segunda-feira, 3 de outubro de 2016

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Romanos - Capítulo 5

Comentário ao Capítulo 5 da Carta de Paulo aos Romanos. Após estudar o capítulo cinco da carta de Paulo aos Romanos será possível ao leitor divisar como todos os homens foram feitos pecadores, e como é possível ser participante da graça de Deus. O leitor também estará apto a verificar qual é a condição dos que estão em Cristo, e acondição daqueles que continuam inimigos de Deus.
Romanos 5

Introdução ao Capítulo 5
>Antes de prosseguirmos na análise versículo a versículo, faz-se necessário observarmos como Paulo estruturou a escrita da carta aos Romanos.
A primeira abordagem de Paulo sobre a justiça de Deus pela fé em Cristo se dá no capítulo 1, versos 16 à 17. Em seguida, o apóstolo passa a demonstrar que todos os homens pecaram e foram destituídos da glória de Deus em Adão ( Rm 1:16 à Rm 3:20 ). Após demonstrar que diante de Deus todos os homens tornaram-se escusáveis (judeus e gregos), o apóstolo volta a abordagem inicial: a justificação pela fé. Observe:
1º) "Não me envergonho do evangelho, pois é poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego. Pois nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé" ( Rm 1:16 -17).
2º) "Mas agora se manifestou sem a lei, a justiça de Deus, tendo o testemunho da lei e dos profetas. Isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos [e sobre todos] os que creem. Não há distinção" ( Rm 3:21 -22).
Percebe-se que no intervalo argumentativo entre os dois textos acima, Paulo apresentou elementos que demonstram que todos os homens tornaram-se culpáveis diante de Deus.
Também é possível pontuar os elementos presentes nos dois textos acima: No capítulo 1, versos 16 à 17, Paulo demonstra que a justiça de Deus se alcança por meio da fé sem qualquer distinção entre judeus e gregos. Da mesma, o capítulo 3, versos 21 à 22 continua demonstrando que a justiça de Deus é para os que creem sem distinção alguma entre judeus e gregos.
Em seguida, o apóstolo apresenta uma argumentação precisa e concisa sobre os motivos da justificação ser pela fé ( Rm 3:23 -27), e uma conclusão: "Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, sem as obras da lei" ( Rm 3:28 ).
No capítulo 4, o apóstolo apresenta exemplos de justificação pela fé no A. T.: Abraão e Davi, ou seja, Paulo evoca a autoridade da Escritura para dar sustentação a sua argumentação ( Rm 4:1 -25).
Desta forma, chegamos ao capítulo 5, onde o apóstolo volta à exposição argumentativa do início da carta, quando apresentou a ideia da justificação pela fé "TENDO sido, pois, justificados pela fé..." ( Rm 5:1 ).
Isto demonstra que a exposição de Paulo é focada sobre um tema: a justificação pela fé em Cristo, sem qualquer distinção entre judeus e gregos. A abordagem de Paulo sobre a justificação pela fé sem distinção alguma entre judeus e gregos é debatida do capítulo 1 ao 4.
A abordagem do capítulo 5 também é sobre a justificação pela fé, porém, sem o foco das discussões provenientes da diferenças entre judeus e gregos, que motivou o apóstolo a demonstrar que em Cristo não há distinção alguma entre judeus e gentios.
Nos quatro primeiros capítulos Paulo demonstrou que todos os homens pecaram, e no capítulo cinco, ele retroage no tempo para demonstrar onde e em quem todos pecaram ( Rm 5:12 -21). Diferentemente dos quatro primeiros capítulos que focam a problemática da lei, da fé, dos judeus e dos gentios, o capítulo cinco apresenta qual é a condição daqueles que agora estão em Cristo ( Rm 5:1 -5), e qual era a condição do homem antes de terem um encontro com Cristo por meio do evangelho ( Rm 5:6 -6; 8 e 10).
Conclui-se que, após estudar o capítulo cinco da carta de Paulo aos Romanos, será possível divisarmos como todos os homens tornaram-se pecadores, e como é possível ser participante da graça de Deus. O leitor também estará apto a verificar qual é a condição dos que estão em Cristo, e a condição daqueles que continuam inimigos de Deus

Capítulo V
1 TENDO sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo;
Não é correto nos pautarmos nas divisões de textos como capítulos e versículos quando da interpretação das cartas bíblicas. Ao analisar o texto, não podemos atrelar a análise tão somente a um capítulo ou a um, dois ou três versículos. Antes, a análise de qualquer versículo ou frase deve ser considerada dentro do contexto geral da carta.
Precisamos estar atentos, pois as divisões em versículos e capítulos acabam por influenciar a leitura bíblica. As divisões em capítulos e versículos devem ser considerados somente como auxilio para localização e referenciamos certos textos.
A observação anterior é válida na análise deste capítulo. Quando o apóstolo diz: "Tendo sido, pois, justificados pela fé..." ( Rm 5:1 ), ele termina uma argumentação e introduz uma nova ideia.
Quando o apóstolo escreve 'Tendo sido, pois, justificados pela fé...', ele dá por encerrada a discussão sobre a superioridade dos judeus, ou que somente os gentios eram pecadores, ou que a justiça de Deus era proveniente da lei mosaica.
Ao ser justificado pela fé em Deus, as questões abordadas anteriormente passam à segundo plano, uma vez que não há distinção alguma entre gentios e judeus. "Sendo, pois, justificados pela fé..." remete à versículos anteriores ( Rm 1:16 -17 e Rm 3:21 -22), e apresenta um novo aspecto da justificação pela fé.
Os cristãos pela fé adquiriram paz com Deus, por intermédio de Cristo Jesus. Por meio da fé os cristãos são declarados justos e obtiveram paz com Deus. A condição alcançada em Cristo contrasta com a condição apresentada no verso 10.

2 Pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus.
Desde já, vale observar que, ao falar da salvação em Cristo, Paulo apresenta a condição dos cristãos (paz com Deus), para depois apresentar como alcançaram tal condição (pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça). Ou seja, durante a análise da carta aos Romanos, demonstraremos que, geralmente, o ponto de partida para o apóstolo apresentar o plano da salvação é o da condição alcançada (paz com Deus), e em seguida, ele retroage até demonstrar qual era a condição anterior (inimizade).
Por intermédio de Jesus os cristãos têm entrada a esta graça, ou seja, alcança a graça da justificação e amizade com Deus pela fé. Este versículo demonstra que por Cristo e pela fé os cristãos recebem a graça de Deus, e o verso anterior fixa-se em demonstrar a graça alcançada: justificação e amizade com Deus.
Paulo reitera que ele e todos quantos estão em Cristo (...também temos...), estão firme na graça proveniente do evangelho (...na qual estamos firmes...). Enquanto muitos se gloriam das questões relativo à carne ( 2Co 11:18 ), os cristãos gloriam-se na esperança proposta por meio do evangelho.
Embora o apóstolo não volte a falar que não há diferenças entre gentil e judeu explicitamente, ele acaba por falar de modo velado destas distinções promovidas pelos homens, e não por Deus. Gloriar-se na esperança da glória de Deus é uma das maneiras de trazer à lembrança dos cristãos àqueles que se vangloriam da carne.

3 E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência,
Enquanto os da fé gloriam-se na esperança proposta e nas tribulações, os segundo à carne gloriam-se em questões meramente humanas "Pois que muitos se gloriam segundo a carne, eu também me gloriarei" ( 2Co 11:18 ); "Se convém gloriar-me, gloriar-me-ei no que diz respeito à minha fraqueza" ( 2Co 11:30 ).
Enquanto os da carne buscavam elementos para gloriarem-se na carne dos irmãos em Cristo "Porque nem ainda esses mesmos que se circuncidam guardam a lei, mas querem que vos circuncideis, para se gloriarem na vossa carne" ( Gl 6:13 ), Paulo demonstra que o cristão deve gloriar-se tão somente na cruz de Cristo, esperança da glória "Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo" ( Gl 6:14 ).

4 E a paciência a experiência, e a experiência a esperança. 5 E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.
Esta relação entre tribulação, paciência, experiência e esperança também foi abordado por Pedro e Tiago, porém, cada um à sua maneira:
"Meus irmãos, tende por motivo de grande gozo o passardes por provações, sabendo que a prova da vossa fé desenvolve a perseverança. Ora a perseverança deve terminar a sua obra..." ( Tg 1:2 -4).
"Nisto vos exultais, ainda que no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações. Essas provações são para que a prova da vossa fé (...) redunde para louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo" ( 1Pe 1:6 -7).
A fé é a 'entrada' à graça de Deus, que pela esperança proposta concede forças para suportar as tribulações ( Hb 12:2 ).
Quando o apóstolo diz que 'a esperança não traz confusão', ele aponta para o Espírito Santo, que foi concedido através do amor de Deus. Ao escrever este verso Paulo tinha em mente a declaração feita aos cristãos de Éfeso: "Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa. O qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão adquirida, para louvor da sua glória" ( Ef 1:13 -14).
O penhor geralmente é equivalente ao valor da dívida, e Paulo demonstra que os cristãos já haviam recebido o que é infinitamente superior à herança: o Espírito Santo de Deus.


