sexta-feira, 26 de agosto de 2016

A heteronormatividade realmente é a regra para o casamento cristão?

Ao tratarmos da questão do matrimônio cristão, caímos sempre no engodo de duas situações. A primeira é a ênfase monolítica de que a regra para o casamento cristão é a heterossexualidade. A segunda é o silêncio assustador sobre o número de divórcios no meio cristão. Quero começar falando sobre esta segunda situação.
O casamento cristão deve ser defendido a partir da infância, desde casa até às igrejas. É preciso que se comece uma batalha tenaz a partir das crianças sobre o papel do que é ser um homem e do que é ser uma mulher. Por que estou insistindo nisso? Porque a principal causa dos divórcios não é como muitos supõem a traição conjugal, mas – pasmem – a principal causa dos divórcios é a crise financeira.
Assim, enquanto somos iludidos pela sociedade sexista e hedonista de que devemos dar uma educação sexual aos nossos filhos que garanta um casamento pleno de satisfação, o número de divórcios continua a aumentar porque temos gasto toda a munição atirando numa só e única direção.
Os pais precisam investir, desde cedo, na educação financeira dos seus filhos, principalmente ensinando a responsabilidade do homem em suprir materialmente a sua casa. Infelizmente, o que mais encontramos hoje são casais cujos maridos tornaram-se orgulhosamente dependentes financeiros de suas esposas! A tão badalada independência feminina apenas tem contribuído para que muitos homens repassem sua dependência da mãe para a esposa. Ridículo!
Infelizmente, ainda que as finanças sejam a principal responsável pelos divórcios, a Igreja não trata desse tema por não vê-lo como um “assunto espiritual”. Enquanto isso, o materialismo, a avareza e o descontrole financeiro têm sacrificado famílias inteiras no altar de Mamon.
Outra ênfase equivocada na questão do casamento tem sido a defesa conservadora da heteronormatividade como regra para o casamento cristão. E isto é um erro que quero explicar aqui, pois está custando à igreja um desvio de direção que a tem posto cada vez mais distante de fazer aquilo que deve fazer: evangelizar.
Ao lermos a famosa passagem da carta de Paulo sobre o casamento, em Efésios 5:21- 6:4, precisamos ser alertados de que estamos incorrendo em gravíssimo erro e perdendo uma preciosa chance de servirmos ao Senhor. Paulo mostra que a regra e o modelo para o casamento cristão não é a heteronormatividade, pois esta já fora estabelecida como regra para toda a humanidade em Gênesis 2: 18-25.
A regra e o modelo para o casamento cristão ultrapassam, excedem, transcendem o propósito do casamento para todos os povos, que é um homem para uma mulher e uma mulher para um homem. Paulo expõe que o casamento cristão tem como regra e modelo a própria Igreja!
Cada família cristã deve compreender que, partindo do contexto da carta de Paulo aos Efésios, nossa família deve ser um instrumento nas mãos de Deus para a proclamação do Evangelho. As outras famílias devem ser impactadas por verem a própria Igreja de Deus nos nossos lares – esta é a regra e o modelo para o casamento cristão.
Cada família cristã é uma Igreja. O marido assume a sua identidade a partir do exemplo de Jesus, que amou, cuidou e morreu pela Igreja. A esposa, confiante diante de um marido que é líder espiritual dentro de casa, que é o pastor que abre e expõe a ela e aos filhos a Palavra de Deus, terá toda a confiança de se submeter a ele. E filhos criados não para o mundo, mas para a glória de Deus.
Enfim, a comunidade da igreja local precisa se voltar para as famílias, ensinando-as a assumirem o propósito de Deus para elas. E, assim como somos chamados a gerir com responsabilidade os dízimos e ofertas para a glória de Deus nas igrejas locais, deveríamos ensinar a cada família a fazer o mesmo com suas finanças em casa.
Além disso, que cada família seja um modelo da Igreja, porque, esforçando-nos para fazer assim, estaremos evangelizando para a glória de Deus outras famílias de nosso convívio. Que assim seja sob o poder do Espírito Santo!

