segunda-feira, 3 de outubro de 2016

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Salmo 70 - Apressa-te, ó Deus

Enquanto os Salmos são profecias que apontavam para Cristo, para permitir aos homens que O identificassem na plenitude dos tempos, uma má leitura dá a falsa impressão de que os Salmos se tratam de canções poéticas, com o objetivo de aplacar os sentimentos e as emoções dos homens, frente às vicissitudes da vida.

Introdução
Encontramos na Web, inúmeras explicações para o Salmo 70. Para muitos, o Salmo 70 é a oração dos desesperados, que deve ser utilizada em momentos de dificuldade. Outra parcela de comentaristas entende que é um Salmo para superar humilhações, que visa proporcionar uma melhora na autoestima, ou dá suporte à confiança e força moral.
É comum as pessoas utilizarem o Salmo 70 para fazer anedotas, acerca daqueles que aguardam um pretendente para casar. Há quem imprime o Salmo 70 e o coloca na carteira, outros tatuam o corpo, como mantra para proteção de maldades. Emolduram em quadros para proteção de comércios ou, recitam antes de negociarem.
Mas, de todas as leituras equivocadas do Salmo 70, a mais perniciosa é aquela que aponta para o rei Davi, como aquele que rogou a Deus por livramento urgente, por estar em aperto por causa dos seus inimigos.  É desse equivoco que surgem as outras leituras equivocadas, principalmente, o titulo que colocam no Salmo. Exemplo: ‘Na sua aflição, Davi suplica a Deus que se apresse em livrá-lo’.
Antes de interpretarmos o Salmo 70, faz-se necessário considerar e/ou lembrar o leitor que o rei Davi era profeta e que os Salmos são profecias.
O historiador do Livro de Segundo Crônicas, nos informa que o rei Davi, juntamente com os capitães dos seus exércitos, separou os filhos de Asafe, Jedutum e Hemã, para profetizarem, utilizando instrumentos musicais (1 Cr 25:1-3).
O apóstolo Pedro afirma que o rei Davi era profeta e o que ele deixou registrado nos Salmos eram previsões acerca do Cristo (At 2:30-31). O apóstolo Pedro, também, afirmou que, nos Salmos, estava predito acerca de Judas Iscariotes, uma predição de Davi (At 1:16).
Jesus disse aos discípulos, no caminho de Emaus, que a Lei, os Profetas e os Salmos eram previsões acerca d’Ele (Lc 24:44). Essa mesma observação, acerca dos Salmos, foi feita por Jesus aos fariseus, quando não souberam responder-Lhe, porque os Salmos apresentavam Davi, chamando o seu próprio Filho de Senhor (Mt 22:42-46).
Enquanto os Salmos são profecias que apontavam para Cristo, para permitir aos homens que O identificassem na plenitude dos tempos, uma má leitura dá a falsa impressão de que os Salmos se tratam de canções poéticas, com o objetivo de aplacar os sentimentos e as emoções dos homens, frente às vicissitudes da vida.
É má leitura entender os Salmos como cânticos, para superar humilhações, que proporcionam autoestima, confiança e força moral, pois, na verdade, os Salmos são profecias que retratam o Cristo em seus vários aspectos:  homem, rei, Deus, servo, cordeiro, sacerdote, messias, salvador, mártir, filho, etc.

Salmo 70 – Apressa-te, ó Deus, em me livrar
1  APRESSA-TE, ó Deus, em me livrar; SENHOR, apressa-te, em ajudar-me.
2  Fiquem envergonhados e confundidos os que procuram a minha alma; voltem para trás e confundam-se os que me desejam mal.
3  Virem as costas, como recompensa da sua vergonha, os que dizem: Ah! Ah!
4  Folguem e alegrem-se em ti todos os que te buscam; e aqueles que amam a tua salvação digam, continuamente: Engrandecido seja Deus.
5  Eu, porém, estou aflito e necessitado; apressa-te por mim, ó Deus. Tu és o meu auxílio e o meu libertador; SENHOR, não te detenhas.

“APRESSA-TE, ó Deus, em me livrar; SENHOR, apressa-te em ajudar-me” (v. 1).
Caro leitor, se você tem lido os Salmos como canções ou, poemas compostos pelo rei Davi, como forma de extravasar as suas frustrações, medos, anseios, vitórias, etc., considere as seguintes perguntas: Se Davi era profeta, onde estão registradas as suas profecias?
Se o único legado que ele deixou registrado são os seus Salmos, conclui-se que os Salmos são, eminentemente, proféticos. Se os Salmos são profecias, certo é que quem intercede por livramento, no verso 1, do Salmo 70, não é Davi, mas, outra pessoa. Isso, depreendemos da pergunta que o etíope, eunuco, mordomo-mor de Candace, rainha dos etíopes, fez a Felipe:
“Rogo-te, de quem diz isto o profeta? De si mesmo, ou de algum outro?” (At 8:34).
Na condição de profeta, Davi estava rogando auxilio para si mesmo, ou, pelo espírito, estava anunciando o anseio por livramento da parte de Deus, que o seu Descendente prometido haveria de fazer?
“Disse-lhes ele: Como é, então, que Davi, em espírito, lhe chama Senhor, dizendo: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, Até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés? Se Davi, pois, lhe chama Senhor, como é seu filho?" (Mt 22:43-45).
A oração: - “Apressa-te, ó Deus, em me livrar”, é do Descendente que Deus prometeu a Davi –Cristo - e não de Davi. Cristo, o Filho de Davi, é quem roga ao Pai que apresse em ajudá-Lo!
Salmos sabidamente messiânicos, como o Salmo 22, 40 e 69, repetem essa mesma oração:
“Mas tu, SENHOR, não te alongues de mim. Força minha, apressa-te em socorrer-me (Sl 22:19);
“Digna-te, SENHOR, livrar-me: SENHOR, apressa-te em meu auxílio” (Sl 40:13);
“E não escondas o teu rosto do teu servo, porque estou angustiado; ouve-me depressa” (Sl 69:17).
No Salmo 69, quando Cristo roga a Deus que o ouça depressa (Sl 69:17), Ele enumera aqueles que O odeiam sem causa, numerosos como o cabelo da sua cabeça (Sl 69:4; Jo 15:25). Quem são estes inimigos inúmeros, que odiaram a Cristo?
"Aquele que me odeia, odeia também a meu Pai. Se eu, entre eles, não fizesse tais obras, qual nenhum outro tem feito, não teriam pecado; mas agora, viram-nas e me odiaram, a mim e a meu Pai. Mas é para que se cumpra a palavra que está escrita na sua lei: Odiaram-me sem causa" (Jo 15:23-25; Sl 69:4).
Ao fazer referência à previsão de que O odiariam sem causa, como registrado no Salmo 69, verso 4, Jesus aponta os Salmos com a lei de Deus!

“Fiquem envergonhados e confundidos os que procuram a minha alma; voltem para trás e confundam-se, os que me desejam mal. Virem as costas, como recompensa da sua vergonha, os que dizem: Ah! Ah!” (vs. 2 e 3).
A oração do Salmo 70 não foi feita por Davi, para se ver livre de Saul, Absalão ou das nações inimigas em redor! Essa oração diz do Cristo, em vista dos seus inimigos: os da sua própria casa, ou seja, os seus concidadãos, que O rejeitaram: "Porque o filho despreza ao pai, a filha se levanta contra sua mãe, a nora contra sua sogra, os inimigos do homem são os da sua própria casa" (Mq 7:6); "E assim os inimigos do homem serão os seus familiares" (Mt 10:36; Sl 69:8; Jo 1:11).
Quem foram os que menearam a cabeça e zombaram de Cristo, dizendo: - ‘Ah! Ah!’? Não foram os que o crucificaram? (At 2:23)
“E os que passavam, blasfemavam dele, meneando as cabeças e dizendo: Tu, que destróis o templo e em três dias o reedificas, salva-te a ti mesmo. Se és Filho de Deus, desce da cruz. E da mesma maneira, também, os príncipes dos sacerdotes, com os escribas, anciãos e fariseus, escarnecendo, diziam: Salvou os outros e a si mesmo não pode salvar-se. Se és o Rei de Israel, desça, agora, da cruz e creremos em ti. Confiou em Deus; livre-o agora, se o ama; porque disse: Sou Filho de Deus” (Mt 27:39-43).
Os filhos de Israel, por perseguirem e matarem o Cristo, seriam confundidos e envergonhados! Eles procuraram o Cristo para matá-Lo (procuram minha alma) (Jo 7: 