O Primeiro e o último Adão
"Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante" ( 1Co 15:45 )

Adão e Cristo são os dois personagens de maior importância para a interpretação bíblica. Grande parte das parábolas de Jesus e das figuras do Novo Testamento são referências específicas aos eventos no Éden e da cruz, ilustrando as conseqüências destes eventos para a humanidade.
Um exemplo é a parábola dos 'dois caminhos', que, implicitamente, faz referência as conseqüências decorrentes dos eventos que sucederam no Éden e na cruz. Observe: Adão foi feito (criado) alma vivente, porém, após desobedecer a determinação divina passou a condição de morto perante Deus. A 'nova' condição de Adão após a queda passou a ser de sujeição ao pecado pela natureza adquirida.
A sujeição ao pecado deixou Adão em inimizade com Deus, e por causa da condenação deixou de ser participante da vida que há em Deus e passou a viver para o mundo e suas concupiscências (morto para Deus e vivo para o mundo).
Todos os nascidos de Adão (nascidos da carne, vontade do varão e do sangue) passaram a condição de filhos da ira e da desobediência. Todos os homens estavam destituídos da glória de Deus, pois todos pecaram.
Esta condição pertinente à toda humanidade é ilustrada através da parábola das duas portas e dos dois caminhos, ou seja, todos os homens ao nascerem, por serem descendentes de Adão, entram pela porta larga, e seguem pelo caminho espaçoso que conduz à perdição ( Mt 7:13 ).
Em Adão todos os homens morreram e destituídos estão da glória de Deus. Em Adão, a 'porta larga', todos os homens seguem o caminho de perdição. Todos os homens morreram em Adão e passaram a viver para o pecado, para o maligno e para o mundo.
Porém, através do último Adão, que por Deus constitui-se espírito vivificante, todos os que creem entram pela porta estreita, ou seja, nascem de novo. São criados por Deus em verdadeira justiça e santidade, segundo o poder concedido através do evangelho, sendo feitos (criados) filhos de Deus ( Jo 1:12 ).
Estes passam a trilhar o caminho estreito que conduz à vida. O caminho é estreito e poucos entram por ele, ou seja, quando se fala em quantidade, muitos vem ao mundo segundo Adão, e poucos são os que crêem para a salvação, segundo o último Adão, que é Cristo.
Em números absolutos, em Adão todos morreram, e em Cristo, o último Adão, todos quantos crerem também morrem. Em Adão toda a humanidade morreu e passou a viver para o mundo, em Cristo, o último Adão, todos os que crêem, morrem para o pecado, para o maligno e para o mundo, e são de novo criados, e passam a viver para Deus. Amém.
Outro exemplo, é a figura dos vasos, conforme Paulo escreveu aos Romanos, veja: "Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra?" ( Rm 9:21 ). Como entender esta figura apresentada por Paulo?
Sabemos que Deus é o oleiro, e é Ele que detém o poder sobre o barro, que é o homem. Todos os homens decorrem de uma mesma massa, ou seja, todos são alma viventes conforme Adão.
Todos os homens que vêem ao mundo são criados pelo poder de Deus, porém, por serem descendentes de Adão, todos são feitos vasos para desonra. Todos os descendentes de Adão são vasos para ira, preparados para perdição. Através deles Deus demonstra a sua ira, e dá a conhecer o seu poder, suportando-os com muita paciência.
Deus chama pacientemente os vasos preparados para a ira a fim de torná-los vasos para honra, ou seja, o evangelho é o chamado de Deus a todos os homens nascidos segundo Adão. Todos os cristãos foram chamados por Deus, e neles é demonstrado o poder de Deus e as riquezas de sua graça. Todos os que são chamados e crêem são os vasos de misericórdia, e, portanto, vasos para a honra.
Observe que, tanto os nascidos em Adão e os nascidos em Cristo constituem-se vasos e são formados da mesma massa como nos afirma ( 1Co 15:46 ) "Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois o espiritual". Todos os homens precisam ser feitos almas viventes (homem natural), para depois serem criados espirituais (homem espiritual).
Quando criados, os homens naturais passam à condição de escravos do pecado, por causa do pecado de Adão. Percebe-se então que, o grande diferencial é que, os nascidos segundo Adão são vasos para a desonra, e os nascidos em Cristo são vasos para honra.
Quando o leitor não compreende a verdade sobre os eventos da cruz e do Éden, aca 



ba por interpretar a bíblia erroneamente. Ao deparar-se com parábolas e ilustrações como as apresentadas acima, terá um entendimento segundo uma concepção humana, e permanecerá enfatuado, segundo uma carnal compreensão.
Muitos interpretam que a porta é larga porque as pessoas do mundo estão entregues aos prazeres, são sensuais, céticas e criminosas. Entendem que a porta é larga por não apresentar 'dificuldades' ou condições para entrada. Entendem que o caminho estreito esta diretamente relacionado com dificuldades, proibições, restrições de ordem moral, comportamental e religiosa.
Entendem que, para trilhar o caminho estreito, ou que, para entrar pela porta estreita basta seguir preceitos religiosos, cumprir leis nacionais, ou seguir filosofias de vida.
Diante deste entrave surgem muitas religiões, igrejas e denominações. Se avolumam os discursos sobre disciplina, sofrimento, penitências, orações, rezas, moralidade, santidade, serviço, pró-atividade. As qualidades procedentes do ego humano são louvadas insistentemente, como: coragem, determinação, empenho, disciplina, resignação, etc.
O ritualismo, o formalismo e o legalismo são ferramentas utilizadas para caracterizar devoção religiosa. Criam mecanismos para medirem e serem medidos. e força outros a seguirem o que preceituam como necessário à salvação. Estabelecem padrões de justiça e santidade a ser seguido. Procuram lições provenientes do paganismo e das filosofias humanas.
Esquecem de observar o que Jesus disse a Nicodemos: "Em verdade, em verdade te digo que quem não nascer de novo, não pode ver o reino dos céus" ( Jo 3:3 ). Não observam que o 'melhor' da religião, da lei, da moral, do comportamento não faz o homem agradável a Deus, e por tanto, a recomendação de Jesus a um dos mestres do judaísmo.
O mundo ainda continua apegado a elementos fracos e pobres, que não pode livrar o homem da condição de sujeição ao pecado ( Gl 4:9 -10).
O apóstolo Paulo demonstra estar consciente das conseqüências decorrente da desobediência de Adão e da obediência de Cristo ao escrever aos cristãos de Corinto ( 1Co 15:45 -50).
Ao escrever a Timóteo, Paulo alerta sobre este pretenso 'evangelho': "Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos alguns apostatarão da fé (...) que proíbem o casamento, e ordenam a abstinência de alimentos" ( 1Tm 4:1 -3).
Esta análise se fez necessário, visto que, os capítulos 6 e 7 da carta aos Romanos se fundamentam sobre os eventos do Éden e da cruz, e as conseqüências destes eventos para a humanidade.

O comentário que Paulo fez do verso 1 ao 11 demonstra que a humanidade estava em inimizade com Deus, e que agora, por intermédio de Cristo, esta estabelecida a reconciliação Rm 5: 10- 11.
Os versos 12 à 19 retroage no tempo para demonstrar onde toda a humanidade passou à condição de inimizade com Deus, e como se estabelece a paz com Deus Rm 5: 1.
Apesar de Paulo não ter citado nenhum verso da Escritura neste capítulo, a explicação centra-se nos eventos do Éden e da cruz.

12 Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram.
Através da desobediência de Adão o pecado entrou no mundo, e pelo pecado (desobediência) a morte também entrou no mundo dos homens.
Lembrando: Deus havia advertido Adão a que não comesse da árvore do conhecimento do bem e do mal, embora ele pudesse comer de todas as árvores livremente. Adão também foi informado das conseqüências funestas se comesse da árvore 'proibida': "...dela não comerás, pois no dia em que dela comeres, certamente morrerás" ( Gn 2:17 ).
Adão desobedeceu, e por ele entrou o pecado no mundo. Como conseqüência do pecado, a morte também entrou, ou seja, Adão passou a condição de morto para Deus.
A resposta sobre como todos os homens tornaram-se pecadores encontra-se expresso neste versículo. Observe que Paulo já havia apresentado este conceito anteriormente (todos pecaram) ( Rm 3:23 ), mas não havia apresentado como e onde todos pecaram. Este versículo complementa a idéia apresentada no capítulo 3.
Como o pecado e a morte entraram no mundo por meio de Adão, todos os seus descendentes compartilham da mesma condição: são pecadores e destituídos da glória de Deus ( da vida que há em Deus).
A condenação decorrente do pecado de Adão que passou a todos os seus descendentes, ou seja, 'assim também a morte passou a todos os homens'.