Quando o líder cai

Todo pecado, por menor que possa parecer (uma cola de prova, por exemplo), coloca-nos debaixo da maldição da lei. Assim, neste sentido, não há “pecadinho” e “pecadão”: todos pecamos e todos estamos debaixo da Ira de Deus (Gl 3:10).
Entretanto, a Bíblia também é clara ao dizer que, embora todos os pecados sejam odiosos a Deus, há pecados abomináveis a Deus. Pecados que, aos olhos dEle, são totalmente repulsivos.
Tais pecados recebiam uma punição muito mais severa do que outros no Antigo Testamento. Estou falando, por exemplo, do adultério e do homicídio, que eram punidos com a morte (Lv 20.10; Lv 24.17; Êx 21.14). E, mesmo no Novo Testamento, Jesus diz que há um pecado imperdoável: a blasfêmia contra o Espírito Santo (Mt 12:31).
À parte da breve exposição acima, há o fato de que existem pecados cujas consequências sociais são evidentes, atingindo não somente o pecador, mas também as pessoas ao seu redor.
O pecado do adultério encaixa-se em tudo o que foi dito até agora: é um pecado odioso (como todo pecado), é um pecado abominável (cuja punição era a morte) e, finalmente, suas consequências sociais são desastrosas para muitas famílias e igrejas.
A pergunta que ouso fazer é a seguinte: e se eu e você cairmos em adultério? Não é possível?! Por acaso somos melhores que o Rei Davi? Eu não sou. Aliás, sinceramente, estou plenamente convencido de que sou pior do que o Rei Davi em muitos sentidos, então, por que deveria enganar-me e usar uma máscara de supercrente?
Acredito que eu e você precisamos ensinar a Igreja não só a prevenir a tragédia do adultério, mas que também é possível a esperança da ressurreição.
Eu não aprendo com o Rei Davi apenas como “ele cavou a própria cova”, mas de que maneira foi possível Deus não retirar dele a coroa da glória, mesmo depois de todos os crimes que cometeu.
O problema é que pecados sexuais dentro de nossas igrejas trazem tanto dano que, dificilmente, por várias razões mundanas, egoístas e farisaicas, não estendemos nossas mãos para resgatar o ministério de nossos líderes.
Parece mesmo que com uma igreja hipócrita como a que temos encontrado muitas vezes no Brasil, basta ao diabo preparar a armadilha para derrubar o líder, porque, uma vez caído, mantê-lo no chão será um trabalho que a própria Igreja fará tranquilamente por Satanás.
O que fazer quando um líder cai? Precisamos chorar com nossos líderes que tanto nos alimentaram. São pastores que precisam de pastoreio; são conselheiros que necessitam de conselhos; e médicos que precisam de nossa assistência.
É com profunda tristeza, contudo, que constatamos, frequentemente, ser um malévolo sorriso de “bem feito” ou uma cara de “eu sabia” o que muitos oferecem ao invés de mãos estendidas.
O líder, ainda que perdoado por Deus, poderá não ser perdoado por muitas pessoas e poderá pagar um preço altíssimo com a estigmatização de sua própria família. Todas essas consequências estão muito bem registradas na história do Rei Davi para que o temor aja como prevenção à nossa loucura (Pv 5).
Surpreendentemente, Davi não perdeu a coroa como aconteceu com o Rei Saul. Havendo arrependimento sincero, por que a Igreja não consegue dar ao mundo um testemunho cristão pela maneira como trata, perdoa e restaura suas lideranças depois da queda?
Ensino 6: O líder precisa ser liderado, precisa ser acompanhado na sua caminhada por outro líder, tanto para ajuda-lo na prevenção de certos erros como na restauração real de seus pecados.

