelações de que serviços de inteligência dos EUA teriam realizado escutas de conversas telefônicas da presidente.
Desde a posse, em 20 de janeiro, Temer conversou com Trump apenas uma vez, e por telefone. Na ocasião, segundo o departamento de comunicação da Casa Branca, o presidente americano "enfatizou a importância da relação bilateral com o Brasil, um de nossos parceiros-chave no hemisfério sul".
Trump não tocou no assunto em sua famosa conta no Twitter, que acabou se tornando seu principal canal pessoal de comunicação. Em inusitada inversão de papeis, Temer é que foi ao Twitter para divulgar a conversa com o americano: "Recebi hoje telefonema de @realDonaldTrump. Ele está acompanhando o nosso trabalho e me congratulou com os resultados que já alcançamos".
Temer prosseguiu: "Fortalecemos com @realDonald Trump a manutenção de canais diretos de diálogo. Ele disse do seu interesse em uma visita nossa a Washington".
Nem Trump, nem a Casa Branca fizeram comentários sobre o possível encontro.

Instabilidade

Para analistas e fontes no governo ouvidas pela reportagem, o aparente desinteresse do presidente americano também pode ser avaliado positivamente.
"Acho que, neste momento, qualquer país, inclusive o Brasil, deve esperar que esse governo mostre o que vai fazer em termos de política internacional", diz Julia Sweig, pesquisadora da universidade do Texas e especialista em Brasil e América Latina.
"Eu sugeriria a Brasília que fique fora do radar até que isto seja definido", afirma.
Sweig ressalta que a atenção de Trump está voltada para questões internas, como propostas de cortes de impostos e mudanças em programas de saúde, e na tensão geopolítica com países como a Coreia do Norte (sobre a qual Trump afirmou que paira "uma chance de conflitos de grandes proporções) e o México (alvo do polêmico projeto de construção de um muro para conter imigrantes ilegais).
O distanciamento do Brasil se agravaria com o que a pesquisadora classifica como "uma Brasília muito mais enfraquecida, por conta da contração econômica e seus escândalos de corrupção".
"A atenção internacional está focada no colapso econômico do Brasil e na extensão e profundidade da corrupção. Não acho que uma atenção positiva do exterior virá até que haja uma recuperação não só politica, mas econômica para o país", afirma.
Para uma fonte ligada à diplomacia americana, entretanto, a corrupção no Brasil não estaria entre as principais preocupações de Donald Trump.
"Neste momento, Temer é presidente e não está sob investigações diretas. Não acho que o governo americano seria reticente em se relacionar com o Brasil por conta de insinuações ou rumores - até porque o nosso próprio presidente tem rumores e insinuações na mesma medida contra ele", disse.
Ele se refere a acusações como as de nepotismo em relação a nomeação de parentes para cargos públicos, suspeitas de sonegação de impostos por suas empresas e supostas relações escusas com espiões russos durante a campanha eleitoral - todas negadas pelo presidente dos EUA.
"Você nunca vai eliminar a corrupção. Há corrupção em Nova York, o ex-presidente da assembleia do Estado está preso por corrupção e não é o primeiro. Ha corrupção em vários Estados americanos. Mas o nível de corrupção não é tão grande a ponto de afetar a integridade do país. E é nisso que o Brasil precisa ter atenção, o nível a que se chegou com a Odebrecht é insustentável."
Para o entrevistado, os Estados Unidos veem com bons olhos as principais reformas propostas por Temer (trabalhista e da Previdência), mas um obstáculo no caminho do presidente brasileiro seria a "questão da sua legitimidade".
"Ele tem uma questão de legitimidade porque não foi eleito e porque é citado em investigações. Não se sabe se Temer tem autoridade moral para implantar estas reformas", diz.