25; Jo 11:53). Que batessem em retirada (virem as costas), os que zombaram do Filho de Deus (Sl 71:13)!
O profeta Miqueias profetizou, acerca do dia da confusão dos filhos de Israel, quando disse:
“O melhor deles é como um espinho; o mais reto é pior do que a sebe de espinhos; veio o dia dos teus vigias, veio o dia da tua punição; agora será a sua confusão. Não creiais no amigo, nem confieis no vosso guia; daquela que repousa no teu seio, guarda as portas da tua boca. Porque o filho despreza ao pai, a filha se levanta contra sua mãe, a nora contra sua sogra, os inimigos do homem são os da sua própria casa” (Mq 7:4-6).
Miqueias, nessa profecia, descreve os filhos de Israel classificando os melhores do povo como espinhos e os mais retos (religiosos) como uma sebe (cerca) de espinhos, dando a entender que nenhum deles era justo diante de Deus (Dt 9:4-6; Sl 53:1-4; Rm 3:9-20). Que o dia apregoado pelos profetas (vigias) havia chegado: dia de punição e de confusão (Jr 6:17).
Quando seria esse dia? Diz de um tempo que os filhos de Israel não deveriam crer no amigo e nem confiar nos seus lideres (guia). Não deveriam crer nos filhos (repousa no teu seio), guardando a porta da boca, ou seja, não deveriam se alimentar dos seus manjares (doutrinas de homens) de mentira (Pv 23:1-3).
O dia de confusão e vergonha para os filhos de Israel se deu na primeira vinda de Cristo em carne e sangue (Mt 10:34-36; Jr 9:4; Jr 12:6). Pois, apesar de os filhos de Israel, continuamente, falarem em Deus, na verdade, Deus não estava em seus corações (Jr 12:2; Mt 15:7-9; Ez 33:31; Is 29:13).
Quando vissem o Cristo, não deveriam perguntar para os seus familiares (pai, mãe, irmãos): - “É esse o Cristo?”, antes, deveriam verificar nas Escrituras se Ele era o Cristo, pois as Escrituras testificam do Cristo (Jo 5:39; Jo 7:17).
Os versos 2 a 4, do Salmo 70, são repetidos no Salmo 40 e alguns versos do Salmo 35 replicam o Salmo 70, isso nos versos 4, 21, 26 e 27.  
“Digna-te, SENHOR, livrar-me: SENHOR, apressa-te em meu auxílio. Sejam à uma confundidos e envergonhados os que buscam a minha vida para destruí-la; tornem atrás e confundam-se os que me querem mal. Desolados sejam em pago da sua afronta os que me dizem: Ah! Ah! Folguem e alegrem-se em ti os que te buscam; digam constantemente os que amam a tua salvação: Magnificado seja o SENHOR” (Sl 40:13-16).
O escritor aos Hebreus aplica o Salmo 40 à pessoa de Cristo, como Aquele que se apresentou para fazer a vontade do Pai (Hb 10:5-10).
O Salmo 71 faz a mesma abordagem do Salmo 70, acrescendo detalhes:
“Porque os meus inimigos falam contra mim e os que espiam a minha alma, consultam juntos, dizendo: Deus o desamparou; persegui-o e tomai-o, pois não há quem o livre. Ó Deus, não te alongues de mim; meu Deus, apressa-te em ajudar-me. Sejam confundidos e consumidos os que são adversários da minha alma; cubram-se de opróbrio e de confusão aqueles que procuram o meu mal. Mas eu esperarei continuamente e te louvarei, cada vez mais. A minha boca manifestará a tua justiça e a tua salvação todo o dia, pois não conheço o número delas” (Sl 71:10-15).

“Folguem e alegrem-se em ti todos os que te buscam; e aqueles que amam a tua salvação digam, continuamente: Engrandecido seja Deus” (v. 4)
Enquanto os que afrontam o Cristo recebem em paga a desolação, os que buscam a Cristo são plenos de alegria! Os que obedecem (amam) a Cristo, a salvação de Deus manifesta a todos os povos, continuamente bendirão a Deus (Jo 14:23-24).
"Disse mais: Pouco é que sejas o meu servo, para restaurares as tribos de Jacó e tornares a trazer os preservados de Israel; também te dei para luz dos gentios, para seres a minha salvação, até à extremidade da terra" (Is 49:6). 
A salvação que deve ser amada, no verso 4, do Salmo 70, diz de Cristo. Jesus Cristo é a salvação para todos os homens, a luz para os gentios. O Salmo 70 não trata de livramento de problemas pertinentes as vicissitudes desta vida, mas, da salvação da condenação eterna.
Qualquer que invoca a Cristo, o Senhor dos Exércitos, busca o Senhor em tempo oportuno (enquanto se pode achar), conforme o profetizado por Joel e Isaías:
“E há de ser que todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo; porque, no monte Sião e em Jerusalém, haverá livramento, assim como disse o SENHOR e entre os sobreviventes, aqueles que o SENHOR chamar” (Jo 2:32; Rm 10:13);
“Buscai ao SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto” (Is 55:6).
O Senhor que está perto diz de Cristo, que foi dado por testemunha aos povos e líder e governador dos povos (Is 55:4), o Descendente (beneficência) prometido a Davi (Is 55:3; 2 Sm 7:11-14).

“Eu, porém, estou aflito e necessitado; apressa-te por mim, ó Deus. Tu és o meu auxílio e o meu libertador; SENHOR, não te detenhas” (v. 5)
O aflito e necessitado do Salmo 70, não é o salmista e rei Davi. O aflito e necessitado do Salmo 70 é o Cristo, na condição de Filho do homem, como se lê:
"Cri, por isso falei. Estive muito aflito" (Sl 116:10)
Quem creu e confessou? Quem esteve muito aflito? O Filho de Davi é quem creu e falou, pois Ele esteve muito aflito, a ponto de ser considerado verme, por ser opróbrio dos homens e desprezado do povo (Sl 22:6).
O Cristo roga por socorro (Sl 22:19), por causa da aflição (angústia) do Aflito do Senhor (Sl 22:24).
Através do Salmo 116, somos informados que Cristo é o Filho de Davi, por intermédio de Maria, a serva do Senhor, vez que a linhagem de José estava amaldiçoada (Mt 1:23-25; Lc 1:28; Jr 22:30 e Jr 36:30). É Deus quem soltou as ataduras de Cristo, o Seu Filho, ao trazê-Lo dentre os mortos (Sl 22:10; Sl 71:6).
“Ó SENHOR, deveras sou teu servo; sou teu servo, filho da tua serva; soltaste as minhas ataduras” (Sl 116:16).
Cristo, ao ser introduzido no mundo, tornou-se servo do Senhor, o filho de Davi, por intermédio de Maria, a serva do Senhor e foi declarado Filho de Deus, com poder, pela ressurreição dentre os mortos (Rm 1:3-4).
O Salmo 116 apresenta no que o Filho de Davi creu: que a sua alma voltaria a Deus, o Seu repouso (Sl 116:7). Deus haveria de livrá-lo da morte, das lágrimas e da queda, quando Ele ressurgisse dentre os mortos (Sl 71:20; Sl 16:10).
Quando levava sobre si as enfermidades e as dores dos homens sobre si, Cristo foi reputado como aflito, ferido de Deus e oprimido: "Verdadeiramente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido" (Is 53:4).
Cristo esteve aflito e necessitado, pois foi do agrado do Senhor moê-Lo e faze-Lo enfermar (Is 53:10). A promessa de Deus para Ele não era livrá-lo da angústia, antes estar com Ele na angústia (Sl 91:15-16). Cristo, como aflito e necessitado, seria tirado da angústia e glorificado, herdando, assim, a eternidade (farto de dias).
O Salmo 109, ao fazer referência a Judas Iscariotes (At 1:20; Sl 109:8), faz referência a Cristo como pobre (aflito) e necessitado, pois os filhos de Jacó perseguiram a Cristo, para matá-Lo, o manso e humilde de coração (Sl 109:16; Mt 11:29).
Os Salmos que se seguem, fazem referência a Cristo, como o aflito (pobre) e necessitado:
"Os ímpios na sua arrogância perseguem furiosamente o pobre; sejam apanhados nas ciladas que maquinaram"(Sl 10:2);
"Clamou este pobre, o SENHOR o ouviu e o salvou de todas as suas angústias" (Sl 34:6);
"Mas eu sou pobre e necessitado; contudo o Senhor cuida de mim. Tu és o meu auxílio e o meu libertador; não te detenhas, ó meu Deus" (Sl 40:17).