O segredo de um ministério pastoral de sucesso

Uma das principais características dos seres vivos, e o que os define como tal, é o crescimento, processo que acontece naturalmente. O sucesso desse resultado é o inevitável começo da vida através de uma simples célula ou minúscula semente que se multiplica formando tecidos, órgãos, sistemas até desenvolverem-se num organismo biologicamente complexo.
Começar de baixo – de uma simples célula ou semente – é uma lei natural que abrange não só o processo biológico da vida, mas também a construção civil (toda edificação começa do alicerce), o aspecto financeiro, profissional, inclusive, na área da liderança. Vendo por essa ótica, o segredo do ministério pastoral de sucesso é começar de baixo. É importante definir aqui o significado ministerial de: “começar de baixo”. Que, essencialmente, é ter contentamento na missão, instituição eclesiástica ou responsabilidade singela (à vista humana) que recebeu, sem querer ou promover situações para mudar, prematuramente, por algo “maior”. Começar de baixo é ter responsabilidade com o que recebeu, mesmo que seja “pequeno”, não relaxando na mordomia da tarefa pastoral (Jr 48.10). Começar de baixo é não negligenciar o dom que Deus deu (1Tm 4.14), achando que é insignificante, e trocar por algo que julgue ser mais importante, como fez Esaú (Hb 12.16). Começar de baixo é não se intimidar com “um” talento e fazer com que ele produza, não o permutando ou considerando pouco, sem buscar possibilidades de crescimento (Mt 25.25).
E esse sucesso, não é o fim em conquistas pessoais, cargos adquiridos, situação financeira elevada ou prestígio social. Mas, é a vitória honesta dos combates coletivos, o sentimento do dever cumprido e a eterna conservação dos valores eternos adquiridos (2Tm 4.7). Dessa forma, comparado ao aspecto biológico, pelo qual um ser vivo alcança o sucesso do desenvolvimento quando começa de baixo, na primeira fase da vida, e encerra seu ciclo pronto para dar frutos, alcançando o ápice quando reproduz. No Ministério pastoral, o sucesso se dá quando o obreiro inicia a liderança em um cenário inóspito e desenvolve-se em excelência para uma responsabilidade maior, através de um ministério eficaz e com frutos dignos de recompensas Divinas (Lc 19.17), não de elogios humanos.
As pequenas igrejas, em minha opinião, são as grandes geradoras de líderes de sucesso. São incubadoras de grandes pastores. Via de regra, pequenas empresas, lojas e negócios, qual quer que seja o ramo-atividade que exploram, são verdadeiros laboratórios para lapidação de brilhantes líderes. Peter Drucker (2012), um dos maiores pensadores da administração secular, conta que um de seus amigos tem comprado pequenas empresas de poucos recursos, formadas por gente simples e clientes que não são doutores, para instruir seus aprendizes executivos e só então ingressarem nas suas grandes corporações.
Porque só assim, diz ele, aprenderão o significado e a importância do respeito.
Os motivos pelos quais essas “pequenas igrejas” são as grandes geradores de pastores de sucesso são parecidos com a ideia de Drucker (2012). Elas têm grande carência de pessoal qualificado, poucos recursos financeiros, materiais e estruturais além de uma pequena quantidade de membros. Situações como estas podem desenvolver habilidades, caráter e maturidade ao ministro, fazendo com que evolua para uma responsabilidade maior e contribuindo para um ministério pastoral de sucesso, o qual se apresenta em:
1º) UM MINISTÉRIO ATIVO
Uma instituição pequena apresenta escassez de músicos, pessoal para o evangelismo, dirigentes e visitadores, dentre outros. Nesse cenário o pastor se vê na “obrigação” de está mais ativo nos trabalhos e desempenhar diversas funções para que a obra avance, além de valorizar a prática permanente da evangelização pessoal.
2º) UM MINISTÉRIO RELACIONAL
Os poucos membros que a instituição tem fará com que o pastor aprenda a amar, valorizar e visitar mais seus fiéis para que estes sejam mais maduros, ativos nos trabalhos e dotados de dons e talentos; assim como contribuintes regulares e compromissados com sua igreja, evitando a migração para outras instituições. Basicamente, nesse cenário aprende-se o significado real e a importância principal de um ministério pastoral de sucesso: o relacionamento fraternal.
3º)UM MINISTÉRIO SINGELO (HUMILDE) E DE APRENDIZAGEM
As “pequenas igrejas” são as grandes faculdades pastorais, laboratórios de administração eclesiástica e berçário de novos líderes. Geradoras de líderes humildes, não presunçosos e que respeitam todos os seus colegas como iguais conservos seus. Experiências como as de Moisés e Davi são exemplos de aprendizagem que começou de baixo e deu certo, diferente de Saul, do qual não se registra nenhuma experiência de liderança básica.
Moisés começou com as poucas ovelhas do rebanho familiar de seu sogro Jetro. Em um cenário desértico e com poucos recursos ao seu dispor, teve sucesso quando ouviu a voz de Deus e Dele, naquele campo escasso, recebeu, humildemente, seus primeiros treinamentos espirituais (Ex 3). Ao contrário do que, a princípio, aconteceu no Egito, onde queria orgulhosamente, iniciar a liderança como filho da filha de faraó, “do alto” como príncipe abastado e revestido de técnicas e do prestígio social egípcio (At 7.22-28).
Que o candidato ao ministério não vise começar sua carreira ministerial nas grandes catedrais, mas nas pequenas igrejas interioranas de nossa nação, que o levará um dia ao topo da liderança eclesiástica e terá o sabor das laboriosas batalhas e experiências de vitórias passadas, além do mérito divino e poderá dizer como o velho, experiente e bem sucedido ministro Paulo (2Tm 4.7): “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé.”

Estilos de liderança

Estilos de liderança são perfis profissionais de liderança que um indivíduo carrega em seus “genes administrativos” ou adquire ao longo de sua carreira profissional.
Existem dois tipos de líderes: os que são chamados e capacitados por Deus para liderarem e os que lideram apenas porque se deparam ou são impelidos a situações que exigem liderança (líder situacionista). Porém, tanto para estes como para aqueles é preciso que tenham estilos de liderança com os quais desenvolvam atividades com mais significância e obtenham sucesso.
Os estilos moldam a maneira de liderar. Os líderes situacionistas podem adaptar-se a um ou mais estilo de liderança. Diferente dos líderes nato, que já nascem com um estilo próprio, que por sua vez pode ser aperfeiçoado e até mesmo adquirir novos estilos.
Assim, tanto o líder capacitado por Deus para liderança como o líder situacionista pode desenvolver mais de um estilo de liderança. Caroline Marcon, gerente do Hay Group, instituição americana especializada em consultoria empresarial, afirma que “o líder pode até ter tendência a um perfil específico, mas tem de ter flexibilidade suficiente para aprender e incorporar outros estilos em caso de necessidade”.
Bárbara Ladeia, articulista da revista Exame, comenta sobre os seis estilos de liderança da era moderna definidos por Caroline. Compararei esses estilos de liderança com personagens bíblicos descritos por Billie Davis em seu livro: “Pessoas, Tarefas e Alvos” (ICI, 1983).
São seis personagens bíblicos que se destacaram com seus respectivos estilos de liderança e se tornaram um modelo para pastores e líderes da atualidade, tanto aqueles que administram igrejas como aqueles que dirigem departamentos ministeriais, cristãos que exerce função de liderança intermediária em uma igreja local e pastores auxiliares.