Pouco tempo

Na avaliação de Oliver Stuenkel, professor de relações internacionais da FGV, "este governo certamente não será lembrado por sua política externa".
Um dos problemas seria a curta duração da gestão Temer que, se não for interrompida pelo julgamento da chapa com Dilma Rousseff pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), durará pouco mais de dois anos.
"É muito difícil articular uma relação bilateral", diz. "É muito pouco tempo."
Para Stuenkel, o governo brasileiro falhou em não se mobilizar para um encontro pessoal com Trump - aposta feita por Mauricio Macri, presidente da Argentina, e Pedro Pablo Kuczynski, presidente do Peru.
"O encontro é fruto muito mais da iniciativa deles do que da de Trump", afirma o professor. "É difícil dizer quais são os ganhos específicos para um país após estas reuniões, mas acho importante se encontrar pessoalmente e criar um canal direto. Não concordo com a ideia de que 'se não tem pauta específica, não precisa se reunir'", diz.
"O governo brasileiro deveria ter se esforçado mais para encontrar Trump logo e avançar em temas como cooperação econômica, espacial, anticorrupção e outros vários. Mas não houve mobilização suficiente para fazer esse encontro acontecer."
Para Stuenkel, a curta duração do mandato de Temer dificulta sua política internacional.
"É difícil sentar com o governo brasileiro e dizer, olha, nos próximos anos, fazer tal cooperação. É difícil articular uma relação bilateral porque não há tempo suficiente para isso", diz.
A dificuldade de Temer, segundo o professor, não existiria apenas com Trump.
"Desde os meses antes do impeachment, o mundo percebe que o Brasil está em um momento de transformação, de muita incerteza, então todos estão muito cautelosos", diz.
"Poucos governos ainda investem pesado nessa relação com o Brasil e preferem esperar o que vai acontecer em 2018".

tocha-olímpica-sobre-o-protetor-3813943.jpgAeroflot


O que são as turbulências de céu claro que deixaram 27 feridos em um voo entre Rússia e Tailândia

Elas são invisíveis e não podem ser previstas por radares convencionais, mas têm a capacidade de ferir passageiros e danificar aviões.
São as turbulências de céu claro (CAT, na sigla em inglês), fenômeno que ocorre em céus azuis, limpos e aparentemente calmos, sem dar nenhum indício visual como as nuvens.
O voo SU 270, da companha aérea russa Aeroflot, que seguia de Moscou a Bangcoc, se deparou nesta segunda-feira com esse fenômeno, e o incidente deixou 27 pessoas feridas.
Embora ninguém corra risco de morte, vários passageiros sofreram fraturas e três passaram por cirurgia, afirmaram funcionários russos.
Um passageiro disse ter sido "ejetado" até o teto e descreveu tremores que "não paravam".
Como a turbulência ocorreu com bom tempo, a tripulação não conseguiu alertar os passageiros sobre o que estava por vir, disse a companhia aérea.
"Alguns passageiros estavam sem os cintos de segurança afivelados, daí as lesões", afirmou a Aeroflot em nota.

Por que as CAT ocorrem?

As CAT ocorrem quando massas de ar que se movem em diversas velocidades se chocam. Não podem ser identificadas a olho nu nem com radares convencionais.
Esse choque de ventos gera fortes redemoinhos com dimensões que vão de centenas de quilômetros a centímetros, onde finalmente a energia turbulenta se dissipa, segundo o site especializado em aviação Hispaviación.
A turbulência de céu claro ocorre acima de 3 mil pés (cerca de 900 metros) e não está associada a nuvens convectivas (de grande extensão vertical), como cumulus e cumulonimbus.
Em entrevista ao canal Rússia 24, o piloto, Aleksandr Ruzov, disse que a turbulência foi "impossível de prever", e que os efeitos mais intensos foram sentidos na parte traseira da aeronave.
Os pilotos costumam se valer de informes de outras aeronaves, transmitidos pelo controle aéreo, para manter um registro da ocorrência de CATs.