13 Porque até à lei estava o pecado no mundo, mas o pecado não é imputado, não havendo lei.
Paulo observa que o pecado e a condição de destituídos da vida que há em Deus é anterior ao advento da lei. Como seria possível a lei justificar se o pecado é anterior a própria lei? Ou seja, até a lei ser dada ao povo, o pecado já estava no mundo. Como era possível ser justificado antes da lei?
A resposta está no primeiro versículo do capítulo: "... justificados pela fé..." ( Rm 5:1 ), pois a fé é anterior à lei, e o Autor da fé "é" anterior a entrada do pecado no mundo.
A idéia apresentada por Paulo neste versículo é concluída no verso 20: "Porque até à lei estava o pecado no mundo (...) veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse..." (v. 13 e 20). Os versos 14 à 19 compõem um adendo explicativo sobre as conseqüências dos eventos do Éden e da cruz para a humanidade.
A segunda parte do versículo introduz uma pergunta, e não uma conclusão '...mas não é o pecado imputado, não havendo lei?', ou seja, o pecado estava no mundo, e a penalidade não seria imputada, simplesmente por não existir a lei? A resposta é conclusiva: a penalidade foi imposta, mesmo sem a presença da lei, visto que a morte reinou desde Adão (início) até a vinda da lei (Moisés).

14 No entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não tinham pecado à semelhança da transgressão de Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir.
Este verso apresenta uma argumentação com base nos elementos apresentados nos versos anteriores, ou seja, mesmo que 'o pecado é anterior à lei', e não é 'imputado aos homens', 'NO ENTANTO...' (v. 14), a morte dominou (reinou) desde Adão até a chagada da lei (Moisés).
A morte dominou sobre todos os homens independentemente de questões comportamentais ou legais. Mesmo sobre aqueles que não transgrediram uma determinação especifica, como foi o caso de Adão, a morte tinha domínio.
Paulo demonstra a fragilidade da 'sombra', ou seja, daquilo que não é a imagem 'exata das coisas', pois a condenação se deu na 'figura daquele que havia de vir', em Adão. O que esperar da lei, se ela não é a imagem exata da coisas, como foi Adão? ( Hb 10:1 ).

15 Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa. Porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça, que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos.
Quando Paulo demonstra que o dom gratuito não é como a ofensa, ele ainda tem em mente o que acabou de declarar no verso anterior: "... a morte reinou desde Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram a semelhança da transgressão de Adão...". A morte reinou mesmo sobre aqueles que não pecaram a semelhança da transgressão de Adão, mas não é assim o dom gratuito.
Ou seja, para que o homem tenha acesso ao dom gratuito precisa crer individualmente. Assim é a ofensa: o pecado atingiu a todos os homens indistintamente, mas o dom gratuito não é assim como a ofensa: é pela fé, mediante Jesus Cristo nosso Senhor ( Rm 5:21 ).
Observe que a negativa inicial (Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa), não condiz com a explicação que se segue: 'Porque, se pela...', que apresenta uma equiparação entre os efeitos do dom gratuito e da ofensa sobre os homens.
O versículo 15 é semelhante na construção ao versículo 13, onde a frase inicial parece apresentar uma interrogação, onde a ofensa é um contra posto ao dom gratuito "Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa?".
A divisão em versículos acaba por influenciar a leitura do texto. 'Mas, não é assim o dom gratuito como a ofensa' refere-se ao versículo 14, onde temos: "...até sobre aqueles que não tinham pecado à semelhança da transgressão de Adão", e não ao versículo 16.
Ou seja, o dom gratuito não é como a ofensa, visto que a morte reinou sobre todos os homens, mesmo sobre aqueles que não transgrediram à semelhança de Adão. O dom gratuito não é como a ofensa, porque a vida reina somente sobre aqueles que crêem em Cristo.
O contra ponto entre ofensa e dom gratuito esta em que, a ofensa comprometeu toda humanidade, mesmo que não tenham cometido a mesma ofensa de Adão. Já o dom gratuito (vida) é por meio da fé em Cristo, e esta nova condição não passa a todos os outros homens, como foi e é o caso da ofensa, em que a morte passou e continua a passar a todos os homens que vêem ao mundo ( Rm 5:12 e 14).
O versículo introduz nova argumentação: 'Porque, se pela ofensa, de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça, que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos'. Visto que a introdução do versículo remete a uma 'possível' pergunta (v. 15), que já havia sido responda anteriormente (v. 14), Paulo apresenta as bases para trazer uma nova questão: Um homem morreu por casa da ofensa (Adão), e muitos morreram (a humanidade). Como a ofensa impôs à morte a muitos, a graça de Deus é mais efetiva, proposta de salvação graciosa a muitos, ou seja, a oferta do dom da graça por meio de Cristo.

16 E não foi assim o dom como a ofensa, por um só que pecou. Porque o juízo veio de uma só ofensa, na verdade, para condenação, mas o dom gratuito veio de muitas ofensas para justificação.
Embora a ofensa e o dom gratuito não sejam semelhantes, visto que o dom da graça não passa a todos os homens como é o caso da ofensa, segue-se que, o dom é similar a ofensa na paridade de pessoas que ofenderam e que obedeceram: um só pecou (Adão), e um só obedeceu (Cristo).
A ofensa é proveniente de um só que pecou, e o dom da graça é proveniente de um só que obedeceu. Paulo demonstra que o juízo de Deus já está estabelecido por causa da ofensa de Adão, e isto para a condenação. Porém, o dom de Deus se manifesta sobre os pecadores (muitas ofensas) para justificação.

17 Porque, se pela ofensa de um só, a morte reinou por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo.
A graça de Deus se manifesta maravilhosamente abundante, visto que, pela ofensa quem reinou foi a morte sobre os homens, porém, em Cristo quem há de reinar em vida são os homens que receberam por meio da fé o dom da justiça.
A morte reinou sozinha por um único ofensor (Adão), mas os que receberam a abundância da graça (muitos), estes reinarão por um único homem que obedeceu(Jesus).

18 Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida.
O verso 19 é o motivo da exposição do verso 18. Paulo volta a demonstrar que uma só ofensa trouxe o juízo de Deus sobre todos os homens, e todos foram condenados em Adão.
Conforme os eventos que decorrem da ofensa, assim também, por um só ato de justiça a graça de Deus é concedida a todos os homens, para que estes sejam justificados.
A condenação trouxe a morte como penalidade, e a justificação, por sua vez, a vida. Isto demonstra que a justificação é ato de Deus contrário à condenação. Na condenação o homem adquiriu uma natureza contrária à natureza divina sendo declarado culpável diante de Deus, e na justificação o homem adquire nova natureza herdada em Deus: a natureza divina, sendo declarado justo por causa da nova vida e natureza ( 2Pe 1:4 ).
Temos: Uma ofensa e um ato de justiça; o juízo e a graça; condenação e justificação. Paulo contrapõe estes elementos, sendo que para reverte a ofensa de Adão, Cristo obedeceu. Para livrar o homem do juízo a graça de Deus manifestou-se. O homem foi declarado culpado na condenação, e na justificação é declarado justo.
Tanto na condenação, quanto na justificação a declaração de Deus diz de condições distintas, porém, efetivas. Deus não declara condenado um justo, e nem declara justificado alguém que ainda seja injusto.

19 Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos.
Paulo apresenta os motivos da exposição anterior: pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos (criados) pecadores, e da mesma forma, pela obediência de Cristo, muitos são feitos (criados) justos.
O sentido da palavra 'fazer' deste versículo equivale ao anunciado por João: "Mas a todos os que o receberam, àqueles que crêem no seu nome, deu-lhes o poder para serem feitos filhos de Deus..." ( Jo 1:12 ).
O sentido da palavra 'fazer' envolve um sentido mais amplo por causa da ação sobrenatural do poder de Deus. Ex:"Nele, digo, em quem também fomos FEITOS herança..." ( Ef 1:11 ); "...pela qual nos fez agradáveis para si no Amado" ( Ef 1:6 ), o que corresponde também a: "Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo" ( 1Pe 2:5 ).

20 Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça;
Este versículo complementa o exposto nos versos 12 e 13.
Sabemos que um homem pecou, e pelo pecado a morte passou a todos os homens, o que leva a concluir que todos pecaram, ou que estão em pecado. Daí advém a pergunta: Não existindo lei, o pecado não é imputado? O que a realidade demonstra é que mesmo sem lei, o pecado é imputado, visto que, a morte reinou sobre todos os homens, mesmo sobre os que não transgrediram a semelhança da transgressão de Adão.
O que Paulo quis demonstrar nos versos 12 e 13? Que a lei não veio para justificar o homem, antes ela veio para que a ofensa abundasse. Além da condenação em Adão que já encerrou os homens na morte (porta larga), resta que, a lei demonstra o quanto o homem é pecador, e será réu de juízo no Trono Branco por causa de suas obras reprováveis (caminho espaçoso).
Apesar deste quadro horrível para a humanidade, Paulo demonstra que, onde o pecado abundou, superabundou a graça de Deus. Ou seja, não há a necessidade de se permanecer no pecado para que a graça aumente ( Rm 6:1 ). Ela já se demonstrou abundante por meio de Cristo nosso Senhor. Amém.