Conclui-se, após a breve exposição acima, que os Salmos de Davi não têm relação com a fuga de Davi de Saul, ou com nenhuma das vicissitudes que atingiram a sua vida. Neste sentido, o Salmo 70 não é um mantra, uma oração ou, uma reza, que deva ser utilizado para proteção de maldades ou de problemas nos negócios, mas representam a oração do filho de Deus a seu Pai.

Por que Abraão habitou em tendas na terra da promessa?

Abraão era sabedor de que a Jerusalém que existia à sua época era escrava com os seus filhos em função da maldição que abateu-se sobre Cão. O apóstolo Paulo evidencia as duas alianças através da alegoria que há em Sara e Agar ( Gl 4:25 ), o mesmo que Abraão evidenciou ao habitar em tendas na terra da promessa. Ao habitar em tendas, Abraão deu a entender que buscava a Jerusalém que é de cima, e o evangelista João viu a GRANDE CIDADE que Abraão esperava - a santa Jerusalém - descer do céu como noiva ataviada para o seu marido em substituição a grande Babilônia que foi destruída “E levou-me em espírito a um grande e alto monte, e mostrou-me a grande cidade, a santa Jerusalém, que de Deus descia do céu” ( Ap 21:10 ; Gl 4:25 ). 

A origem da Jerusalém terrena
A Grande Cidade do Apocalipse diz da cidade que abrigará os filhos de Israel após o arrebatamento da Igreja. Para compreendermos a condição da Grande Cidade faz-se necessário analisar o surgimento da cidade de Jerusalém.
Conforme o profeta Ezequiel, o surgimento de Jerusalém se deu na terra dos cananeus "E dize: Assim diz o Senhor DEUS a Jerusalém: A tua origem e o teu nascimento procedem da terra dos cananeus. Teu pai era amorreu, e tua mãe hetéia" ( Ez 16:3 e 45).
O ‘pai’ da cidade de Jerusalém é identificado como amorita ou amorrita ou amorreus (nomes dado aos antigos babilônios), povos semitas vindos do deserto sírio-árabe que se estabeleceram na cidade da Babilônia tornando-se importante centro comercial na mesopotâmia devido a sua localização privilegiada.
Por amorreu entende-se o indivíduo que pertencente aos amorreus, um povo semita seminômade do Oriente antigo, que migrou da Península Arábica até à Palestina. Os amorreus estão arrolados entre os primeiros habitantes da terra de Canaã, mas o termo também é utilizado para fazer referência a um dos filhos de Sidon, primogênito de Canaã, sendo Canaã descendente de Cão, e Cão de Noé ( Gn 10:6 e 15-16 ; 1Cr 1:13 -14).
A ‘mãe’ da cidade de Jerusalém foi identificada como hetéia, o filho mais novo de Canaã, Hete, portanto, um descendente de Cão, o filho mais novo de Noé. Abraão comprou a sepultura de Macpela de um heteu (Gn 23.10), e as duas mulheres de Esaú também pertencia aos heteus (Gn 26.34).
Por que é necessário observarmos quais foram os primeiros habitantes das terras onde se firmou a cidade de Jerusalém? Porque através desta releitura da história bíblica identificamos o motivo pelo qual Abraão é identificado nas Escrituras como o pai da fé de todos os que creem e os seus descendentes segundo a carne rejeitados diante de Deus.
Terá, pai de Abraão, gerou Harã, o irmão caçula de Abraão na cidade de Ur dos caldeus "E morreu Harã estando seu pai Terá ainda vivo, na terra do seu nascimento, em Ur dos caldeus" ( Gn 11:28 ), o que sugere que Abraão também nasceu na cidade de Ur dos caldeus (Gn 11:31 ; Gn 15:7 ; Ne 9:7 ).
Após a morte de Harã, Abraão casou-se com Sara. Naor, irmão de Abraão, casou-se com Milca. O pai de Abraão, Terá, reuniu os seus filhos e saiu de Ur dos caldeus em direção a Canaã, porém, parou na cidade de Harã, e habitaram ali.
Quando Abrão estava com setenta anos, saiu de Harã, terra onde os seus parentes habitavam, juntamente com Ló, filho de seu irmão, para uma terra que ainda seria revelada por Deus ( Gn 12:1 -4 ).
De Harã Abraão peregrinou juntamente com Ló até chegar a cidade de Canaã ( Gn 12:5 ), terra que pertencia aos cananeus, descendentes de Cão ( Gn 12:6 ), e que Deus prometeu dar a descendência de Abraão ( Gn 12:7 ). 
No mesmo dia em que Deus anunciou que daria um filho a Abraão, foi feita uma aliança, e Deus estabeleceu as terras que pertenciam aos descendentes de Canaã, o filho mais novo de Cão, como herança dos descendentes de Abraão. Foi especificado que as terras desde o rio do Egito até o rio Eufrates pertenceriam à descendência de Abraão, e dentre os povos que habitavam as terras constava os amoreus e os heteus “Naquele mesmo dia fez o SENHOR uma aliança com Abrão, dizendo: À tua descendência tenho dado esta terra, desde o rio do Egito até ao grande rio Eufrates; E o queneu, e o quenezeu, e o cadmoneu, E o heteu, e o perizeu, e os refains, E o amorreu, e o cananeu, e o girgaseu, e o jebuseu” ( Gn 15:18 -21; Sl 135:10 -12). 
Quando Deus aponta as abominações de Jerusalém, deixa claro que inicialmente o território que deu origem à cidade era habitado pelos cananeus e heteus, povos que foram expulsos por serem ímpios “Quando, pois, o SENHOR teu Deus os lançar fora de diante de ti, não fales no teu coração, dizendo: Por causa da minha justiça é que o SENHOR me trouxe a esta terra para a possuir; porque pela impiedade destas nações é que o SENHOR as lança fora de diante de ti” ( Dt 9:4 ).
O povo hebreu (O termo hebreu significa "gente do outro lado do rio”, ou seja, do rio Eufrates) foi introduzido na terra não porque eram mais justos que os povos que estava sendo expulsos, antes por causa da promessa que Deus fez aos pais “Não é por causa da tua justiça, nem pela retidão do teu coração que entras a possuir a sua terra, mas pela impiedade destas nações o SENHOR teu Deus as lança fora, de diante de ti, e para confirmar a palavra que o SENHOR jurou a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó” ( Dt 9:5 ).
Para confirmar a promessa feita aos pais, Deus estendeu a aba do seu manto sobre Jerusalém, porém, o coração da nação de Israel que estava sendo introduzido na terra era idêntico ao dos povos que foram expulsos de suas terras e cidades ( Ez 16:8 ).
O povo que foi expulso da terra era ímpio, condição atrelada ao coração, já os descendentes da carne de Abraão por circuncidarem o prepúcio da carne consideravam que eram mais justos que os povos que foram lançados fora da terra, porém, a impiedade só é lançada foram quando ocorre a circuncisão no coração.
Quando Abraão recebeu o sinal da circuncisão na carne aos noventa e nove anos, já havia circuncidado o seu coração bem antes, visto que Abraão foi declarado justo antes de receber o selo da circuncisão na carne "E recebeu o sinal da circuncisão, selo da justiça da fé, quando estava na incircuncisão, para que fosse pai de todos os que creem, estando eles também na incircuncisão; a fim de que também a justiça lhes seja imputada" ( Rm 4:11 ).
Em Gênesis 15, verso 6 Abraão foi justificado porque creu em Deus, e só no capítulo 17, verso 10 à 14 é estabelecida uma aliança entre Deus e Abraão, tendo a circuncisão do prepúcio por sinal.