Neemias: o líder coercivo e de liderança produtiva

Billie Davis apresenta-o como um líder decidido nas suas ações. Solucionava problemas emergenciais sem a participação coletiva de seus conselheiros e demais pessoal. O estilo coercitivo tende a funcionar bem em situações de emergência, em que “mandar fazer é mais fácil que discutir soluções com toda a base de empregados”, afirma Caroline Marcon. Ela ainda diz que líderes coercivos são “vigilantes e críticos, são ácidos e duros em suas críticas”.
No caso de Neemias, as palavras “ácidos” e “duros” podem ser trocadas por “firmes” e “decididos”. Ele era um líder coercitivo sobre os assuntos de negligências espirituais (Ne 13.23-26). As suas ferramentas de correção e tomadas de decisões eram sempre a Palavra de Deus e a disciplina corretiva inspirada pela ordem divina.
O líder com esse estilo de liderança não deve exercê-la de forma aleatória, pautada por suas convicções ou mesmo baseada pela prepotência do cargo que exerce – zelo sem amor causa tirania espiritual. Mas deve agir sob o manto da inspiração bíblica, com amor e serenidade, bem como regida pelo Espírito Santo. A tomada de decisão é o fator mais importante e característico desse estilo de liderança. O “mandar fazer”, o qual especifica Caroline, é uma ação particular do líder coercivo na resolução de problemas que, muitas vezes, é necessária para resolver agravantes urgentes. Billie Davis afirma: “Há ocasião em que um líder precisa resolver pessoalmente qual medida deve ser tomada” sem ser insuflado por terceiros.

Josué: o líder dirigente e de liderança comunicativa

Outro estilo de liderança moderno mapeado por Caroline é o líder dirigente. Ele dá direções claras para a sua equipe, dizendo exatamente o que espera de cada um. “É um estilo que exige experiência e preparação do chefe em questão. É uma gestão baseada em diálogo e comunicação”, afirma a especialista.
Billie identifica Josué como esse tipo de líder. Ele o define como um líder com uma mensagem clara e, no quesito das experiências, ele foi mentorado por ninguém menos que Moisés (Ex 17; 33 e Nm 15.5-10).
Quanto à comunicação, Josué compreendia e utilizava com sucesso sem igual seus princípios fundamentais (Js 2.1; 3.2-4,9; 8.3-8).
Todo líder cristão deve levar em consideração esse estilo de liderança. O pastor que sabe se comunicar com sua igreja será bem sucedido. De acordo com Caroline, esse líder garante a motivação dos funcionários através da transparência. “Ele quer engajar as pessoas para que elas sintam vontade de seguir suas orientações”, reitera a especialista.

Davi: o líder afetivo e de liderança espiritual

Houve um tempo em que o rei antecessor de Davi, Saul, foi atormentado por um espírito maligno. Isso lhe causava tormento, depressão e assombro. Logo seus criados deram a sugestão de chamar alguém para que tocasse de forma afetiva e espiritual para seu rei e o livrasse daquele tormento (1Sm 16.18).
Os adjetivos atribuídos a Davi: “animoso” e de “gentil presença” caracteriza-o como um dos líderes mais humano e fraternal das páginas sagradas. Essa virtude lideracional o identifica com o estilo de liderança moderno que Caroline o chama de Afetivo. “Quem dá mais atenção às pessoas que às tarefas é o chamado líder afetivo. Ele trata bem seus colaboradores e, não raro, são recompensados com lealdade e alto desempenho”.
Billie atribui esse mesmo pensamento a Davi dizendo que “ele mostrava-se leal e cheio de consideração ao tratar tanto com os seus superiores quanto com os seus subordinados”. Caroline diz que o líder afetivo tem um interesse genuíno nas pessoas e isso faz com que crie harmonia e proximidade na equipe. Foi exatamente o que Davi fez com os seus valentes (1Sm 22). A afetividade de um líder está interligada a sua espiritualidade. Um líder afetivo é um líder que lidera com mecanismos espirituais, Davi dá prova disso em seus salmos. Portanto sejamos pastores afetivos – espirituais!

Moisés: o líder democrático e de liderança relacional

Moisés aprendeu cedo a arte de delegar tarefas através de seu sogro Jetro (Ex 18). Embora a liderança espiritual exercida por um servo de Deus numa instituição religiosa, como a Igreja de Cristo, não seja uma democracia, essa liderança deve ser compartilhada entre seus auxiliares para que chegue ao sucesso institucional. O que definirá esse compartilhamento será a delegação de poder.
Dado as circunstâncias, Jetro instruiu Moisés para um dos estilos de liderança moderno mais participativo já visto: a liderança relacional. Moisés aprendeu e se tornou um líder democrático, que, nas palavras de Caroline, “é o melhor líder para criação de ambientes de alta performance. Isso porque o compartilhamento das responsabilidades faz com os liderados se sintam corresponsáveis e parte de uma construção coletiva”.
Na ótica da liderança democrática, Billie afirma “que o líder que prefere o estilo democrático trabalha mais dentro do grupo. Conduz o grupo para estabelecer regras. Permite que seu grupo participe de modo significativo na tomada de decisões”.