21 Para que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reinasse pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor.
A graça de Deus é abundante para que, assim como o reino do pecado foi estabelecido através da pena imposta à desobediência, ela também reine pela justiça através da recompensa eterna, que é por intermédio de Cristo: a vida eterna.

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A salvação é condicionada ou incondicionada?

Se alguém oferece um copo com água a alguém com sede, que mérito há em quem bebe a água? É isto que Jesus oferece: "E no último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé, e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, venha a mim, e beba" ( Jo 7:37 ). Ora, se alguém tem sede, que venha e beba: oferta de salvação “Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna” ( Jo 4:14 ).

Introdução
A discussão acerca da salvação se é condicionada ou não se deve a uma outra: se há algum mérito em o homem crer em Cristo.
Há aqueles que negam que a salvação é concedida aqueles que ouvem a mensagem do evangelho e creem em Cristo, pois anunciam uma graça 'especial' dada somente a alguns indivíduos que, por meio desta graça, são 'habilitados a crerem. Este pensamento surgiu por entenderem que, se o homem se decidir crer em Cristo somente por ouvir a mensagem do evangelho, que há mérito no homem que tornou-se um coadjuvante na salvação. 

Convite
No Antigo Testamento a salvação é apresentada de várias formas ao povo. Dentre elas destacamos:
a) Ordem – “Olhai para mim, e sereis salvos...” ( Is 45:22 );
b) Convite - "Ó VÓS, todos os que tendes sede, vinde às águas, e os que não tendes dinheiro, vinde, comprai, e comei; sim, vinde, comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite" ( Is 55:1 );
c) Orientação – "E rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao SENHOR vosso Deus; porque ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e se arrepende do mal" ( Jl 2:13 ).
O que estes versículos apresentam: uma condição a ser satisfeita pelo homem ou apontam uma necessidade intrínseca ao homem?
Os homens são concitados a se salvarem, ou a olhar para Deus que salva? Os homens são concitados a 'virem' às águas, ou que providenciem água para si? 
No Antigo Testamento não havia a concepção de ‘promessa’ como é usual em nossos dias, pois era o bastante afirmar que alguém disse ou proferiu alguma palavra com referência ao futuro para ser aceito como verdadeiro “…onde nossas versões portuguesas dizem que alguém prometeu alguma coisa, o hebraico simplesmente afirma que alguém disse ou proferiu (‘amar, dabhar) alguma palavra com referência ao futuro…” (Promessa. In: DOUGLAS, J.D. O novo dicionário da Bíblia, t.II, p.1330).
Em nossos dias, por causa da crescente onda de mentiras, a ideia de promessa assume um significado específico. Não basta alguém declarar algo a respeito do futuro, antes deve declinar a sua palavra e dar peso a ela através de uma promessa.
Por ‘promessa’, os lexicógrafos modernos definem como ‘ato ou efeito de prometer’ ou ‘compromisso oral ou escrito de realizar um ato ou de contrair uma obrigação’. Tal palavra tem origem no latim “promissa”, palavra derivada do plural de uma forma verbal “promissum”, cujo significado é ‘lançar, atirar longe, deixar crescer para diante, oferecer, propor, obrigar-se, etc.
A ideia grega proveniente da palavra ‘epangelia’ também não segue a concepção atual de promessa. Para os gregos a ideia de promessa vincula-se a palavra grega “epangelia” (επαγγελια) que também significa ‘anuncio’, ‘mensagem’, e deriva da mesma raiz da palavra ‘evangelho’.
Percebe-se que na antiguidade ‘anunciar’ ou transmitir uma ‘mensagem’ era o mesmo que estabelecer algo veraz. Se alguém proferisse alguma palavra com referência ao futuro, era mais que suficiente para ter a devida credibilidade.
Hoje, para dar à devida credibilidade as palavras que proferimos, é usual prometermos ou até estabelecermos um compromisso oral ou escrito de realizar um ato ou de contrair uma obrigação frente algumas testemunhas ou autoridade constituídas para este fim.
Ora, a palavra, o anúncio, a mensagem ou o que Deus proferiu a respeito do futuro é superior ao que entendemos hoje por promessa. A promessa: ‘... será salvo...’ é a palavra que Deus (aquele que não pode mentir) proferiu a respeito da salvação "Em esperança da vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes dos tempos dos séculos" ( Tt 1:2 ).
A palavra proferida por Deus acerca da salvação teve por base o Cristo e foi estabelecida ‘antes dos tempos dos séculos’. Deus falou acerca da salvação e o cordeiro foi morto antes da existência dos homens, e no seu devido tempo por intermédio do evangelho é ofertada salvação a todos os homens ( Tt 1:3 ).
Quando Deus prometeu (επαγγελια) salvação, não foi imposta nenhuma condição, uma vez que aqueles que seriam salvos nem mesmo existiam. Porém, o que era necessário para levar a efeito a palavra que foi anunciada antes dos tempos dos séculos Deus providenciou: o cordeiro foi morto antes da fundação do mundo ( Ap 13:8 ).
Neste sentido não há como relacionar a promessa de salvação a algum mérito por parte do homem, pois o que era preciso para o homem ser salvo Deus providenciou antes de os homens virem à existência.
Quando Deus diz: “Olhai para mim, e sereis salvos...” ( Is 45:22 ), a sua palavra demonstra duas verdades: a) que o homem está perdido, e; b) que necessita de salvação. É por isso que Jesus disse a Nicodemos: “Necessário vos é nascer de novo” ( Jo 3:7 b).
A necessidade é premente a todos os homens. Todos precisam de salvação por estarem perdidos, e somente Deus pode satisfazer-lhes a necessidade.
Deus apontou aos homens a necessidade do novo nascimento, porém, o novo nascimento não é algo possível aos homens realizarem.
É possível ao homem promover um novo nascimento? Não! É impossível ao homem nascer de novo assim como é impossível ao homem fazer com que venha ao mundo um novo ser. E por que Jesus alerta Nicodemos que é necessário ao homem nascer de novo? Porque assim como é necessário a vontade do homem para vir a existência um ser segundo a carne e o sangue, para vir a existência um novo homem é necessário a vontade do homem.
Ora, o homem só nasce de novo quando nasce da água (palavra) e do Espírito (de Deus). Não há como o homem providenciar a água ou o Espírito, mas é necessário atender o chamado de Deus, quando lhe será dado um novo coração e um novo espírito que só Deus tem poder para criar ( Sl 51:10 ).
Por isso, quando lemos: "Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado" ( Mc 16:16 ), a mensagem deve ser entendida como um convite à salvação, e o crer na mensagem do evangelho é o essencial a salvação. Com relação a mensagem de salvação não há o que o homem possa realizar, se não descansar na promessa.
“Quem crer...”  diz de uma oferta salvadora a todos os homens que lhes preserva o arbítrio. Como oferecer salvação gratuita a todos os homens sem influenciá-los? Ora, a influencia está na mensagem que demonstra que o homem está perdido e que necessita de salvação. 
Quando se lê: “Quem crer em mim, como diz as escrituras...” ( Jo 7:38 ), há muitos que entendem o 'crer' na mensagem do evangelho como uma obra meritória por parte do homem. No entanto, o evangelho não estabelece exigências aos homens, pois se assim fosse deixaria de ser oferta graciosa para ser um acordo entre as partes.
Para melhor compreender a oferta redentora é preciso considerar os elementos que envolveram a queda da humanidade em Adão. Quando lemos: “De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerá, pois no dia em que comeres, certamente morrerás” ( Gn 2:17 ), percebe-se que Deus enfatizou a plena liberdade que o homem possuía em comer de todas as árvores do jardim.
Em segundo lugar, Deus alerta sobre as conseqüências em decidir-se por lançar mão do fruto da árvore do bem e do mal.
Foi concedida ao homem liberdade plena com garantias (acesso a todas as árvores), meios (árvore da vida, árvore do conhecimento do bem e do mal e toda sorte de árvores frutíferas) e o conhecimento necessário para exercício desta liberdade (restrição com as conseqüências).
Satanás ao tentar a mulher enfatizou somente a proibição: “É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?” ( Gn 3:1 ). Onde Deus estabeleceu plena liberdade, satanás apresentou ao homem proibição.
Ou seja, quando se diz: “Quem crer em mim... ’ a ênfase do anunciado é salvação a todos os homens. Todos quantos crerem, sem exceção, serão salvos "Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar" ( At 2:39 ).
Quando se diz: “Quem crer...” é o mesmo que: “... a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos (judeus), e a todos os que estão longe (gentios), a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar", ou seja, Deus não está restringindo a sua graça, antes ele manifesta a sua graça a tantos quantos forem chamados, pois o seu desejo é que ninguém se perca, mas que venham ao conhecimento da vida eterna ( 1Tm 2:4 ).
É por isso que o apóstolo Paulo disse que a graça de Deus se manifestou trazendo salvação a todos os homens ( Tt 2:11 ).
A manifesta benignidade de Deus não veio por obras de justiças realizáveis por parte do homem, mas por intermédio da sua misericórdia ( Tt 3:4 -5).
A graça de Deus foi concedida aos homens antes dos tempos eternos e manifesto através do aparecimento de Jesus, o Salvador, pois ele destruiu a morte trazendo à luz a vida e a imortalidade pelo evangelho ( 2Tm 1:9 -10).
A graça foi dada em um tempo imemorial através da oferta do cordeiro, porém, tal fato tornou-se conhecido dos homens através da manifestação (aparecimento) de Cristo. Temos dois eventos distintos.
Ela foi concedida aos homens antes de virem à existência, portanto, neste aspecto é incondicional e graciosa a todos os homens. A graça de Deus é incondicional, ou seja, não depende de obras para ser alcançada.
Mas, que se dirá da fé? A salvação não necessita de fé?