Os descendentes da carne de Abraão, ao oitavo dia, eram circuncidados, um modo de serem identificados como povo descendente da carne de Abraão, porém, quando estavam a caminho da terra prometida, a ordem de Deus era especifica: "Circuncidai, pois, o prepúcio do vosso coração, e não mais endureçais a vossa cerviz" ( Dt 10:16 ).
A circuncisão da carne somente identificava os membros da nação de Israel, no entanto, o que confere a filiação de Abraão, ou o selo da justiça da fé é a circuncisão do coração, que não é feita por mão dos pais terrenos, antes pela mão do Pai celeste. A circuncisão do coração é incisão que somente Deus pode fazer, pois ele tira o coração de pedra é dá um novo coração ( Ez 11:19 ).
Por isso Deus alerta que, apesar de estarem sendo introduzidos na terra, os filhos de Jacó não eram mais justos do que os povos que estavam sendo expulsos da terra ( Dt 9:4- 5 ).
Quando Deus anunciou, por meio de Moisés que Israel adentraria a terra dos heteus, girgaseus, amorreus, cananeus, perizeus, heveus e jebuseus, foi determinado que exterminassem completamente aqueles povos, bem como destruíssem todos os seus ídolos, estatuas e altares para que não se contaminassem com os seus ídolos "E, destruindo a sete nações na terra de Canaã, deu-lhes por sorte a terra deles" ( At 13:19 ; Dt 7:1 ).
Aqueles povos seriam destruídos gradativamente para que as feras dos campos não se multiplicassem e atacassem o povo de Israel "E o SENHOR teu Deus lançará fora estas nações pouco a pouco de diante de ti; não poderás destruí-las todas de pronto, para que as feras do campo não se multipliquem contra ti" ( Dt 7:22 ). 
Entretanto, quando passassem a habitar a terra prometida, ao tomar da terra as primícias dos frutos, os filhos de Jacó deveriam confessar (admitir) que eram filhos de um arameu, visto que Jacó saiu de Canaã para não tomar por mulher uma das filhas da terra e foi a Padã-Arã, à família de Betuel, o arameu, pai de Rebeca “Então testificarás perante o SENHOR teu Deus, e dirás: Arameu, prestes a perecer, foi meu pai, e desceu ao Egito, e ali peregrinou com pouca gente, porém ali cresceu até vir a ser nação grande, poderosa, e numerosa” ( Dt 26:5 ); “E ISAQUE chamou a Jacó, e abençoou-o, e ordenou-lhe, e disse-lhe: Não tomes mulher de entre as filhas de Canaã; Levanta-te, vai a Padã-Arã, à casa de Betuel, pai de tua mãe, e toma de lá uma mulher das filhas de Labão, irmão de tua mãe” ( Gn 28:1 -2).
Em Harã, Deus promete a Jacó o mesmo que foi prometido a Abraão, seu pai “E eis que o SENHOR estava em cima dela, e disse: Eu sou o SENHOR Deus de Abraão teu pai, e o Deus de Isaque; esta terra, em que estás deitado, darei a ti e à tua descendência; E a tua descendência será como o pó da terra, e estender-se-á ao ocidente, e ao oriente, e ao norte, e ao sul, e em ti e na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra; E eis que estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei tornar a esta terra; porque não te deixarei, até que haja cumprido o que te tenho falado” ( Gn 28:13 -15).
Quando Jacó retornou à terra das peregrinações de Abraão, seu pai, Raquel, sua mulher, furtou os ídolos do seu pai, Labão, e os trouxe consigo para Salém, cidade de Siquém, que fica em Canaã “E chegou Jacó salvo à Salém, cidade de Siquém, que está na terra de Canaã, quando vinha de Padã-Arã; e armou a sua tenda diante da cidade” ( Gn 33:18 ).
Quando Deus fala a Jacó para subir a Betel, foi necessário ele concitar a sua família que tirassem do meio deles os ídolos ( Gn 35:2 ), e todos os deuses estranhos que foram retirados, Jacó os escondeu debaixo de um carvalho que ficava junto a Siquém ( Gn 35:4 ). É significativo o fato de que Siquém, onde os ídolos foram enterrados, fica na terra de Canaã. 
Mas, quando os filhos de Israel adentraram a terra prometida, cobiçaram as filhas dos povos que habitavam na terra, desejaram os seus ídolos, o ouro e a prata que cobriam os seus ídolos e não confessaram que eram filhos de um arameu ( Dt 26:5 ).
Por serem descendentes da carne de Abraão e por residirem nas terras de Canaã, o povo de Israel se ensoberbeceu ( Sf 3:1 e 11). Desde Canaã multiplicou-se as prostituições dos filhos de Jacó na cidade de Jerusalém, sendo que as prostituições se estenderam ao Egito (vizinhos) e até os confins da Caldeia e da Assíria ( Ez 16:26 -29).
Enquanto a Babilônia diz de um império que estendeu os seus domínios por todas as nações que ocupavam as regiões férteis dos rios Tigre, Eufrates e Nilo, a ‘grande Babilônia’ diz da ‘grande cidade’ que estendeu as suas prostituições e abominações a todos os povos que habitaram as regiões férteis do mediterrâneo.
Já no Egito a nação deixou que fossem apalpados os seios de sua virgindade ( Ez 23:3 e 8). 
Antes de se auto intitular filhos de Abraão, o povo de Israel deveria lembrar que eram filhos de um amorreu. Antes de se declararem filhos de Israel (Jacó), deveriam lembrar que eram descendentes de um heteu. Deveriam lembrar que a terra de Jerusalém remonta a Cão e ao filho mais novo de Cão, Canaã, e que Canaã foi amaldiçoado por Noé “E disse:Maldito seja Canaã; servo dos servos seja aos seus irmãos. E disse: Bendito seja o SENHOR Deus de Sem; e seja-lhe Canaã por servo. Alargue Deus a Jafé, e habite nas tendas de Sem; e seja-lhe Canaã por servo” ( Gn 9:25 -27).
Os lideres de Israel confiavam que estavam na terra prometida aos pais, porém, se esqueceram de observar que os habitantes das terras dadas a Israel jamais seriam livres, antes para sempre seriam servos porque foram amaldiçoados por Noé por causa do atrevimento de Cão, pai de Canaã.
A maldição que caiu sobre Canaã, o filho mais novo de Cão, atingiu todos os termos dos cananeus, ou seja, desde Sidon, Gerar, Gaza, Sodoma, Gomorra, Admá, Zeboim até Lasa. A acusação de que a mãe de Jerusalém era hetéia e o pai amorreu demonstra que os termos da cidade pertenceram ao filho mais novo de Canaã “E Canaã gerou a Sidom, seu primogênito, e a Hete; E ao jebuseu, ao amorreu, ao girgaseu, E ao heveu, ao arqueu, ao sineu, E ao arvadeu, ao zemareu, e ao hamateu, e depois se espalharam as famílias dos cananeus. E foi o termo dos cananeus desde Sidom, indo para Gerar, até Gaza; indo para Sodoma e Gomorra, Admá e Zeboim, até Lasa” ( Gn 10:15 -19).
Embora o povo de Israel se sentisse bem-aventurados por habitar a região da palestina e que era melhor que as nações em redor por ser descendente de Abraão, a palavra do Senhor proferidas pelos profetas expunham as abominações e a verdadeira origem e o parentesco da cidade que habitavam: “Tu és filha de tua mãe, que tinha nojo de seu marido e de seus filhos; e tu és irmã de tuas irmãs, que tinham nojo de seus maridos e de seus filh 