Feridos

Imagens registradas com celulares dentro da cabine do avião mostraram pessoas nos corredores, pacotes de comida e outros itens no chão.
"Fomos lançados ao teto do avião, era praticamente impossível se segurar", disse um passageiro à Rússia 24. "Parecia que o tremor não iria acabar e que simplesmente cairíamos."
O incidente ocorreu cerca de 40 minutos antes de o Boeing 777 aterissar em Bangcoc, com 313 passageiros.
Segundo a embaixada da Rússia na Tailândia, 24 feridos são russos e três, tailandeses.
Ao todo, 15 pessoas, entre elas uma criança, foram internadas em hospitais de Bangcoc, informou a agência de notícias russa Interfax. Três pessoas precisaram passar por cirurgia, duas por múltiplas fraturas nas pernas e outra por costelas quebradas.


tocha-olímpica-sobre-o-protetor-3813943.jpgComputador

Jogo da Baleia Azul: Até que ponto devemos nos preocupar?

A Prefeitura de Curitiba (PR) emite alerta diante de tentativas de suicídio de jovens. Em Goiânia (GO), polícia investiga a automutilação de adolescentes. Belo Horizonte (MG), Pará de Minas (MG) e Arcoverde (PE) apuram mortes suspeitas com o mesmo perfil. O Ministério da Justiça aciona a Polícia Federal para investigar o jogo virtual que teria relação com esses e outros casos recentes de suicídios e automutilações pelo país.
Relatos sob investigação no Brasil em abril de 2017 citam adolescentes vulneráveis que estariam sendo encorajados a retirar a própria vida por meio de uma série de desafios online.
Sabe-se que esses desafios, conhecidos como "jogo da Baleia Azul", tiveram origem em 2015 nas redes sociais da Rússia e se espalharam pela Europa nos últimos dois anos.
Na Rússia, as mortes de alguns adolescentes foram relacionadas ao jogo - embora não haja confirmação sobre esses relatos.
A ideia é que indivíduos estariam sendo convidados a completar um número de tarefas em 50 dias. As tarefas ficariam cada vez mais danosas à pessoa e terminariam com um desafio ao suicídio.
Há preocupação que a ideia esteja se espalhando pelo mundo - e pelo Brasil - por meio de redes sociais.
Mas como diferenciar o que é fato e boato nessa história, que por muitas vezes assume contornos de lenda urbana? Com questionamentos sobre a própria existência do desafio, e sem conexões comprovadas entre as mortes da Rússia e o jogo, quão preocupados devemos estar?

O que é a Baleia Azul?

Há certa confusão sobre a origem do nome, mas acredita-se que seja uma referência a um comportamento de certas baleias azuis, que aparecem em praias e morrem encalhadas.
O nome estaria sendo usado por grupos de pressão na internet, que indicariam um "curador" ou "administrador" que encorajaria participantes a completar testes em 50 dias.
As tarefas iriam de demandas simples, como assistir um filme de terror, a pedidos mais sinistros, como automutilações e suicídio.
Infelizmente é comum que grupos em redes sociais atraiam adolescentes, causando danos à saúde mental desses jovens.

Origem dos grupos

O primeiro elo nessa cadeia de eventos foi o suicídio, em novembro de 2015, da adolescente russa Rina Palenkova, de 16 anos.
Fotos publicadas pela jovem antes do ato, a mensagem de despedida e supostas fotos do corpo viralizaram no Vkontakte, ou VK, espécie de Facebook russo.
O VK permite que usuários faturem atraindo tráfego para comunidades online criadas dentro da rede social. Com isso, alguns viram oportunidade de negócio no apetite de adolescentes por imagens e informações sobre o suicídio de Rina.
Assim surgiram os chamados "grupos da morte" da web russa. Esgotado o material autêntico sobre a jovem, tais grupos começaram a produzir ações interativas baseadas em narrativas fictícias - incluindo a de que Rina teria integrado uma seita secreta e sido a primeira a cumprir as etapas de uma "missão" que teria culminado no suicídio.