O 'evangelho' versus a 'crença'
A fé em Cristo não se compara a idéia de fé que existe em outras crenças.
A fé ou a crença dos homens resulta de um esforço próprio em acreditar em seus ídolos. Embora os ídolos nada sejam, os seus seguidores nutrem uma crença que originou-se neles mesmo "Assim que, quanto ao comer das coisas sacrificadas aos ídolos, sabemos que o ídolo nada é no mundo, e que não há outro Deus, senão um só" ( 1Co 8:4 ).
Os ídolos dependem da devoção (crença) de seus seguidores, uma vez que sem a ‘devida’ devoção deixariam de ser ídolos. Com relação a Deus, quer creia ou não, Deus sempre será Deus. Ele não depende da fé dos homens para existir ou para realizar os seus propósitos como é o caso dos ídolos.
Um exemplo de esforço humano em acreditar em seus deuses visualiza-se nos seguidores de Baal, quando desafiados por Elias. Eles invocaram a Baal desde a manhã até o meio-dia fazendo oferendas e retalhando os seus corpos, porém, não desistiram da crença em Baal ( 1Re 18:28 ).
Os livros de auto-ajuda apregoam uma fé em si mesmo. Confiança e persistência em realizar o que se propõe tornam-se a força motriz das realizações humanas, o que também denominam fé. Da fé procedem os desígnios dos homens e as suas realizações neste mundo: é a fé natural que o homem adquire proveniente das leis naturais que regem este mundo.
A fé para salvação não é o lançar-se no improvável, antes é certeza quanto às coisas que se esperam. A fé diz da confiança na esperança proposta, e não naquilo que não foi proposto “ORA, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem” ( Hb 11:1 ).
Deus havia determinado ao povo de Israel que não levassem a arca da aliança para a guerra, porém, quando guerrearam contra os filisteus desobedeceram a Deus e confiaram que a arca da aliança haveria de livrá-los do inimigo"E voltando o povo ao arraial, disseram os anciãos de Israel: Por que nos feriu o SENHOR hoje diante dos filisteus? Tragam 