os; vossa mãe foi hetéia, e vosso pai amorreu. E tua irmã, a maior, é Samaria, ela e suas filhas, a qual habita à tua esquerda; e a tua irmã menor, que habita à tua mão direita, é Sodoma e suas filhas”
 ( Ez 16:45 -46); "E dize: Assim diz o Senhor DEUS a Jerusalém: A tua origem e o teu nascimento procedem da terra dos cananeus. Teu pai era amorreu, e tua mãe hetéia" ( Ez 16:3 e 45).
Os habitantes de Jerusalém não atinaram que nem todos os que habitavam nos termos de Israel eram de fato israelitas, visto que ser descendente da carne de Abraão não é o que confere a filiação do patriarca, visto que somente os filhos da promessa são contatos como descendência ( Rm 9:6 -8).
Se ao entrar na terra da promessa os filhos de Israel confessassem que eram filhos de um arameu (filhos de Jacó), seriam obediente ao mandamento do Senhor e seriam justificados assim como o foi Abraão. Admitir que eram filhos de um arameu demonstrava que haviam compreendido que eram peregrinos na terra da promessa, assim como Abraão ( Gl 3:7 -9).
O que isto significa? Se Abraão sendo o pai da fé viveu na terra da promessa em cabanas juntamente com Isaque e Jacó dando a entender que eles não possuíam ali possessão permanente, antes buscavam uma cidade melhor ( Hb 11:8 -10), significa que todos os que compartilhavam da mesma fé de Abraão não deveriam se apossar da terra como possessão permanente, antes deveriam viver nela como em terra alheia, portanto confessando que era arameu e habitando em tendas.
Abraão habitou em tendas e não se esqueceu do Senhor, já os filhos de Israel passaram a habitar em casas que não edificaram e não observaram a palavra do Senhor “Quando, pois, o SENHOR teu Deus te introduzir na terra que jurou a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó, que te daria, com grandes e boas cidades, que tu não edificaste, E casas cheias de todo o bem, que tu não encheste, e poços cavados, que tu não cavaste, vinhas e olivais, que tu não plantaste, e comeres, e te fartares, Guarda-te, que não te esqueças do SENHOR, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão” ( Dt 6:10 -12).
Se os filhos de Jacó admitissem (confessassem) que eram arameus era um sinal claro que compreenderam que não eram melhores do que as nações que habitaram as terras de Canaã e foram expulsos ( Dt 9:4 -7).
Confessar ser arameu ao adentrar a terra era o mesmo que confessar que eram estrangeiros e peregrinos na terra ( Hb 11:13 ), pois se assim professassem claramente estavam demonstrando que como Abraão buscavam uma pátria melhor ( Hb 11:14 ).
Se os filhos de Jacó admitissem que eram estrangeiros e peregrinos como fez o pai Abraão, automaticamente estariam demonstrando que estavam desejosos de uma pátria melhor, isto é, a celestial. Da mesma forma que Deus não se envergonhou de nomear-se como sendo o Deus de Abraão, Isaque e Jacó, semelhantemente Deus não se envergonharia de chamar os israelitas que admitissem que eram filhos de um arameu, de ser o Deus deles "Disse mais: Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó. E Moisés encobriu o seu rosto, porque temeu olhar para Deus" ( Êx 3:6 ; Hb 11:16 ).
O povo de Israel não observou que os herdeiros da Jerusalém terrena eram escravos ( Gn 9:25 ) com os seus filhos por causa da maldição que o filho mais novo de Noé (Cão), trouxe sobre o seu filho Canaã, e que alcançou o filho caçula de Canaã, Hete.
Além da maldição que recaiu sobre Canaã, Cão gerou a Cuxe, e Cuxe gerou Raamá, e Raamá gerou Sebá e Dedã. Ninrode, por sua vez, descendeu de Cuxe, que edificou na mesopotâmia (terra de Sinar) o reino de Babel, Ereque, Acade e Calné. Foi na mesopotâmia que surgiu a Assíria, que teve por capital Nínive e as cidades de Reobote-Ir, Calá e Resen ( Gn 10:6 -12; Gn 11:2 e Gn 14:1 ).
Observe que os filhos de Cão fazem parte de todas as nações do passado que se tornaram grande império.
Vale destacar que os estudiosos de geografia bíblica consideram a terra de Sinar como a atual Mesopotâmia (do grego, meso = terra, potamos = rios - “terra entre rios”), sendo que ‘Sinar’ significa ‘terra dos rios’ em hebraico.
Abraão descendeu de Sem, bendito do Senhor ( Gn 9:26 ), já Canaã foi posto por servo de Sem e de Jafé. Jafé, por sua vez, encontraria abrigo nas tendas de Sem e também teria Canaã por servo ( Gn 9:26 -28). 
O primogênito de Noé, Sem, gerou a Arfaxade, e Arfaxade gerou a Selá, e Selá gerou a Éber, e Éber gerou a Pelegue, e Pelegue gerou a Reú, e Reú gerou a Serugue, e Serugue gerou a Naor, e Naor gerou a Terá, e Terá gerou a Abrão, a Naor, e a Harã ( Lc 3:23  -38). 
Abraão era sabedor de que Canaã havia sido posto por servo de Sem, isto dava a entender que as terras onde fica o monte Sinai, que corresponde a Jerusalém terrena, somente gerava filhos para a servidão, assim como Agar gerava para escravidão ( Gl 4:23 -26). 
Foi por causa da maldição que estava sobre Canaã que Abraão passou pelas terras dos filhos de Cão sem tê-las como possessão permanente, esperando a cidade que tem fundamentos, a Jerusalém celestial. 
Esta questão é facilmente observável quando Ló se apartou de Abraão, visto que Abraão franqueou ao seu sobrinho escolher onde habitar. Ló olhou para as campinas do Jordão que eram bem irrigada ( Gn 13:10 ), e Abraão resolveu permanecer ali mesmo, em Canaã, sem atentar para a aparência da terra, fazendo uso de tendas “Pela fé habitou na terra da promessa, como em terra alheia, morando em cabanas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa” ( Hb 11:9 -10; Gn 13:12 e 18). 
Ademais, Abraão não fez caso das riquezas de Sodoma para que não se propagasse o dito de que o rei de Sodoma enriqueceu a Abraão ( Gn 14:22 -23). 
Deus alertou a Abraão que os seus descendentes seriam peregrinos em terra alheia e reduzidos à escravidão. Muito tempo depois da morte de Abraão, Jacó adentrou ao Egito e a descendência de Abraão tornou-se escrava ( Gn 15:13 ). 
Deus predisse que da descendência de Abraão viria a bem-aventurança a todas as famílias da terra. Há duas linhagens que procedem da carne de Abraão: a linhagem de Ismael e a linhagem de Isaque (apesar de Isaque ter nascido segundo a promessa, descendia da carne de Abraão), sem falar nos filhos que ele teve com sua concubina ( Gn 25:1 ), porém, a promessa não foi feita aos descendentes da carne de Abraão, e sim a uma descendência, que é Cristo “Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência. Não diz: E às descendências, como falando de muitas, mas como de uma só: E à tua descendência, que é Cristo” ( Gl 3:16 ); “Porém Deus disse a Abraão: Não te pareça mal aos teus olhos acerca do moço e acerca da tua serva; em tudo o que Sara te diz, ouve a sua voz; porque em Isaque será chamada a tua descendência. Mas também do filho desta serva farei uma nação, porquanto é tua descendência” ( Gn 21:12 -13). 
Abraão era sabedor de que a Jerusalém que existia à sua época era escrava com os seus filhos em função de Cão. O apóstolo Paulo evidencia as duas alianças através da alegoria que há em Sara e Agar ( Gl 4:25 ), o mesmo que Abraão evidenciou ao habitar em tendas na terra da promessa. Ao habitar em tendas, Abraão deu a entender que buscava a Jerusalém que é de cima, e o evangelista João viu a GRANDE CIDADE que Abraão esperava - a santa Jerusalém - descer do céu como noiva ataviada para o seu marido em substituição a grande Babilônia que foi destruída “E levou-me em espírito a um grande e alto monte, e mostrou-me a grande cidade, a santa Jerusalém, que de Deus descia do céu” ( Ap 21:10 ; Gl 4:25 ). 
Enquanto a santa Jerusalém é nomeada como a grande cidade, a prostituta que se assenta sobre a besta é nomeada a grande Babilônia, por causa da ‘confusão’ de rosto provocado por suas prostituições "Ó Senhor, a nós pertence a confusão de rosto, aos nossos reis, aos nossos príncipes, e a nossos pais, porque pecamos contra ti" ( Dn 9:8 ); "O melhor deles é como um espinho; o mais reto é pior do que a sebe de espinhos; veio o dia dos teus vigias, veio o dia da tua punição; agora será a sua confusão" ( Mq 7:4 ). 
A primeira babilônia edificada por um dos filhos de Cão, Ninrode, foi Babel, edificada na terra de Sinar com as cidades de Ereque, Acade e Calné ( Gn 11:10 ). Por causa da confusão de línguas efetuada por Deus na terra de Sinar, foi que a cidade que os homens construíram passou a ser chamada de Babel "Por isso se chamou o seu nome Babel, porquanto ali confundiu o SENHOR a língua de toda a terra, e dali os espalhou o SENHOR sobre a face de toda a terra" ( Gn 11:9 ). 
A grande prostituta – Cidade de Israel - prostituiu-se com os reis da terra e os habitantes da terra sorveram o vinho da sua prostituição. Consequentemente, despertou a ira de Deus, ou seja, chegou o momento da confusão de rosto dos filhos de Israel tal qual nunca houve na face da terra, de modo que a cidade de Israel é denominada Babilônia, a Babel, a confusão, visto que os seus habitantes serão espalhados por Deus sobre a face da terra. 
A contaminação dos filhos de Jacó que percorreu a face da terra saíram dos profetas de Jerusalém, de modo que a intervenção divina fazendo com que os filhos de Israel fiquem confundidos e sejam espalhados na face da terra é o motivo pelo qual o nome da cidade de Jerusalém foi trocado para a grande Babilônia "Portanto assim diz o SENHOR dos Exércitos acerca dos profetas: Eis que lhes darei a comer losna, e lhes farei beber águas de fel; porque dos profetas de Jerusalém saiu a contaminação sobre toda a terra" ( Jr 23:15 ; Ap 17:2 ); "Acaso é a mim que eles provocam à ira? diz o SENHOR, e não a si mesmos, para confusão dos seus rostos?" ( Jr 7:19 ); "O SENHOR mandará sobre ti a maldição; a confusão e a derrota em tudo em que puseres a mão para fazer; até que sejas destruído, e até que repentinamente pereças, por causa da maldade das tuas obras, pelas quais me deixaste" ( Dt 28:20 ); "Porque dia de alvoroço, e de atropelamento, e de confusão é este da parte do Senhor DEUS dos Exércitos, no vale da visão; dia de derrubar o muro e de clamar até aos montes" ( Is 22:5 ). 
Quando o profeta Daniel confessou o pecado do seu povo, ele deixou registrado que a desolação que se abateu sobre a cidade de Jerusalém se deu em razão de, em baixo dos céus, nunca ter sido feito o que se fez em Jerusalém ( Dn 9:12 ). Daniel entendeu que tudo o que sobreveio sobre a nação (exílio babilônico) se deu conforme o profetizado por intermédio de Moisés ( Dn 9:11 e 13; Dt 31:14 -20).
O profeta Moisés deixou claro que, após a sua morte, os filhos de Jacó se voltariam a outros deuses e os serviriam, anulando a aliança ( Dt 31:20 ). Moisés também deixa evidenciado que Deus só não destruiu de todo a nação porque as nações vizinhas haveriam de se gloriar contra o Senhor dizendo que Deus nada havia feito em Israel ( Dt 32:26 -27).
Foi expressamente recomendado que os filhos de Israel não se desviassem do Senhor e fosse após os deuses de outras nações ( Dt 29:18 ), e, que ninguém que seguisse os seus próprios devaneios invocasse sobre si as benção estipuladas na lei ( Dt 29:19 ), pois Deus haveria de castiga-los  a ponto de se dizer entre as nações que Israel havia abandonado a aliança que fizera com Deus, e que por isso foram punidos ( Dt 29:24 -28).
Muito tempo depois o profeta Jeremias acusa os filhos de Jacó de terem multiplicado os seus ídolos segundo os números das cidades de Judá, e que segundo os números das ruas de Jerusalém criaram altares, isto porque não deram ouvidos a palavra de Deus ( Jr 11:10 ). De nada adianta erguer altares e oferecer sacrifícios se o homem é obstinado de coração e não dá ouvidos à palavra do Senhor ( Jr 11:8 ), de modo que os altares resultou em vergonha, confusão. O incenso que queimavam não era para Deus, e sim para os deuses das nações vizinhas, e por isso foram levados cativos para Babilônia ( Jr 11:13 ).
Como Deus já não suporta a iniquidade nos ajuntamentos solenes ( Is 1:13 ), os sacrifícios em Israel assemelhava-se a um culto a Baal, e foram deportados para a terra dos inimigos “Então irão as cidades de Judá e os habitantes de Jerusalém e clamarão aos deuses a quem eles queimaram incenso; estes, porém, de nenhum modo os livrarão no tempo do seu mal. Porque, segundo o número das tuas cidades, são os teus deuses, ó Judá! E, segundo o número das ruas de Jerusalém, levantastes altares à impudência, altares para queimardes incenso a Baal” ( Jr 11:12 -13).
Apesar da evidencias da prostituição de Israel, diante do protesto de Deus, os filhos de Jacó argumentavam que não haviam se desviado "Como dizes logo: Não estou contaminada nem andei após os baalins? Vê o teu caminho no vale, conhece o que fizeste; dromedária ligeira és, que anda torcendo os seus caminhos" ( Jr 2:23 ). Não há distinção entre os que andam após os seus corações e os que andam após os baalains "Antes andaram após o propósito do seu próprio coração, e após os baalins, como lhes ensinaram os seus pais" ( Jr 9:14 ).
Uns em Israel aprendiam doutrina de homens, mandamentos sobre mandamentos, e não atentavam para as palavras de Deus, outros seguiam após os deuses das nações vizinhas, mas tanto estes quanto aqueles serviam, a seu modo, aos ídolos. Faziam o que nenhuma outra nação fez: trocar seus deuses "Castigá-la-ei pelos dias dos Baalins, nos quais lhes queimou incenso, e se adornou dos seus pendentes e das suas joias, e andou atrás de seus amantes, mas de mim se esqueceu, diz o SENHOR" ( Os 2:13 ; Jr 2:11 ).