José (filho de Jacó): o líder modelador e de liderança intermediária

Como líder modelador, José foi um exímio gestor, detalhista e de recomendações assertivas em todas as situações que exerceu liderança. “As instruções detalhadas e a alta exigência são marcas registradas do líder modelador”, acrescenta Caroline ao se referir a esse estilo de liderança.
Podemos inserir e analisar José nesse contexto de liderança, pois ele detalhava suas instruções a fim de solucionar alguns problemas de gestão, como foi no caso da interpretação do sonho de Faraó (Gn 41.33-36). Além disso, ele exerceu liderança em um ambiente que era apenas intermediário. José “era apenas um escravo, e precisava receber ordens da parte de seu senhor”.
Nesse sentido, Billie afirma que a maioria dos líderes nas igrejas exerce liderança intermediária. Como por exemplo, o líder de departamento de jovens, de senhoras, supervisores de congregações, etc. Nessas circunstâncias, é imprescindível que o pastor, presidente da igreja local, saiba interagir equilibradamente com esse tipo de liderança, pelo fato dele próprio não fazer parte diretamente da gestão de tais setores.
Portanto, cabe a ele (líder intermediário) confiar integralmente nos demais líderes e, ao mesmo tempo, manter-se próximo para evitar extremos e revelias administrativas, mas com a independência que lhes é permitida.

Paulo: o líder treinador e de liderança progressiva

“Como um técnico de time de futebol, o treinador investe tempo e esforços na compreensão dos pontos fortes e fracos de cada membro da sua equipe. O objetivo é trabalhar com eles para que o desenvolvimento pessoal gere bons resultados”, afirma Caroline ao falar sobre o líder treinador.
O apóstolo Paulo é esse líder treinador, porque sempre treinava um sucessor na igreja que fundava. Quando chegava a sua hora de partir, capacitava um líder e, sem hesitar, passava o bastão da liderança (Tt 1.4,5).
Billie Davis apresenta as características mentoras de Paulo para com Timóteo, que se entrelaçam com as do líder treinador abordado por Caroline: “Um líder está constantemente aprendendo e crescendo, e também ajudando outras pessoas a aprenderem e crescerem. (…) Preocupado em conhecer sua equipe, o treinador conversa muito, se interessa em conhecer cada um, com foco sempre no longo prazo. (…) É perfil ideal para a formação de novos líderes”, conclui.

O caráter do pastor e o pastor de caráter

“Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas. Mas o mercenário, e o que não é pastor, de quem não são as ovelhas, vê vir o lobo, e deixa as ovelhas, e foge; e o lobo as arrebata e dispersa as ovelhas. Ora, o mercenário foge, porque é mercenário, e não tem cuidado das ovelhas. Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido.  Assim como o Pai me conhece a mim, também eu conheço o Pai, e dou a minha vida pelas ovelhas.” (João 10:11-15)
Ser pastor é algo ímpar dentro de um contexto que envolve fé e capacidade de servir. Servir a Deus em primeiro lugar e servir aos homens em consequência de servir a Deus. Nenhum homem pode dizer que serve a Deus sem que demonstre ser servo dos seus semelhantes. As palavras de Cristo falam de dar a sua vida pelas ovelhas. O próprio Jesus foi exemplo disso ao dedicar seu ministério ao serviço, atendendo a cada um que se aproximasse dele. Muitos foram curados, perdoados e agraciados com respostas sábias por parte dEle. Mais tarde o maior exemplo de doação foi quando Cristo doou voluntariante seu fôlego de vida em favor da humanidade.

Dar a vida pelas ovelhas

A dádiva de “dar a vida” não implica, necessariamente, que o pastor dever morrer pelas ovelhas, antes que é seu atributo ministerial a doação de si mesmo, seu tempo, sua paciência, seu ombro, seus ouvidos em favor de sua congregação. No Novo Testamento a palavra pastor, como designação de um oficio ministerial, é encontrada uma só vez, em Efésios 4.11, e vem da palavra grega poimén (ποιμήν), que significa apascentador, guarda, aquele que conduz um rebanho ao pastor, sustentador.
O ministério pastoral exige, senso de responsabilidade, amor e paciência, alegria e abnegação, ordem e humildade. Se este ministério for mal exercido, será a ruína da Igreja. A humildade, ao contrário do que se pensa, ela fortalece a liderança do pastor, pois humildade revela, antes de tudo, amor. Quem é humilde não se ofende, nem revida. A humildade livra o pastor do orgulho e da arrogância.
O pastor deve ter em mente a realidade daqueles a quem serve, os problemas que envolvem sua comunidade, as necessidades básicas das pessoas à sua volta. É dever do pastor dar um tipo de atenção que vá além de cumprimentos carismáticos e admoestações efusivas. As vezes acontece de pessoas se aproximarem de um pastor com determinada expectativa e sairem frustradas com a falta de atenção devida, recebendo uma desculpa qualquer em resposta aos seus anseios.