Do underground ao escândalo

Esses grupos deixaram de ser um fenômeno underground e se transformaram em escândalo na sociedade russa com a publicação, em maio de 2016, de uma reportagem-denúncia pelo jornal Novaya Gazeta, conhecido pelas críticas ao Kremlin.
A reportagem trazia o depoimento de uma mãe de uma menina de 12 anos que se suicidou. A mãe dizia ter investigado a tragédia e descoberto o elo da filha com os grupos.
Oscilando entre indignação emotiva e sensacionalismo, o material afirmava que "ao menos 80" entre 130 suicídios de jovens supostamente registrados na Rússia de novembro de 2015 a abril de 2016 envolviam vítimas que participavam desses grupos.
A reportagem provocou comoção, mas também críticas. Algumas diziam, por exemplo, que os números citados careciam de fontes e que administradores dos "grupos da morte" não tinham sido ouvidos.
Outros veículos da imprensa russa entraram na história e produziram outros relatos. Supostos curadores de "grupos da morte" consultados disseram que o objetivo era atrair jovens com tendências suicidas, e então dissuadi-los; outros, que tudo não passava de uma arapuca financeira.
Um dos curadores citados pela Novaya Gazeta, Filipp Budeikin, de 22 anos, disse que tudo não passava de "piada". Em suas comunidades, contudo, Budeikin se referia aos jovens como "lixo biológico" a ser eliminado. Ele acabou preso em novembro de 2016, acusado de incitar pelo menos 15 suicídios, e aguarda julgamento.

Segunda onda

A imprensa russa voltou a mencionar o fenômeno no início deste ano, citando um surto de buscas online, nos países da antiga União Soviética, por expressões como "baleia" e "baleias azuis", e a emergência da hashtag #ojogo na rede social VK.
Ao mesmo tempo, reportagens do site americano de checagem Snopes e do grupo Radio Free Europe/Radio Liberty concluíram que não havia evidências que ligassem atos de violência na Rússia - suicídio ou agressões a terceiros - ao jogo virtual.
Radio Free Europe, por exemplo, descreveu um mundo em que os dois lados do jogo pareciam não levar nada muito a sério - "curadores" que pediam dinheiro em vez de tarefas mórbidas e "vítimas" que se inscreviam por brincadeira .
Também no começo de 2017, o assunto chamou a atenção de tabloides britânicos, como Daily Mirror e The Sun, que resgataram o material original da Novaya Gazeta. Assim a história chegou ao Ocidente.
A narrativa começou a atrair atenção no Brasil no início de abril, provocando preocupações e e um furor midiático semelhantes aos observados na Rússia e em ex-repúblicas soviéticas.
Para o pesquisador americano Benjamin Radford, autor de livros sobre lendas urbanas, a situação tem "todas as características de um pânico moral", nome dado por cientistas sociais a temores que se espalham de modo irracional.
Radford identifica nessa tendência elementos familiares a outros casos de medo coletivo: uma ameaça tecnológica a crianças e adolescentes; a situação clássica de "forasteiro perigoso", em que a ameaça parte de um estranho manipulador; e o elemento de teoria da conspiração.
"Há pouca evidência de que o jogo já tenha causado algum suicídio, ou mesmo que exista", disse ele, embora reconhecendo que a história em torno do jogo seja algo "possível".
Na última semana, o ministro da Justiça, Osmar Serraglio, atendeu pedidos do prefeito de Curitiba, Rafael Greca, e de quatro deputados federais para que a Polícia Federal investigue o jogo Baleia Azul.
Segundo o Ministério da Justiça, há relatos sobre adesão e vitimização de adolescentes que aceitaram desafios propostos pelo jogo em Estados como Paraná, Minas Gerais, Pernambuco, Maranhão e Amazonas. Ainda não há prisões relacionadas aos casos.

Devo me preocupar?

Embora autoridades na Rússia e no Brasil estejam investigando possíveis elos entre o suicídio de adolescentes e grupos de pressão na internet, não há relatos confirmados de ligação com o jogo da Baleia Azul.
O que a policia procura nessas investigações são conversas prévias entre as vítimas e usuários de redes sociais que possam ter influenciado as ações. No Brasil, incitação ao suicídio é crime com pena de dois a seis anos de prisão, em caso consumado.
Também há relatos de casos de suicídio em investigação na Ucrânia, Casaquistão e no Quirguistão, com foco com grupos online.

Como identificar sinais?