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O tesouro escondido e a pérola de grande valor

xemplo de judeu que abriu mão de tudo o que possuía para adquirir a Cristo: o tesouro escondido, a pérola de grande valor! O apóstolo Paulo buscava um tesouro nos céus e, para isso, abriu mão de tudo o que possuía: "Vendei o que tendes e dai esmolas. Fazei para vós bolsas que não se envelheçam; tesouro nos céus que nunca acabe, aonde não chega ladrão e a traça não corrói" (Lc 12:33).

"Também, o reino dos céus, é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem achou e escondeu e, pelo gozo dele, vai, vende tudo quanto tem e compra aquele campo. Outrossim, o reino dos céus, é semelhante ao homem, negociante, que busca boas pérolas e, encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo quanto tinha e comprou-a" (Mt 13:44-46)

Introdução
Qual o significado da parábola[1] do tesouro escondido num campo? Qual a aplicação prática da parábola do negociante que sai à procura de uma pérola de grande valor? Essas parábolas aplicam-se aos membros do corpo de Cristo?
Antes de narrar as parábolas do ‘tesouro escondido’ e da ‘pérola de grande valor’, o evangelista Mateus destaca que Jesus utilizava parábolas para ensinar à multidão, porque a eles não foi dado conhecer os mistérios do reino dos céus (Mt 13:11).
Os discípulos estavam intrigados e perguntaram o motivo pelo qual Jesus utilizava parábolas para falar ao povo. Jesus explicou que falava por parábolas ao povo de Israel, para que ‘vendo’, não ‘vissem’ e, ‘ouvindo’, não ‘ouvissem’ e nem ‘compreendessem’, de modo que a profecia de Isaías se cumpriria neles (Mt 13:13-14). 
Além da explicação de Jesus, acerca do predito por Isaías, o evangelista Mateus lembra o que foi anunciado pelo salmista, no Salmo 78, e explica que Jesus nunca falava à multidão, sem se utilizar de parábolas.
A explicação de Jesus:
“Por isso lhes falo por parábolas; porque eles, vendo, não veem e, ouvindo, não ouvem, nem compreendem. E neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: Ouvindo, ouvireis, mas não compreendereis, e, vendo, vereis, mas não percebereis” (Mt 13:13 -14);
A explicação de Mateus:
“Tudo isto disse Jesus por parábolas à multidão e nada lhes falava sem parábolas; para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta, que disse: abrirei em parábolas a minha boca, publicarei coisas ocultas, desde a fundação do mundo” (Mt 13:34-35; Sl 78:2).
O evangelista Marcos, também, destaca como se dava o ensinamento de Jesus à multidão:
“E com muitas parábolas tais lhes dirigia a palavra, segundo o que podiam compreender. E sem parábolas nunca lhes falava, porém, tudo declarava em particular aos seus discípulos” (Mc 4:33-34).
Com base no exposto acima, verifica-se que o público alvo das parábolas de Jesus era o povo judeu. Jesus deixa claro que Ele foi enviado às ovelhas perdidas da casa de Israel, o que corrobora com a ideia de que a mensagem de Jesus foi direcionada aos filhos de Israel: "E ele, respondendo, disse: Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel" (Mt 15:24; Jr 50:6).