A ovelha perdida

Um fenômeno impressionante na igreja evangélica brasileira é o êxodo frequente, a migração de pessoas de uma denominação para outra, especialmente nos ramos pentescostais.  Uma das principais causas disso, por incrível que pareça, é a falta da devida atenção pastoral à real necessidade daqueles a quem serve.
Se algum pastor estiver lendo esta postagem, sugiro um pequeno exercício mental, memorize quantas pessoas deixaram sua congregação recentemente e quantas delas tiveram sua dedicação e esforço afim de permitir que ela permanecesse congregando contigo. Quantas pessoas que saíram de sua congregação receberam uma visita pastoral, ou o convite para tomar um cafezinho em seu gabinete?
Que homem dentre vós, tendo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove, e vai após a perdida até que venha a achá-la? (Lucas 15:4)
Infelizmente vamos ter como respostas muitas desculpas como rebeldia, desobediência, falta de fé, etc., contudo muitas vezes é mais fácil se livrar de uma ovelha trabalhosa do que a dedicação exigida para apascentá-la.

Chamado, dom ou profissão?

As escolas de líderes, formação e capacitação pastoral estão em alta, são muitíssimo concorridas. Paga-se valores altos por palestras e treinamento de pastores. É claro que a capacitação é fundamental. Mas antes de tudo deve-se ter em mente a real motivação que leva alguém a buscar esse nível de capacitação.
A motivação de cada um para o exercício pastoral está atrelada ao caráter daquele que almeja ser pastor. O meio evangélico torna-se campo fértil para pessoas que desejam enriquecer por meio da fé alheia, pois a liberdade religiosa e a facilidade para abertura de igrejas permitem que muitos aventureiros tenham metas eclesiásticas ambiciosas.
A Bíblia nos alerta em tempo e fora de tempo acerca do falso que nos cerca, a Palavra de Deus é nossa orientação quanto a tudo o que está diante de nós. Há textos que alertam sobre os falsos pastores, mas este texto nos fala sobre atributos que nenhum pastor deve evidenciar:
Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te. (2 Timóteo 3:1-5)

Personalidade, Caráter e Santidade

Se me perguntam: “Que homem é fulano?” Não posso lançar um discurso retórico, é preciso que eu o caracterize em poucas palavras, que eu o descreva segundo seus traços fundamentais de personalidade e caráter. Homens de boa reputação, este foi o primeiro requisito quando os apóstolos decidiriam instituir o diaconato.
A primeira exigência de um líder cristão é santidade, algo que deverá estar evidenciado em seu caráter, uma marca registada deste homem com pessoal. Ele precisa ser sensível ao pecado que outros possivelmente consideram aceitável. Isaías tornou-se sensível a sua fala impura logo que viu o Senhor exaltado no templo. O tremendo som da repetição de “santo é o Senhor dos Exércitos” pelo serafim, estarreceu-o (ls 6.1-3). Ele gritou:”Ai de mim! Estou perdido!” (v.5). Esse foi o efeito que a visão teve no jovem profeta.
É improvável que lsaías usara uma linguagem mais violenta, impura ou blasfema do que seus contemporâneos. Porém, um sentimento de culpa tomou conta dele no ambiente santo que enchera o templo. O véu, que separava a realidade do céu das coisas terrenas, foi partido. Deus preparou Isaías para liderar, fazendo-o completamente miserável diante de sua natureza pecaminosa.

Cheio do Espírito Santo

“Cheio do Espírito” foi o segundo traço de caráter que os apóstolos solicitaram dos líderes que cuidavam da distribuição diária (At 6.3). Há alguma controvérsia com relação ao significado dessa frase, mas é razoavelmente claro que a “plenitude do Espírito Santo”significa três coisas:
Primeiro, significa que o líder tornou-se corajoso e valente. A realidade do Espírito na vida de um homem como Pedro pode ser vista em seu sermão no dia de Pentecostes (At 2), e em sua resposta corajosa aos líderes e anciãos dos judeus, que tinham o poder de colocá-lo na prisão e matá-lo (At 4.8). O encontro de oração, após as ameaças dos líderes do Sinédrio, resultou em um novo encher do Espírito. A conseqüência foi que eles “com intrepidez, anunciavam a palavra de Deus” (At 4.31).
Segundo, o enchimento do Espírito é encontrado no zelo e poder evangelístico que Filipe demonstrou em Samaria. Foi tão impressionante a unção pela qual Filipe proclamara Cristo (At 8.6), que multidões deram atenção ao que disse. Além do mais, os demônios gritavam quando foram expulsos das pessoas possuídas. Ele realizou milagres poderosos de curas de doenças físicas (v.7). Atualmente, não exigimos de líderes de organizações cristãs que realizem milagres, mas zelo por Deus e seu Reino são evidências claras da presença do Espírito.
Terceiro, a plenitude do Espírito significa que o líder não está sozinho. Ele tem um “assistente divino”. Sem o Espírito, será que Filipe saberia que precisava deixar o ministério frutífero em Samaria e viajar à Gaza para unir-se ao carro do eunuco, mordomo-mor de Candace, rainha dos etíopes (At 8.26-31)? Permanece de importância máxima que o líder saiba a mente do Senhor antes de tomar decisões que venham afetar a sua vida e a vida de outras pessoas. Todos os filhos de Deus devem ser guiados pelo Espírito (Rm 8.14) ou “andar no Espírito” (GI 5.16,25), mas é ainda mais importante que o líder seja assim liderado. Suas decisões afetam mais pessoas. Sua vida chama a atenção como um modelo exemplar.