os de Siló a arca da aliança do SENHOR, e venha no meio de nós, para que nos livre da mão de nossos inimigos"
 ( 1Sm 4:3 ).
Ora, a confiança deles era grande, pois estavam motivados a irem à batalha e cantaram em alta voz de tal forma que a terra chegou a estremecer. A confiança deles de nada aproveitou, pois ignoraram (desprezaram) a palavra de Deus e seguiram os seus corações enganosos "E sucedeu que, vindo a arca da aliança do SENHOR ao arraial, todo o Israel gritou com grande júbilo, até que a terra estremeceu" ( 1Sm 4:5 ).
A 'fé' que tiveram não os salvou, pois Deus não tinha compromisso com os rebelados. Lançaram-se onde não havia promessa. O ato de lançarem-se confiados seriam vencedores indica que tinham fé, porém, a fé deles não tinha como base o firme fundamento, que é a palavra de Deus.
A definição que o escritor aos hebreus apresenta sobre a fé, demonstra que só em Deus é possível ao homem ter certeza quanto ao que se espera. A fé em Deus constitui-se em prova das coisas que não se vêem, pois é o mesmo que lançar mão da esperança proposta ( Hb 6:18 ).
Ora, quando Jesus disse: “Quem crê em mim, conforme diz as escrituras...”, temos uma oferta de salvação a todos os homens que, ao ouvirem a palavra da verdade, devem lançar mão (crer) da esperança proposta.
Há muitos tipos de fé e crenças. Muitos creem em Cristo como um ser elevado, outros como sendo um anjo de Deus. Outros acreditam que Jesus é um espírito iluminado, outros que ele não veio em carne, outros que não ressurgiu etc. De nada lhes aproveitará tal fé para a salvação, pois devem crer segundo a palavra de Deus (segundo a esperança proposta).
Em nossos dias há um pseudo-evangelho que anuncia que Deus prometeu aos que creem bens materiais, relacionamentos amorosos, sucesso profissional, vida conjugal, destaque na sociedade, etc., porém, Cristo não fez promessas específicas e pontuais acerca do dia-a-dia dos seus seguidores, pois a sua promessa é a de vida eterna "E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna" ( 1Jo 2:25 ).
Como prova de fé muitos lideres solicitam contribuições, doações, votos, provas, desafios e muitos se lançam no improvável, porém, de nada lhes adiantará tamanha fé, pois não é segundo a esperança proposta.
Com relação à vida dos servos de Cristo tem-se a promessa de que Ele estará com eles todos os dias; que tudo concorrerá para o bem deles; que em tudo teriam toda a suficiência; que teriam aflição neste mundo, mas que tivessem bom ânimo. Todas as promessas de Cristo diferem completamente do que se anuncia em nossos dias.
A fé para salvação não é um sentimento, um patuá ou um talismã que o homem se apodera para manter-se unido a Deus. A fé para a salvação não é fé na fé, ou seja, não é a fé que moverá as montanhas ou propiciará salvação (a fé é naquele que remove montanhas), antes a fé para salvação é descansar em Deus que prometeu (esperança proposta) e tem poder para mover montanhas (fazer o impossível aos homens). Confiar nele equivale a descansar, a estar quieto.
Somente descansa e fica quieto aquele que constata que Deus é verdadeiro ( Sl 46:10 ). A crença por si só não faz o impossível, antes é Deus quem faz o impossível, segundo a sua palavra (esperança proposta) "E Jesus, olhando para eles, disse-lhes: Aos homens é isso impossível, mas a Deus tudo é possível" ( Mt 19:26 ).
Ora, confiar em Deus é o mesmo que: obedecer, cumprir os seus mandamentos, descansar, aquietar, assentar, arrepender-se, etc.
A fé está em Cristo “...sabes as sagradas letras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo” ( 2Tm 3:15 ). A fé que há em Cristo é que promove a salvação, e não a fé proveniente da concepção humana.
A fé para salvação é rendição frente à impossibilidade do homem promover a própria salvação. É descansar, entregar-se por ver que a salvação não depende e nem é promovida através de obras humanas.
Não foi o esforço de Naamã ao descer e mergulhar no rio que o livrou da lepra. Ele foi limpo da lepra segundo a palavra do profeta Eliseu.
Alguém acometido da mesma doença que Naamã poderá ir hoje ao rio Jordão crendo que, se mergulhar sete vezes ficará limpo, porém, tal confiança no mergulho no rio, ou no número de vezes a mergulhar, ou no local como propício para uma manifestação de Deus, etc, de nada aproveitará, pois as ações e nem a pretensa confiança promovem a cura.
Naamã só foi curado porque desceu ao rio segundo a palavra de Deus. Houve a multiplicação de peixes porque os discípulos lançaram a rede segundo a palavra de Jesus. Pedro andou sobre as águas porque se lançou as águas segundo a palavra de Jesus. De igual modo, o homem só é salvo quando se lança sobre a palavra de Deus anunciada por intermédio do evangelho (esperança proposta).
A salvação é incondicional no sentido de que o homem não dispunha de meios para providenciá-la. Neste sentido a cura de Naamã não dependia dele, e sim de Deus.
A salvação é incondicional por não depender de ações humanas. Deus anunciou salvação providenciando o cordeiro que foi morto antes da existência dos homens. Ou seja, quando falamos de mérito, não há mérito algum em acreditar na promessa de salvação. Não houve mérito algum em Naamã quando mergulhou no rio Jordão por sete vezes. Antes de faze-lo Naamã considerou tal ordem como um demérito.
Alguém pode argumentar que Naamã cooperou com Deus, porém, não há cooperação quando só uma das partes age. Que ação Naamã executou que o curasse? Se Naamã possuía algum mérito, porque não o demonstrou nos rios da Síria?
A cura foi realizada por Deus que é fiel a Sua palavra, bastando para a cura a obediência de Naamã. O mérito da cura é de Deus que curou!
Ocorrem duas má leituras acerta da salvação:
A) Considerar que a salvação é o resultado da cooperação entre Deus e os homens, ou que é preciso algum esforço por parte do homem, como se a salvação dependesse de uma crença do homem (condicional). Alega que a salvação é por fé, mas negam-lhe a eficácia, ao acreditar que depende do esforço do homem;
B) Por outro lado, ao dizer que a salvação é incondicional, muitos a compreendem segundo a visão calvinista e arminianista. Consideram que a salvação é o resultado de uma escolha de Deus (segundo a sua 'soberania' ou segundo a ideia equivocada de 'presciência'*) de alguns homens para a salvação. Em última análise, segundo os calvinistas e os arminianistas, é o mesmo que afirmar que certos homens nunca estiveram realmente perdidos e outros nunca tiveram oportunidade de salvação.
A salvação de Deus é incondicional, pois ela se dá em Cristo "Porque todas quantas promessas há de Deus, são nele sim, e por ele o Amém, para glória de Deus por nós" ( 2Co 1:20 ).
A salvação não depende da fidelidade do homem, como dizem aqueles que consideram que a salvação depende da fé ou de esforços do homem. Exigir que o homem fosse fiel a Deus sem o evangelho (da esperança proposta) é impossível.
A Bíblia demonstra que só é possível ser fiel quando se está em Cristo, diferente da ideia que propõe que o homem seja fiel a Cristo "PAULO, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, aos santos que estão em Éfeso, e fiéis em Cristo Jesus:" ( Ef 1:1 ).
A fé para salvação é ‘aguardar na esperança proposta’, ou seja, que ação, obra ou cooperação exerce quem espera que uma promessa seja cumprida? Que ação, obra ou cooperação fará quem espera naquele que é fiel ( Hb 10:23 ), que não pode mentir ( Tt 1:2 ), e é todo poder ( Jd 1:4 )?
Sem a promessa de vida eterna não há como o homem ser fiel a Deus. Somente após receber a esperança proposta no evangelho é que o homem torna-se uma nova criatura, designada fiel em Cristo.
A esperança da vida eterna (fé) vem pelo ouvir acerca da esperança proposta. Ou seja, a fé que há em Cristo é dom de Deus concedido graciosamente a todos os homens.
Só é possível ouvir (ter vida) através da palavra de Deus. É por isso que o evangelho é denominado de palavra da vida ( 1Jo 1:1 ; Fl 2:16 ) e palavra da fé ( 1Tm 4:6 ), pois promove a vida e a fé.
Para aqueles que aguardam a esperança proposta (creem) só resta batalhar pela fé (evangelho) que um dia foi dado aos santos ( Fl 1:27 ; Jd 1:3 ).
Como exemplo, caso alguém ofereça um copo com água a alguém com sede, que mérito há em beber a água? É isto que Jesus oferece: "E no último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé, e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, venha a mim, e beba" ( Jo 7:37 ). Ora, se alguém tem sede, que venha e beba: oferta de salvação.
A salvação é incondicional, pois foi providenciada por Deus e desta providência não há como o homem ser participante.
Mas, há a necessidade do homem aceitar o que Deus lhe propõe por intermédio do evangelho, crendo que Jesus é o Filho de Deus, e neste sentido há uma condição a ser satisfeita: destina-se a quem quiser beber “Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna” ( Jo 4:14 ).
Ora, como a salvação é para os perdidos que quiserem, torna-se inválida a concepção de que alguns homens nasceram predestinados a salvação, e que outros jamais serão salvos.
Ora, a salvação está em Deus através da esperança proposta em Cristo a todos quantos atenderem o chamado que há na mensagem do evangelho. Muitos são chamados através do evangelho, porém poucos bebem da água oferecida, que lhes daria a condição de escolhido ( Mt 22:14 ).
De igual modo, muitos são que entram pela porta larga (nascem de Adão), mais poucos que entram pela porta estreita (nascem de novo). Nem todos entraram pela porta estreita porque Jesus é o único homem gerado de Deus que não entrou pela porta larga, ou seja, que não nasceu de Adão.
Em primeiro lugar Deus providenciou salvação poderosa a todos os homens incondicionalmente, pois todos pecaram e carecem da misericórdia de Deus. Neste sentido a salvação é incondicional. pois não há nada que o homem possa fazer que possa resultar em salvação.
Em segundo lugar a salvação está condicionada a resposta do homem à mensagem do evangelho, que é poder para salvação dos que creem ( Rm 1:16 ). O homem deve descansar na esperança proposta, na oferta da água que faz saltar uma fonte para a vida eterna. Ora, não há mérito no homem quando aceita a Cristo, pois o mérito está em Deus que prometeu salvação e é fiel.
Que mérito há em confiar em que é fiel? Ora a fidelidade de Deus é a causa da confiança do homem. O mérito está n'Aquele que é fiel e prometeu, portanto, não há mérito em que descansa em sua promessa. 
É um erro considerar que a primeira obra de alguém regenerado é crer. Primeiro, porque qualquer que entrou no repouso de Deus descansou de suas obras como Deus das suas ( Hb 4:10 ); Segundo, o cristão está assentado nas regiões celestiais com Cristo em Deus. Não há obras a realizar para quem está assentado ( Ef 1:3 e Ef 2:6 ); Terceiro, se não foi exigido obras quando éramos pecadores, agora que já fomos reconciliados, resta somente a sua vinda. ‘Perseverar’ é a obra perfeita que a fé realiza.
Através da perseverança o homem em Cristo torna-se maduro e completo, não tendo falta de coisa alguma ( Tg 1:3 -4), aguardando a bem-aventurança proposta a quem beber da água ofertada.
A ‘presciência’ de Deus refere-se ao ‘conhecimento’, a 'mensagem' de Deus anunciada previamente pelos seus santos profetas de que Cristo seria morto na plenitude dos tempos em função do beneplácito da vontade de Deus, pois Cristo é o Cordeiro de Deus morto deste a fundação do mundo, ou seja, a ‘presciência’ ou o ‘pré-conhecimento’ diz dos eventos que se sucederam com relação à vida e morte de Cristo em conformidade com as Escrituras "E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo" ( Ap 13:8 ).



O que entender por ‘jugo desigual’?

A servidão na antiguidade também era denominada de jugo. Vemos que Hesíodo, citado por Aristóteles, já dizia que uma família era formada de uma casa, uma mulher e um boi, visto que o boi (animal sobre o qual a canga é colocada) é o escravo do pobre (Aristóteles, A Política, Tradução Nestor Silveira Chaves, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2011, pág. 20, § 6).

"Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel? E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. Por isso saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; E não toqueis nada imundo, E eu vos receberei; E eu serei para vós Pai, E vós sereis para mim filhos e filhas, Diz o Senhor Todo-Poderoso”  ( 2Co 6:14 -18)
Certo dia minha esposa fez a seguinte pergunta: o jugo desigual que o apóstolo Paulo vetou aos cristãos de Corintos refere-se a casamento? Após a pergunta não pude descansar enquanto não analisei a questão.
É consenso entre os evangélicos, protestantes e católicos que o jugo desigual do qual o apóstolo Paulo fez referência na sua carta aos cristãos de Corintos refere-se a casamento, ou seja, que o apóstolo estaria orientando aos cristãos a não se casarem com pessoas não cristãs. Em função da má leitura deste verso o casamento entre crente e não crente tornou-se amplamente divulgado como jugo desigual!
Ao ler a segunda carta do apóstolo Paulo aos Corintos foi surpreendente verificar que o apóstolo dos gentios não trata de questões relativas a casamento.
Na primeira carta aos Corintos o apóstolo aborda questões matrimoniais, porém, quando ele analisa o assunto e passa aos cristãos, o apóstolo Paulo tem o cuidado de informar que não estava impondo mandamento algum, antes como por permissão, estava dando o seu parecer sobre a questão em pauta ( 1Co 7:6 e 40).
No versículo 14 de 2Co 6, a questão é de outra ordem, pois temos um mandamento específico: “Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis”, que se aplicado a casamento, contrariaria completamente o posicionamento inicial do apóstolo de expor somente o seu parecer, ou seja, o de não impor aos cristãos mandamento algum.
Outro aspecto do verso é que a mensagem tem como público alvo a igreja como um todo, ou seja, não visa somente os solteiros, pois o alerta para os casados foi específica na primeira carta ( 1Co 7:12 ). Também chama a atenção o fato de que, se fosse uma questão de matrimônio, porque o apóstolo faz alusão ao suposto pretendente utilizando se do plural? – infiéis -, se a regra social é ter um só cônjuge o correto seria: ‘não vos prendais a um jugo desigual com um infiel’ ( 1Tm 3:2 ; 3:12 ; 5:9 e Tt 1:6 ).
Caso o apóstolo estivesse determinando aos solteiros que não se casassem com descrentes (a ordem não incluiria os casados), ao menos o suposto pretendente seria descrito como infiel, e não como se apresenta: com os infiéis.
Por outro lado, faz-se necessário considerar se o instituto do casamento é tido por jugo ou prisão, pois a ordem é clara: “Não vos prendais a um jugo desigual...”.
O jugo diz de uma espécie de canga que se coloca em uma junta de animais que passam a andar conjugado um ao outro. Ou seja, para labutar com apenas um animal não é necessário o jugo. 
A servidão na antiguidade também era denominada de jugo. Vemos que Hesíodo, citado por Aristóteles, já dizia que uma família era formada de uma casa, uma mulher e um boi, visto que o boi (animal sobre o qual a canga é colocada) é o escravo do pobre (Aristóteles, A Política, Tradução Nestor Silveira Chaves, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2011, pág. 20, § 6).
Seria o casamento uma espécie de jugo, de escravidão?
Analisando algumas passagens bíblicas do Antigo Testamento que abordam questões relativas a jugo (servidão), vê-se que em nenhuma delas o matrimônio é abordado.
Certa feita o apóstolo Paulo citou a lei ao defender o seu direito de apóstolo dizendo: “Porque na lei de Moisés está escrito: Não atarás a boca ao boi que trilha o grão. Porventura tem Deus cuidado dos bois?” ( 1Co 9:9 ; Dt 25:4 ). Ou seja, o adágio que consta na lei foi expresso de modo a indicar que Deus estava cuidando dos homens, mesmo dos transgressores, pois era vetado ao juiz lesar o culpado ( Dt 25:3 ), de modo que o provérbio que consta da lei visava proteger os homens, e não os animais (bois).
Tratando da honra devida aos presbíteros, o apóstolo escreve a Timóteo e, novamente cita a mesma passagem da lei que cita animais: “Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina; Porque diz a Escritura: Não ligarás a boca ao boi que debulha. E: Digno é o obreiro do seu salário” ( 1Tm 5:17 -18), de modo que as citações da Escritura aplicam-se estritamente às questões de honra e mérito, pois o apóstolo Paulo utiliza as passagem para defender o seu apostolado e a honra dos presbíteros"Ai daquele que edifica a sua casa com injustiça, e os seus aposentos sem direito, que se serve do serviço do seu próximo sem remunerá-lo, e não lhe dá o salário do seu trabalho" ( Jr 22:13 ).
Quando foi dito: “Com boi e com jumento não lavrarás juntamente” ( Dt 22:10), a lei expressa um cuidado para com quem havia de utilizar os animais para realizar um trabalho e, subsidiariamente, os animais também eram beneficiados, porém, o cuidado não era específico para com os ‘bois’.
Tais textos do Antigo Testamento aplicam-se ao casamento? Não! Porque o instituto, ou o contrato de casamento, segundo a visão do homem da antiguidade, não comportava dois iguais, antes por causa da autoridade que possuía sobre a mulher, o homem exercia o cuidado e a mulher, por sua vez, lhe devia obediência.
Esta era a visão das sociedades antigas acerca do matrimônio:
"Cada um, senhor absoluto de seus filhos e de suas mulheres, distribui leis a todos...”  (Homero apud Aristóteles, A Política, 2011, pág. 21).
Na mesma obra, Aristóteles complementa:
“O pai de família governa sua mulher e seus filhos como a seres livres, mas cada um de um modo diferente: sua mulher como cidadã, seus filhos como súditos (...) Quanto ao sexo, a diferença é indelével: qualquer que seja a idade da mulher, o homem deve conservar sua superioridade”  (Idem).
Ora, se o marido é a cabeça da mulher, não há como considerar o casamento como jugo, pois no matrimônio as funções são distintas, e a condição de ambos na relação também. Assim como Cristo em relação à igreja é a cabeça por exercer o cuidado, o marido em relação à mulher é a cabeça, pois tem a função de cuidado do corpo “Porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o salvador do corpo” ( Ef 5:23 ).
Dentro deste mesmo aspecto, caso a mulher compartilhasse com o marido de um jugo, ser-lhe-ia impossível submeter-se ao cuidado de seu marido “Vós, mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao Senhor” ( Ef 5:22 ).
Diante das objeções acima poderíamos continuar afirmando que a determinação do apóstolo em 2co 6.14 tem referência a casamento?
Se a determinação paulina da segunda carta aos Coríntios 6, verso 14 não possui relação com casamento, do que trata, então?
Embora o jugo seja termo utilizado para denominar a canga posta sobre animais de parelhas, o termo também foi utilizado para fazer alusão à condição de sujeição dos escravos aos seus senhores ( Jr 28:2 ) e, subsidiariamente, como figura, é utilizado para fazer referência à condição do homem sob a égide do pecado (Rm 7:14 ).
Todos os homens em função da transgressão e filiação de Adão tornaram-se pecadores, ou seja, passaram a ser servos, escravos do pecado ( Rm 3:23 ). Por descenderem de Adão, um escravo do pecado, todos os homens passaram a servir ao pecado de modo que estava posto sobre os ombros de todos os homens um jugo. O pecado exercia domínio sobre todos os homens, logo, ser pecador diz de uma condição semelhante à condição de escravo.
O domínio do pecado é um jugo de opressão e a humanidade sem Deus é descrita como oprimida, cansada, sobrecarregada, etc. Entretanto, os profetas anunciaram que haveria um tempo de refrigério. O profeta Isaías anunciou que: “O povo que andava em trevas, viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu a luz (...) Porque tu quebraste o jugo da sua carga, e o bordão do seu ombro, e a vara do seu opressor, como no dia dos midianitas” ( Is 9:2 -4).
Isaias profetizou acerca dos gentios que, apesar de andarem em trevas e habitarem nas regiões da morte, resplandeceu-lhes a luz, de modo que o jugo da carga, o bordão que estava sobre o ombro e a vara do opressor foi quebrado. Para quem vivia sem Deus e sem esperança no mundo ( Ef 2:12 ), raiou a luz da vida, de modo que, os que crêem em Cristo, são transportados do domínio das trevas para o domínio da luz “O qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor” ( Cl 1:12 ).
Quando Jesus oferece aos seus ouvintes o seu jugo e o seu fardo, ele se identificou como Senhor, e qualquer que O obedece se sujeita a um jugo suave e toma sobre si um fardo leve. Basta aos ouvintes de Jesus reconhecer que está cansado e oprimido em decorrência do jugo do pecado, que há de ser aliviado do cansaço e da opressão: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” ( Mt 11:28 -30).
A proposta de Cristo é conforme as promessas preditas pelos profetas: “Julgará os aflitos do povo, salvará os filhos do necessitado, e quebrantará o opressor” ( Sl 72:4 ), portanto, para ser alcançado pela promessa, os ouvintes de Cristo devem reconhecer a sua condição e confiar em Cristo como o Senhor que resgata o homem do pecado “Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus” ( Sl 51:17 ). 
Ao crer em Cristo, dá-se o explicado pelo apóstolo Paulo: “Não sabeis vós que a quem vos apresentardes por servos para lhe obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis, ou do pecado 