As parábolas
Mas, por que Jesus compara o reino dos céus a um tesouro que um homem achou e escondeu em um campo? O que os judeus, que ouviram a parábola, tinham que aprender com o homem que vendeu tudo o que possuía, para adquirir o campo onde o tesouro estava escondido? O que aprender com o negociante que estava em busca de uma pérola de grande valor?
Ora, a abordagem de Jesus não visava bens materiais, pois Ele mesmo disse que a vida de qualquer um não consiste na abundância de bens que possui (Lc 12:15). Jesus também não estava instando os judeus a adquirirem bens materiais ou serem empreendedores, pois Ele mesmo instruiu os seus ouvintes a ajuntarem tesouro nos céus (Mt 6:20).  
Os ouvintes de Jesus, na sua grande maioria, eram desprovidos de bens materiais, o que nos faz perguntar: O que eles deveriam dispor (abrir mão, vender) para terem condições de adquirir algo de grande valor? O que seria esse algo de imensurável valor, que demandaria aos ouvintes de Jesus, abrir mão de tudo o que possuíam?
Jesus compara (é semelhante) o reino dos céus a um tesouro escondido num campo: "Também o reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo...” (Mt 13:44). Com base nessa informação, Jesus estabeleceu que o reino dos céus é o ‘tesouro escondido’. De igual modo, a ‘pérola de grande valor’, que o negociante encontrou, refere-se ao reino dos céus.
Através do comparativo fixado por Jesus, identificamos o valor atribuído ao reino dos céus: um tesouro, uma pérola de valor inestimável.  Mas, o que seria esse reino dos céus a que Jesus se referiu?

O reino dos céus
João Batista apregoava, no deserto da Judeia, a seguinte mensagem:
 "Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus" (Mt 3:2).
Após João Batista ter sido preso, Jesus também passou a pregar a mesma mensagem (Mt 4:17). Ao enviar os doze discípulos às ovelhas perdidas de Israel, Jesus mandou que anunciassem a chegada do reino dos céus (Mt 10:7).
Quando interrogado pelos fariseus, acerca do tempo em que o reino de Deus haveria de vir, Jesus esclareceu que o reino de Deus não viria com aparência exterior, de modo a possibilitar que os homens o identificassem. Ninguém estaria apto a apontar ou identificar o reino de Deus e o motivo era especifico: o reino de Deus estava entre eles!
“E, interrogado pelos fariseus sobre quando havia de vir o reino de Deus, respondeu-lhes e disse: O reino de Deus não vem com aparência exterior. Nem dirão: Ei-lo aqui, ou: Ei-lo ali; porque eis que o reino de Deus está entre vós” (Lc 17:20-21).
Ora, com base nessas passagens bíblicas, conclui-se que Cristo é o reino dos céus, portanto, Ele é o ‘tesouro escondido’ e a ‘pérola de grande valor’!

Vende tudo
Mas, o que os ouvintes de Jesus deveriam fazer para ter a Cristo?
Jesus mesmo informou o que os seus concidadãos teriam que dispor de tudo o que possuíam (abrir mão, vender) para tomar posse do ‘tesouro escondido’ ou, da ‘pérola de grande valor’:
“Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim. E quem não toma a sua cruz e não segue após mim, não é digno de mim. Quem achar a sua vida perdê-la-á e quem perder a sua vida, por amor de mim, achá-la-á” (Mt 10:37-39);
"Vendei o que tendes e dai esmolas. Fazei para vós bolsas que não se envelheçam, tesouro nos céus que nunca acabe, aonde não chega ladrão e a traça não corrói" (Lc 12:33).
Considerando que ‘amar’, nas Escrituras, não diz de sentimento, mas, de honra, obediência, temor (Mt 6:24); considerando que aquele que ama a Jesus é o que cumpre os seus mandamentos: “Se me amais, guardai os meus mandamentos” (Jo 14:15), segue-se que aquele que está disposto a seguir os ensinamentos de seus familiares (tradições, ritos, costumes, mandamentos, etc., como no caso dos fariseus, que invalidavam a palavra de Deus, preferindo as tradições dos anciãos) mais do que os ensinamentos de Cristo, não é digno do reino dos céus.
Ora, os profetas haviam previsto que os inimigos do Filho do homem seriam os seus próprios familiares (Mt 10:36; Mq 7:5-6; Jr 9:4; Jr 12:6). Qualquer que seguisse os ensinamentos de seus familiares (pai e mãe) seria um adversário de Cristo, pois o ensinamento dos líderes de Israel não passava de tradições, segundo o mandamento de homens: "Em vão, porém, me honram, ensinando doutrinas que são mandamentos de homens" (Mc 7:7-8; Tt 1:14; Is 29:13).
Como os inimigos de Cristo eram os seus concidadãos, temos a ordem aos filhos de Israel: concilia-te depressa com o teu adversário, ou seja, com o Cristo.
“Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz e o juiz te entregue ao oficial e te encerrem na prisão” (Mt 5:25).
Quando é dito: ‘quem ama o filho, ou a filha, mais do que a mim, não é digno de mim’, Jesus requer dos judeus honra e que deixassem de honrar o vínculo de sangue que possuíam com Abraão: "Para que todos honrem o Filho, como honram o Pai. Quem não honra o Filho, não honra o Pai que o enviou" (Jo 5:23).
Além de abrir mão das suas tradições e de não se vangloriarem pelo vínculo de sangue que tinham com Abraão, os filhos de Israel tinham que tomar e levar sobre si a própria cruz e seguir após Cristo! Cristo, pelo seu próprio sangue, santificou o seu povo ao padecer fora do arraial e todos os seus seguidores devem sair fora do arraial, levando a sua própria cruz: “E por isso, também, Jesus, para santificar o povo pelo seu próprio sangue, padeceu fora da porta. Saiamos, pois, a ele fora do arraial, levando o seu vitupério” (Hb 13:12-13).
"Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz e siga-me" (Mt 16:24);
"E chamando a si a multidão, com os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me" (Mc 8:34);
"E Jesus, olhando para ele, o amou e lhe disse: Falta-te uma coisa: vai, vende tudo quanto tens e dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; e vem, toma a cruz e segue-me" (Mc 10:21);
"E qualquer que não levar a sua cruz e não vier após mim, não pode ser meu discípulo" (Lc 14:27).
Jesus deixa claro que ‘quem perder a sua vida por obedecer a Ele, achá-la-á’ (Mt 10:39), pois, qualquer que for crucificado com Cristo, passa da morte para a vida: "Já estou crucificado com Cristo e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé d 