O princípio do Amor

Existe alguma qualidade de que um pastor careça mais do que o amor? O mundo se deteriora rapidamente devido ao egoísmo que penetra nossa cultura. O “fazer algo de forma correta” tomou o lugar do “fazer o bem”. Essa é a nova prioridade do nossos dias, colocando o amor em segundo plano.
O controle de qualidade se tornou mais importante do que o sacrifício em favor de outras pessoas. O “salvar a vida” por meio da “perda dela” por Cristo e pelos necessitados não é mais algo popular, atualmente, embora seja o ponto central daquilo que Jesus exige de seus seguidores (Lc 9.23-24). O amor é mais importante no Novo Testamento do que os dons espirituais ou o conhecimento (1Co 13; 8.1). Um pastor sem amor é como um corpo sem o coração. Morto e sem sentido que promove vaidade, em vez de maturidade cristã.
Paulo escreve para os Coríntios que o amor de Cristo nos constrange (2Co 5.14). Significa que qualquer pessoa que sente intimamente o amor que Cristo tem por ela, desejará segui-Io, e servi-Io. O custo do sofrimento e do esforço não é importante. A lealdade estabelece as raízes firmes nos corações daqueles que sentem que seus pastores verdadeiramente os amam.
É por isso que Jesus fez o contraste entre o mercenário e o pastor, em João 10. O mercenário não é o dono das ovelhas, nem se preocupa com o que acontece com elas. Quando o lobo aparece, ele foge. Não sente nenhuma necessidade de arriscar sua vida pelo bem-estar e proteção das ovelhas. O amor do pastor, ao contrário, é tão íntimo e sacrifical que ele dá a sua vida pelas ovelhas.

5 mulheres que transformaram o mundo missionário

Mulheres tem atuado de forma essencial na proclamação e solidificação do evangelho em diversas culturas e nações desde os tempos primórdios da história da Igreja. Da mulher samaritana por exemplo, que apresentou Jesus à sua cidade até Priscila que viajou por Roma, Grécia e a Ásia menor com o crescimento da igreja, a Bíblia está recheada de mulheres que conheceram à Jesus e então espalharam a mensagem sobre o Reino.
No início do movimento protestante missionário, mulheres eram somente autorizadas a acompanharem seus esposos em missão, mesmo já tendo seu chamado individual e sendo influentes no campo onde atuavam.
Conforme as missões foram progredindo, as mulheres começaram a conquistar mais espaço para moldar formatos que seguimos hoje e abrir oportunidades para homens e mulheres servirem. Abaixo citaremos algumas mulheres que tiveram ou ainda tem impacto na forma como enxergamos missões nos dias de hoje.

Cynthia Farrar: Abriu caminho para missionárias solteiras e educação para meninas

Cynthia foi a primeira missionária Americana solteira a fazer missões fora do país. Apesar da resistência das agências americanas em enviar mulheres sozinhas para a missão, Farrar foi escolhida e enviada para a India por causa de sua excelência em ensino. Ela deixou os Estados Unidos em 1827 e passou 34 anos em Bombay fundando e consolidando uma escola para meninas que acolheu 400 alunas já em seus primeiros 2 anos. Naquela época, a maioria dos pais indianos não queria que suas filhas estudassem, mas mesmo assim Farrar conseguiu criar novas escolas e lotá-las com meninas que tinham o desejo de estudar.

Betty Greene: Abrindo os céus para missionários

Betty Greene era fascinada por aviação desde pequena e seus heróis eram Charles Lindbergh e Amelia Earhart. Ela começou a voar durante a adolescência e iniciou sua carreira professional servindo no Serviço de Pilotos da Força Aerea Feminina na Segunda Guerra Mundial. Depois da guerra Betty desejava unir sua paixão por voar e sua fé. Ela ajudou a fundar a Irmandade Missionária de Pilotos Cristãos. Durante os 16 anos em que esteve nessa ação, Greene ajudou missionários a viajarem por 12 países e continuou servindo nessa instituição até sua morte em 1997.

Ruth Siemens: Rompendo em oportunidades de montar tendas

Ruth estudou pedagogia em Biola e era membro ativo na integração da Irmandade Cristã na universidade Chico State também. Ela tinha prometido servir a Deus se ele abrisse uma porta, pois ela tinha um chamado para o Peru, porém na época nenhuma oportunidade para lá surgia. Depois de ter começado a dar aula no ensino fundamental no litoral da Califórnia, Ruth foi surpreendida com uma oportunidade de dar aulas no Peru em 1954, não como uma missionária sem salário, mas sim como uma professora assalariada em uma escola bilíngue.
Depois de 3 anos dando aula no Peru e 11 no Brasil, Siemens viu a fidelidade de Deus nesses empregos tanto como sustento e como forma de ministrar sobre Deus. Ruth implantou muitos ministérios universitários.
Quando ela percebeu quantos alunos queriam se envolver em ministérios de tendas, ela começou a conectar os alunos com oportunidades de produção de tendas internacionalmente. Ruth também ajudou a definir o padrão de montar tendas como é conhecido hoje não só para cristãos expatriados conseguirem renda, mas também como algo profissional para pessoas comprometidas com missões e locais de evangelismo transcultural.