para a morte, ou da obediência para a justiça? Mas graças a Deus que, tendo sido servos do pecado, obedecestes de coração à forma de doutrina a que fostes entregues. E, libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça”
 ( Rm 6:16 -18).
Ora, através da leitura, fica patente que há somente dois senhores, dois jugos. Há os servos da obediência e os servos do pecado. Os servos da obediência são aqueles que foram gerados de novo segundo a vontade de Deus segundo o último Adão, que é Cristo, e os servos do pecado, que vem ao mundo sob o jugo decorrente da desobediência de Adão ( 1Co 15:22 -23 e 1Co 15:45 ).
Aos homens só é possível estar em uma destas condições: ou se é servo da justiça ou se é servo do pecado, ou se está sob o jugo da justiça ou sob o jugo do pecado, conforme declarou Jesus: "Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom" ( Mt 6:24 ).
Há apenas dois senhores e o nascimento determina a quem o homem servirá. Se nascidos da carne de Adão são servos do pecado, se nascidos de novo, servem a justiça ( Sl 58:3 ; Sl 51:5 ).
Todos os homens estavam em igual condição diante de Deus por serem descendentes de Adão, mas os judeus consideravam que haviam deixado tal condição por serem descendentes da carne de Abraão. Não consideraram que para serem filhos de Abraão era essencial que tivessem a mesma fé que Abraão, pois ser gerado da carne de Abraão, em última instância era o mesmo que ser descendente de Adão "Teu primeiro pai pecou, e os teus intérpretes prevaricaram contra mim" ( Is 43:27 ); "Mas eles transgrediram a aliança, como Adão; eles se portaram aleivosamente contra mim" ( Os 6:7 ).
O maior problema de Israel estava em não reconhecer que estavam sob a mesma maldição que todos os homens“Deus olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento e buscasse a Deus. Desviaram-se todos, e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não, nem sequer um. Acaso não têm conhecimento os que praticam a iniquidade, os quais comem o meu povo como se comessem pão? Eles não invocaram a Deus” ( Sl 53:2 -4).
Por ser descendente da carne de Abraão, Deus deu ao povo de Israel a lei como aio para conduzi-los a Cristo, porém, quando Cristo veio, os judeus se apegaram a letra da lei e rejeitaram a mensagem de Cristo. Era necessário que mudassem de concepção (metanóia=arrependimento), pois Cristo era o descendente prometido a Abraão em quem todas as famílias da terra seriam benditas.
Por causa desta condição de Israel foi que o apóstolo Paulo escreveu: “Nem por serem descendência de Abraão são todos filhos; mas: Em Isaque será chamada a tua descendência. Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa são contados como descendência” ( Rm 9:7 -8).
Tanto judeus quanto gentios estavam alienados de Deus em virtude de serem descendentes de Adão, portanto, filhos da ira e da desobediência. Ao desobedecer, Adão tornou-se escravo do pecado e todos os seus descendentes passaram a compartilhar de igual condição.
Com a vinda de Cristo, Ele obedeceu ao Pai em tudo, de modo que ao ser crucificado, morto e sepultado, ressurgiu dentre os mortos pelo poder de Deus. Ora, todos que creem em Cristo, tornam-se participantes da sua carne e sangue, ou seja, são crucificados, mortos, sepultados e, pelo poder de Deus ressurgem uma nova criatura.
Em virtude de estarem em uma nova condição diante de Deus: servos da justiça, é que o apóstolo Paulo ordena: "Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel? E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos?” ( 2Co 6:14 -).
A mensagem à igreja em Corintos é a mesma anunciada aos Gálatas: “Cristo nos libertou para que sejamos de fato livres. Estai, pois, firmes e não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da escravidão” ( Gl 5:1 ).
O jugo dos infiéis é o jugo do pecado, e o jugo dos fiéis é o jugo da justiça. Se o cristão é liberto do Senhor, deve permanecer livre, firme, e não mais retornar a submeter-se ao jugo da escravidão. Como é possível a um homem liberto do Senhor, conforme na carta aos gálatas, voltar a se sujeitar ao jugo da servidão? Buscar ser justificado pelas obras da lei, como o submeter-se à circuncisão do prepúcio da carne.
Antes de dar a determinação aos cristãos de Corintos, o apóstolo Paulo relembra que o ministério de Cristo é segundo a misericórdia ( 2Co 4:1 ) e que ele, o apóstolo, não era falsificador da palavra de Deus como alguns faziam ( 2Co 4:2; 2Co 2:12 ), para tanto, o apóstolo Paulo contrasta a lei com o evangelho ( 2Co 3:6 ), de modo similar ao que foi feito com os cristãos da Galácia.
Em razão de haver obreiros fraudulentos entre os Corintos e, que se impunham sobre os cristãos apresentando como base da autoridade deles o serem descendentes da carne de Abraão, o apóstolo Paulo replica demonstrando a inutilidade da base da autoridade que eles invocavam, porque em Cristo todos morreram ( 2Co 5:14 ). Como Cristo morreu, segue-se que todos morreram e, se todos morreram e ressurgiram com Ele, certo é que ninguém mais deve ser conhecido ou honrado segundo a carne (descendência, nação, povo, sangue, etc), pois todos em Cristo são novas criaturas.
De modo que o alerta imperativo do verso 14 do capítulo 6 tem por foco alertá-los de jamais se submeterem as prescrições daqueles que se apresentavam como apóstolos de Cristo, porém, eram falsificadores da palavra ( 2Co 2:17 ). Compartilhar da doutrina e das práticas dos obreiros fraudulentos, que se louvavam a si mesmos, eram astuciosos e gloriavam-se da aparência, da carne 2Co 4:2 e 5; 2Co 5:12 e, 2Co 10:2 à 12 ). 
Qualquer que aderisse à doutrina dos falsos apóstolos ( 2Co 11:11 -15), estava se prendendo a um ‘jugo desigual’, o jugo que é pertinente aos infiéis. Do mesmo modo que o apóstolo Paulo questiona aos Gálatas se eles não caíram da fé por se deixarem circuncidar, o apóstolo questiona aos Corintos se não havia caído da fé ( 2Co 13:5 ), em função de terem aderido ao ensinamento dos aproveitadores do evangelho, homens que não cuidava do rebanho, antes cuidava de arrematar os bens do rebanho para si ( 2Co 12:13 -15).
Da mesma forma que é descabido a um liberto do Senhor voltar às práticas da lei apregoadas pelos judaizantes, é descabido aos cristãos tolerarem os insensatos que os induzia a submeterem-se a um jugo para devorá-los “Porque, sendo vós sensatos, de boa mente tolerais os insensatos. Pois sois sofredores, se alguém vos põe em servidão, se alguém vos devora, se alguém vos apanha, se alguém se exalta, se alguém vos fere no rosto” ( 2Co 11:19 -20).
Se não há sociedade entre a justiça e a injustiça; Se não há sociedade entre a luz e as trevas; Se não há acordo entre Cristo e o inimigo; Se os fiéis não hão de herdar juntamente com os infiéis; Se o templo de Deus, que eram os cristãos, não possuía consenso com a rebelião ( 2Co 6:14 -), porque deveriam se prender ao jugo de apóstolos infiéis? Tal comunhão é proibida, vetado, ou seja, um jugo desigual.
O apóstolo não estava vetando os cristãos de negociarem, conviverem ou relacionarem com os infiéis, antes vetou que comungassem das mesmas práticas em virtude da divergência que há entre a doutrina e vaidade dos falsos apóstolos e o zelo do que é honesto e da doutrina do evangelho de Cristo ( 2Co 8:21 ).
O ensino do apóstolo Paulo visava o estipulado na primeira epístola: “Alimpai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós. Por isso façamos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com os ázimos da sinceridade e da verdade” ( 1Co 5:7 -8).
De modo que, quando ele aponta que é jugo desigual (proibido) os fiéis prenderem-se aos infiéis, não tinha em vista os devassos do mundo, antes aos que se diziam irmãos, porém, eram falsificadores da palavra de Deus "Isto não quer dizer absolutamente com os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo. Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais" ( 1Co 5:10 -11).
Observe que o foco principal do alerta do apóstolo Paulo na primeira carta não é o comportamento moral desregrado (embora seja salutar um bom proceder social), antes a doutrina daquelas pessoas que estavam levedadas pelo fermento da maldade e da malícia, que contrasta com os asmos da sinceridade e da verdade ( 1Co 5:8 ).
Quando o apóstolo veta: não vos associeis com os que se prostituem, ele se refere às pessoas como aquelas que Tiago tratou: Adúlteros e adúlteras, não sabeis que a amizade do mundo é inimizade com Deus ( Tg 4:4 ; 1Co 5:9 ). Enquanto o público de Tiago diz daqueles que faziam festas com o fermento velho (lei), o apóstolo trata de alguns que faziam festa com o fermento da maldade e da malícia, pois eram astuciosamente falsificadores da palavra de Deus.
Portanto, a determinação paulina não tem relação com casamento, união conjugal entre crentes e descrentes, pois ao tratar de casamento, o apostolo falou por permissão, não impondo mandamento.
Há equívocos nos seguintes pensamentos que têm por base 2Co 6:14:
“É impossível que a pureza do cristão e a contaminação do pagão sejam postas num mesmo jugo”, e ainda: “A passagem em sua totalidade é uma intimação para que não exista nenhum tipo de comunhão com os não crentes” (Barclay, William, Comentário do Novo Testamento, Tradução Carlos Biagini, 2 Coríntios 6:14-18—7:1), ou:
“A ordem pode ser traduzida assim; "parem de se ligar heterogeneamente com os incrédulos". O princípio reverte à legislação mosaica (cons. Lv. 19:19; Dt. 22:10). Os cristãos são "novas criaturas" (II Co. 5:17); não devem se ligar espiritualmente com os incrédulos mortos (cons. Ef. 2:1)” (Moody, Comentário Bíblico Moody, Moody Bible Institute of Chicago; 2Co 6:14-16).
O que o apóstolo Paulo trata no verso em comento não impôs aos cristãos abandonarem os seus empregos, sociedades, vida social, laços de família ou casamentos que tinham com descrentes, antes tratou de alertá-los dos falsos obreiros que queriam prende-los a um jugo que lhes desse ocasião para devorá-los ( 2Co 11:12 compare com 2Co 11:21).