Grupos como a organização britânica de proteção à criança NSPCC oferecem conselhos sobre como detectar sinais de assédio online de crianças e práticas de construção de conexão emocional para obtenção de confiança - e também sobre como proteger a criança do avanço dessas situações.
Há uma série de possíveis sinais, mas eles não são óbvios porque criminosos costumam procurar a discrição para evitar serem detectados.
Entre os sinais e comportamentos mais comuns a serem observados são crianças que:
  • ficam com muitos segredos, sobretudo sobre o que fazem na internet;
  • estão passando muito tempo na internet e em redes sociais;
  • mudam a tela de visualização quando alguém se aproxima;
  • ficam caladas ou com raiva após usarem a internet ou enviarem mensagens de texto;
  • possuem muitos números de telefone e e-mails novos no celular.
O que fazer?
O Ceop, agência do governo britânico de combate à exploração infantil online, ressalta que às vezes a mudança de comportamento da criança é algo completamente normal, e que é importante não reagir de modo exagerado.
Ter uma conversa calma e aberta, diz a agência, é uma maneira eficaz de determinar as causas de qualquer mudança de comportamento, lidando com preocupações de maneira franca e oferecendo suporte e apoio moral.
Um programa educacional preparado pela organização ThinkUKNow também diz ser importante deixar claro ao jovem que qualquer conversa não irá resultar em punição. Segundo a ONG, crianças costumam evitar relatar sua preocupação caso acreditem, por exemplo, que seu acesso à internet será restringido.
Outro grupo de aconselhamento britânico, o Get Safe Online, diz ter conhecimento dos relatos "horríveis" relacionados ao jogo e lamentou que grupos estejam dispostos a "abusar dessas plataformas (redes sociais)".
Tony Neate, executivo do grupo, afirma que o diálogo é essencial para enfrentar questões de pressões de grupo caso a criança esteja "agindo estranhamente".
"Isso permitirá a criança dar um passo atrás, para longe das pressões", diz ele, acrescentando que isso ajudará o jovem a perceber que não se trata de "algo que eles tenham que seguir".





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Significado de Salmos 128
O Salmo 128, um salmo de sabedoria, é um salmo de Sião. Como o Salmo 127, trata das bênçãos de Deus ao lar e à família. As festas do antigo Israel eram celebrações de cunho familiar. Em sua ida à Cidade Santa para participar das festas, as famílias iam encontrando outras e mutuamente celebravam a benignidade de Deus em sua vida. O Salmo 128 é o nono Cântico dos Degraus. Assim está estruturado: (1) bênção aos justos (v. 1); (2) descrição da bênção (v. 2-4); (3) oração pela bênção (v. 5); (4) bênção à comunidade (v. 6).

128.1 — A palavra bem-aventurado descreve a felicidade daqueles que confiam no Senhor e fazem a Sua vontade (Sl 127.5). Que teme ao Senhor. O temor a Deus é uma postura de assombro, respeito, reverência e admiração. E a única reação cabível ante os maravilhosos atos do nosso Criador e Redentor.

128.2,3 — Trabalho das tuas mãos. Há uma recompensa no trabalho e uma satisfação em trabalhar que é uma bênção de Deus (Ec 3.9-13). A tua mulher. O salmo enfoca o homem justo do antigo Israel. Ter filhos era sinal da bênção de Deus à esposa. Seus filhos eram vistos como elementos essenciais à vida, como, por exemplo, as plantas de oliveira em seu lar (Sl 127.3-5). N aquele tempo, mais crianças queria dizer mais gente para trabalhar nos campos, o que poderia aumentar o bem-estar geral da família.

128.4-6 — O Senhor te abençoará. Esta é a oração do salmista pelo homem que deseja para sua própria família as bênçãos estipuladas no salmo.

Filhos de teus filhos. Esta oração sacerdotal pela bênção contém um desejo de longevidade e de uma posteridade feliz sobre a terra. Só quando Deus concede Sua paz ao Seu povo é que as condições ideais da vida familiar são alcançadas. Assim, quem orar pela bênção de Deus sobre uma família também estará pedindo a bênção da paz de Deus sobre toda a comunidade (Sl 122.6-9; 125.5).