Mulheres e a Bíblia na Ásia: Criando caminhos para o evangelho em locais proibidos

Desde os trabalhos missionários mais antigos na Coréia, China e Índia, missionários reconheceram a influência que as mulheres daquelas regiões tinham em seus sistemas familiares e então começaram a fazer um esforço extra em treiná-las a ler e usar as escrituras. Essas mulheres se apaixonaram pela palavra de Deus e por compartilha-la em suas comunidades e fora delas, então o movimento As Mulheres da Bíblia foi lançado. Elas implantaram igrejas, lideraram irmandades e fizeram discípulas apaixonadas pela palavra assim como elas em todos os lugares que íam. Em 1917, uma pesquisa descobriu que o número de Mulheres da Bíblia era 2 vezes maior do que os de missionários estrangeiros naquela região!

Nikole Lim: Levando dignidade através de histórias criativas

Nikole é um exemplo contemporâneo de mulher inovadora em missões. Ela fundou a Freely in Hope (Livre em Esperança), uma ONG e plataforma que fornece educação para sobreviventes de violência sexual para que assim eles consigam realizar seus sonhos. Ela também faz parte do movimento Lausane e da rede cristã Red Letter. A estória verdadeira surge através das lentes de sua câmera. Nikole se formou em produção de filmes na Universidade de Loyola Marymount na California e usa sua experiência como fotográfa e cinegrafista para contar estórias de pessoas ao redor do mundo. Nikole enfatiza o que ela chama de “fotografar com dignidade” e ela consegue mostrar quem são as pessoas de verdade e ajuda outros a trabalhar com isso através de workshops e palestras.
Elisabeth Elliot escreveu, “ Qual é o lugar das mulheres na missão mundial? Jesus disse, ‘ Vocês [e a palavra significa todos vocês, homens e mulheres] são minhas testemunhas. Vocês são sal da terra, luz do mundo.’ Há milhares que sem referencia de onde vieram, o que sabiam ou o que eles eram, ainda sim tem acreditado que Jesus foi bem claro no que disse e se firmam em seguí-lo.”
Sou muito agradecida por essas e tantas outras mulheres que tem trilhado o caminho em ministérios transculturais.

O que tem a ver os ímpios com a perdiz?

Vivemos num mundo em que, se alguém tem muitas posses materiais, ele é considerado próspero. Essa visão fundamenta-se numa cosmovisão meramente materialista. Assim sendo, se uma pessoa só procura satisfação em coisas terrenas, logo, para ela, a realidade espiritual não tem importância alguma.
Para os ímpios ambiciosos, o mais importante é terem bens em abundância: dinheiro, veículos, mansões, apartamentos, etc. O resto fica para depois. Nesse caso, o dinheiro, para elas, é o seu deus supremo.
Na Bíblia, encontramos um personagem com essa filosofia de vida. Em Lucas 12.16-20, Jesus narra uma parábola acerca de um homem rico materialista:
O campo de um homem rico produziu com abundância. E arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei, pois não tenho onde recolher os meus frutos? E disse: Farei isto: destruirei os meus celeiros, reconstruí-los-ei maiores e aí recolherei todo o meu produto e todos os meus bens. Então, direi à minha alma: tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te. Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?
Podemos observar nesse homem uma acentuada preocupação com o crescimento material. Em nenhum momento de sua prosperidade ele faz menção de Deus, apesar de o Senhor ter mandado chuvas para a sua plantação e ter-lhe permitido uma boa colheita (Mateus 5.45). O texto sagrado diz que sua produção e seu granjeio foram violentos: “O campo (…) produziu com abundância. E arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei, pois não tenho onde recolher os meus frutos?”.
Todavia, o Senhor fez-lhe uma reprimenda, chamando-lhe de “louco” (v. 20). Isso mesmo, todos aqueles que priorizam as riquezas são “sem juízo” diante de Deus.
Biblicamente, entendemos que os tesouros dos ímpios servem-lhe de verdadeiras armadilhas. Na verdade, os impiedosos são como a perdiz: “Como a perdiz que choca ovos que não pôs, assim é aquele que ajunta riquezas, mas não retamente; no meio de seus dias, as deixará e no seu fim será insensato” (Jeremias 17.11).
Mas alguém pode indagar: “E se o ímpio morrer cheio de riquezas?”. O apóstolo Paulo responde: “Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele” (1 Timóteo 6.7). Consequentemente, restará ao ímpio tão somente o caixão de defunto e o túmulo sombrio. Dali para a frente, o caso é eternamente funesto.