o Filho de Deus, o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim"
 (Gl 2:20; Jo 5:24).
O apóstolo Paulo é um exemplo de judeu que abriu mão de tudo o que possuía para adquirir a Cristo: o tesouro escondido, a pérola de grande valor! O apóstolo Paulo buscava um tesouro nos céus e, para isso, abriu mão de tudo o que possuía: "Vendei o que tendes e dai esmolas. Fazei para vós bolsas que não se envelheçam; tesouro nos céus que nunca acabe, aonde não chega ladrão e a traça não corrói" (Lc 12:33).
Observe:
"E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas e as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo" (Fl 3:8).
Quais foram as ‘coisas’ que o apóstolo Paulo se desfez (vendeu) para ganhar a Cristo? Temos uma lista:
“Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; segundo a lei, fui fariseu; segundo o zelo, perseguidor da igreja, segundo a justiça que há na lei, irrepreensível” (Fl 3:5-6).
As ‘coisas’ enumeradas pelo apóstolo Paulo era tidas por ‘vantagens’, ‘ganho’:
“Mas o que para mim era ganho, reputei-o perda por Cristo” (Fl 3:7).
O apóstolo Paulo não honrou pai e mãe mais que a Cristo, pois quando se converteu, não consultou os seus concidadãos (carne e nem sangue) se deveria anunciar o evangelho aos gentios, mas partiu para a Arábia: “Revelar seu Filho em mim, para que o pregasse entre os gentios, não consultei a carne nem o sangue” (Gl 1:16).
Quem quiser seguir a Cristo, primeiro tem de abrir mão de tudo:
“E aconteceu que, indo eles pelo caminho, lhe disse um: Senhor, seguir-te-ei para onde quer que fores. E disse-lhe Jesus: As raposas têm covis e as aves do céu, ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça. E disse a outro: Segue-me. Mas, ele respondeu: SENHOR, deixa que primeiro eu vá a enterrar meu pai. Mas Jesus lhe observou: Deixa aos mortos o enterrar os seus mortos; porém tu vai e anuncia o reino de Deus. Disse também outro: Senhor, eu te seguirei, mas deixa-me despedir primeiro dos que estão em minha casa. E Jesus lhe disse: Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás, é apto para o reino de Deus” (Lc 9:57-62).
Alguns discípulos, quando foram convocados por Cristo, haviam acabado de pescar muitíssimos peixes (encheram dois barcos que, quase foram a pique), uma riqueza de valor considerável para pescadores da época (Lc 5:7). Simão Pedro, Tiago e João deixaram tudo e seguiram a Jesus (Lc 5:11). O jovem rico, por sua vez, não quis abrir mão do que possuía! (Lc 18:22).
Por que era necessário aos ouvintes de Jesus, abrirem mão de tudo, para adquirirem um tesouro nos céus? A resposta é simples: "Porque, onde estiver o vosso tesouro, ali estará, também, o vosso coração" (Lc 12:34; Mt 6:21).
Abraão é um exemplo de quem abriu mão de tudo, para alcançar a cidade que tem fundamento, cujo arquiteto e artífice é Deus (Hb 11:10). Primeiro, ele saiu de sua parentela, ou seja, abriu mão de pai e mãe. Quando apareceu a oportunidade de ficar com os bens do rei de Sodoma, Abraão abriu mão para que o rei de Sodoma não viesse a dizer que enriqueceu Abraão (Gn 14:23).
O profeta Moisés é outro exemplo, pois abriu mão de ser chamado filho da filha de Faraó, por ter em vista a recompensa: “Pela fé, Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, escolhendo, antes, ser maltratado com o povo de Deus, do que por um pouco de tempo ter o gozo do pecado; tendo por maiores riquezas o vitupério de Cristo, do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa” (Hb 11:24-26).

O ensinamento
Para interpretar a parábola do tesouro escondido, o leitor não tem que buscar um significado para a figura do homem, do campo ou do ato de esconder o tesouro. A parábola foi contada para que os ouvintes de Jesus refletissem se estavam dispostos a abrir mão de tudo, para poder alcançar o reino dos céus!
Em lugar de apresentar um mandamento: ‘Vai e vende tudo...’, Jesus apresentou uma parábola, que fizesse os seus ouvintes considerarem se estavam dispostos a abrir mão de tudo o que possuíam, para alcançar o reino dos céus.
Igualmente, ocorre com a parábola do negociante, que saiu em busca de boas pérolas. O leitor não tem que atribuir significado ao homem negociante ou, ao fato de ter encontrado uma pérola de grande valor. O objetivo da parábola é destacar se os ouvintes de Jesus estavam dispostos a cumprirem a ordem de Cristo: “Vai, vende tudo quanto tens e dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; vem, toma a cruz e segue-me" (Mc 10:21).
Muitos erros surgem quando se ignora o público alvo da parábola, porém, eles se avolumam quando o intérprete procura atribuir significado a cada elemento que compõe a parábola.
De nada adianta interpretar corretamente um elemento da parábola e se equivocar no restante. Observe:
“Mas, há dois conceitos errados, sobre essas parábolas, que devem ser considerados. O primeiro foi proposto por Orígenes e afirma que Cristo é o tesouro escondido ou a pérola de inestimável valor que o pecador tem de encontrar e comprar. Na outra parábola, os papéis são invertidos, fazendo uma alusão descabida a Cristo como aquele que encontra a Igreja e a compra. Ambos, contudo, são conceitos errados (Cristo não está à venda nem vendeu Israel para comprar a igreja) e lidam com questões que estão fora do contexto” O novo comentário bíblico NT, com recursos adicionais — A Palavra de Deus ao alcance de todos. Editores: Earl Radmacher, Ronald B. Allen e H.Wayne House, Rio de Janeiro, 2010.
Com base no apontado pelos editores do ‘O Novo Comentário Bíblico Novo Testamento’, Orígenes estava corretíssimo quando aponta Cristo como o tesouro escondido ou a pérola de grande valor. Entretanto, cometeu o equívoco de não observar o público alvo das parábolas e de considerar que Cristo encontrou a igreja e a compra.
Os editores do ‘O Novo Comentário Bíblico Novo Testamento’ erram quando afirmam que Orígenes errou ao dizer que Cristo é o tesouro escondido ou a pedra de grande valor. Ora, efetivamente Cristo é o tesouro escondido ou a pérola de inestimável valor.
A interpretação que Moody dá à parábola do tesouro escondido é equivocada, porque ele buscou dar significado a alguns elementos que compõem a parábola:
“44. O Tesouro Oculto. Embora o tesouro costume ser explicado como sendo Cristo, o Evangelho, a salvação, ou a Igreja, pelo que o pecador deveria estar pronto a sacrificar tudo, o uso consistente da palavra homem nesta série refere-se a Cristo e o ato de esconder, novamente, depois de encontrar, toma os quadros diferentes. Antes, o tesouro oculto num campo descreve o lugar ocupado pela nação de Israel durante o interregno (Êx. 19:5; Sl. 135:4). Cristo veio para essa nação obscura. A nação, entretanto, rejeitou-o, e assim, com propósito divino, foi privada de sua importância financeira; ainda hoje continua obscura no seu aspecto externo quanto ao seu relacionamento com o reino messiânico (Mt. 21:43). Mas, Cristo deu a sua própria vida (tudo quanto tem) para comprar todo o campo (o mundo, l Co. 5:19; I Jo. 2:2) e, assim, conseguiu plena posse de direito por descobrimento e redenção. Quando ele voltar, o tesouro será desenterrado e totalmente revelado (Zc. 12,13)”Comentário Bíblico Moody – Mateus.

Israel
As parábolas do tesouro escondido e da pérola de grande valor são exigências aos filhos de Israel, para que se desfaçam de tudo, pois acerca deles, protestavam os profetas, de que eram possuidores de muitas ‘riquezas’, a ponto de serem chamados ‘ricos’.
"Mas ai de vós, ricos! porque já tendes a vossa consolação" (Lc 6:24);
"Mas vós desonrastes o pobre. Porventura não vos oprimem os ricos e não vos arrastam aos tribunais?" (Tg 2:6);
"Eia, pois, agora vós, ricos, chorai e pranteai, por vossas misérias, que sobre vós hão de vir (...) Condenastes e matastes o justo; ele não vos resistiu" (Tg 5:1 a 6).
Essa era a condição dos filhos de Israel:
"Na verdade, todo homem anda numa vã aparência; na verdade, em vão se inquietam; amontoam riquezas enão sabem quem as levará" (Sl 39:6; Lc 12:20; Jr 17:11);
"Assim diz o SENHOR: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem se glorie o forte na sua força; não se glorie o rico nas suas riquezas" (Jr 9:23).

A igreja
Essas duas parábolas possuem algum elemento prático exigível dos membros do corpo de Cristo? Não, pois os que creem já ganharam a Cristo. O crente em Cristo não tem que dispor de nada para ganhar a Cristo, antes, já está de posse de Cristo, por crer na mensagem do evangelho.
O alerta para a igreja é diferente: "Sofre, pois, comigo, as aflições, como bom soldado de Jesus Cristo. Ninguém que milita se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra" (2Tm 2:4), de modo que: “... os que têm mulheres sejam como se não as tivessem; os que choram, como se não chorassem; os que folgam, como se não folgassem;  os que compram, como se não possuíssem; e os que usam deste mundo, como se dele não abusassem, porque a aparência deste mundo passa” (1Co 7:29-31).
Das parábolas do tesouro escondido e da pérola de grande valor, os cristãos retiram uma lição a ser utilizada no evangelismo, de modo a demonstrar ao pecador que, para ganhar a Cristo é necessário deixar tudo.
“Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Que daria um homem em troca de sua alma?” (Mc 8:36-37).